Em defesa da vida, jovens de Belém dizem não ao genocídio da juventude e redução da maioridade penal

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Naiane Queiroz e Jorge Anderson, de Belém (PA) | Imagem: Mário Ernesto

Em novembro de 2014, a capital paraense foi palco de uma chacina que vitimou jovens de bairros periféricos, dentre eles o Guamá. O assassinato de jovens tem sido uma constante não só no Pará, mas no Brasil. O fato inclusive levou a Câmara Federal a criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o problema.

Como contraponto ao extermínio de jovens e a redução da maioridade penal, o Programa Juventude, Participação e Autonomia – JPA, por meio do Projeto Jovens Comunicadores da Amazônia, promovido pelo Instituto Universidade Popular com apoio do Instituto Oi Futuro, realizou um ato em frente ao Mercado Municipal do Guamá, no último dia 11.

Na ocasião, vários jovens do projeto abordaram moradores para dialogar sobre os temas, pautando também a necessidade de maior acesso a políticas públicas.

Durante toda manhã foi possível discutir diversos pontos de vista sobre essas questões, que contribuíram para a realização do evento. Confira alguns:

”O próprio negro se acha inferior, mas é claro que os mal informados também nos humilham, isso é falta de informação… Falta apoio, falta reconhecimento. Sempre somos os culpados, os suspeitos.”

Maria de Lourdes, 49 anos, feirante, bairro do Guamá.

“A mídia rotula os jovens, principalmente os negros de periferia. Sempre me olham como ladra, mas não tenho medo, tenho direitos.”

Marilene Gomes, 39 anos, camelô.

”Se perdeu a essência da vida, jovem deve ter um lugar unificado, que se sinta acolhido e representado e não oprimido. A pele pode ser negra, mas a alma é livre. Ajudei a construir a primeira creche do bairro, a Arco-Íris, meu orgulho. Sou conselheira tutelar, lutei pela não violência e ainda luto, tenho medo de ficar em frente a minha casa, mas me orgulho de ver atos como esse de vocês! Deve ter mais agentes guerreiros e multiplicadores pela vida, pela luta dos direitos humanos.”

Eunice Maria Ramos Silva, 77 anos, Conselheira Tutelar, moradora do bairro há 65 anos.

Incidência educativa

Esta ação foi resultado da etapa de incidência do projeto, planejado pelos jovens que integram o Jovens Comunicadores da Amazônia. O objetivo é estimular o fortalecimento teórico-prático desses jovens nas comunidades, criando espaços para diálogo e reflexão sobre assuntos de interesse coletivo, diretamente ligados a suas realidades. Para isso, se utilizam da comunicação alternativa como ferramenta de sensibilização, a partir de aprendizados e conhecimentos construídos por eles durante as oficinas temáticas.

Essas e outras atividades realizadas pela Unipop vêm buscando ampliar 0 espaço de luta contra qualquer forma de descriminação, alicerçando-se no respeito à diversidade e pluralidade da sociedade, garantindo o diálogo por meio de estratégias de mobilização.

Historiador, educador do Instituto Universidade Popular e membro do Instituto Amazônico de Comunicação e Educação Popular - IACEP.

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