Educomunicação em projetos de intervenção

Formação oferecida a jovens da periferia de São Paulo abordou princípios da prática educomunicativa, a aplicação de referenciais teóricos em ações e os desafios da gestão em educom

Redação AJN

Desde a idade antiga, diversos grupos sociais se referem às juventudes como pessoas desinteressadas, sem objetivos, desordeiras e sempre dispostas a discordar de normas. A adolescência sempre foi um período de mudanças e de muita exposição à grandes questões da vida adulta; na era da informação essa exposição acompanha novos dilemas e apresenta inúmeras oportunidades de ação e intervenção destes jovens em seus territórios e na sociedade como um todo.

A escola e outras instituições que promovem a socialização e a formação das juventudes brasileiras não acompanharam a evolução tecnológica à qual estamos expostos. As gritantes desigualdades econômicas, sociais, de conhecimento e acesso a direitos básicos e serviços públicos aumenta ainda mais a distância entre o tempo da adolescência e a participação social ativa e positiva.

Felizmente, há exemplos que nos dão mostras de como esse quadro pode se modificar e mostram o quão potentes podem ser as juventudes quando estimuladas ao pensamento crítico e colocadas em contato com ferramentas capazes de fazer com que suas ideias tornem-se projetos concretos e que essa potência jovem seja direcionada para a ação. Vamos falar sobre uma delas agora.

O Coletivo ArquePerifa, grupo de jovens da região de Parelheiros, zona sul de São Paulo, que trilhou o percurso formativo do projeto Chama na Solução, iniciativa do Unicef implementada pela Viração Educom, vem buscando formas de manter as atividades de aprendizado e intervenção em seu território mesmo durante o período de distanciamento social imposto pela pandemia.

A partir do interesse da turma do ArquePerifa em se aprofundar nos conceitos e na prática da Educomunicação, a equipe da Viração acionou o educomunicador Bruno Ferreira, associado da ABPEducom (Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação). Na conversa sobre as demandas do grupo, surgiu a ideia de oferecer a esses jovens uma formação que abordasse algumas das principais correntes teóricas da Educomunicação e formas práticas de aplicá-las na sociedade. 

O curso “Educomunicação em projetos de intervenção” foi elaborado com 10 horas de duração, sendo 6 horas dedicadas a estudos teóricos e 4 horas dedicadas à elaboração orientada de ações educomunicativas. As atividades foram divididas em 3 encontros, que aconteceram de forma virtual e com certificação pela ABPEducom.

Bruno Ferreira falou com a gente sobre o curso:

ofereci o curso Educomunicação em projetos de intervenção para o coletivo, que finalizou o curso há algumas semanas com a ideia de uma formação educomunicativa para moradores de Parelheiros, com o objetivo de resgatar a memória da região a partir das identidades e experiências dos participantes desse processo. Fiquei super feliz com o resultado!

Com a notícia da realização do curso, outro coletivo de jovens manifestou interesse em participar da iniciativa:

O legal é que, nesse meio tempo, outro coletivo, o Outras Literaturas, também se interessou pela formação. A Lorena, que integra esse coletivo e foi minha aluna anteriormente, soube do curso e estamos combinando uma edição para o grupo dela.

Para Luara Angélica, jovem integrante do ArquePerifa e participante do curso, a formação contribuiu muito para viabilizar ações que ela e o restante do coletivo almejam para interagir com seu território:

O Professor Bruno Ferreira preparou essa oficina pro ArquePerifa e a construiu de uma forma bem educomunicativa, isso é muito positivo pro processo de aprendizado! Foi muito legal fazer as aulas, aprender os conceitos e ter referências como Jesús Martín-Barbero (que fala sobre o sujeito se apropriar da própria palavra e isso faz tanto sentido!). Várias referências que o Bruno nos trouxe me levou a pesquisar mais e me aprofundar mais, como quando ele trouxe essa frase de Paulo Freire: ‘A educação é comunicação, é diálogo, na medida em que não é transferência de saber, mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados.’ (FREIRE, 2013, p. 91). Ao final da oficina construímos um projeto de intervenção e já mandamos pra um edital! Estou muito grata por ter feito essa oficina!

Bruno Ferreira é mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), especialista em Educomunicação, pela mesma instituição, e jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Cursa, atualmente, Licenciatura em Comunicação para Educação Profissional de Nível Médio, no Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Trabalhou como docente de Comunicação e Desenvolvimento Social no Senac São Paulo; como formador de professores, em Educomunicação, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo; e como gestor de comunicação e editor de produtos midiáticos na Viração Educomunicação. Atualmente é consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO Brasil) e de outras organizações da sociedade civil na temática de Educação Midiática. Quer falar com ele? Envie e-mail para brunoferreira.contato@gmail.com 

Acompanhe as atividades do ArquePerifa nas redes sociais: Facebook, Instagram, Anchor Podcasts e no Youtube.

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