Educomunicação e regeneração urbana: jovens se mobilizam para contar histórias e visões de futuro sustentável

Quatro encontros de formação, reuniões para preparar guiões e entrevistas, saídas em campo para produção de fotografias e vídeos. É assim que um grupo de 08 jovens e técnicos do Projeto URBiNAT estão criando novas narrativas sobre a freguesia de Campanhã no Porto, através da comunicação comunitária.

Este conceito é integrado no URBiNAT através da Plataforma Campanh’Up, uma proposta de Comunicação e Interação co-criada com os cidadãos no Living Lab do URBiNAT no Porto. Assim, a formação em comunicação comunitária pretende fortalecer o envolvimento ativo da comunidade nas questões sociais em que estão implicadas. 

Entre as atividades previstas nos encontros de formação está justamente aquela de promover e comunicar o território, contar as histórias dos seus moradores, fazer ecoar os seus projetos de vida e comunitários através da Campanh’Up

A formação abordou os seguintes temas em oficinas virtuais:

  1. Educomunicação e o poder das redes sociais
  2. Diagnóstico do uso das redes sociais no URBiNAT
  3. Como se faz uma entrevista, um artigo e um comunicado de imprensa  
  4. Instrumentos para fazer uma reportagem fotográfica
  5. Instrumentos para fazer um vídeo para as mídias sociais
  6. Comunicação comunitária: o que é e como se faz?
  7. Mapeamento dos ativos de comunicação do território
  8. Construção coletiva de um plano de trabalho sustentável para fortalecer a plataforma Campanh’Up 

Na base da metodologia de trabalho proposta pela Viração está a Educomunicação. Trata-se de um campo do saber e de intervenção sociocultural definida como: “o conjunto de ações voltadas ao planejamento e implementação de práticas destinadas a criar e desenvolver ecossistemas comunicativos abertos e criativos em espaços educativos, garantindo dessa forma, crescentes possibilidades de expressão a todos os membros da comunidade educativa”, de acordo com o professor Ismar de Oliveira Soares do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo no Brasil.

Paulo Lima, fundador e diretor executivo da Viração, explica que as ferramentas de comunicação são simultaneamente compreendidas como processo e produto. São processos porque é por meio delas que os jovens e adultos vão começar a se abrir para o conhecimento de si e de seu território, realizando entrevistas, mapeando, fotografando e pesquisando:

Este processo vai se consolidar em produtos de comunicação colaborativos, que têm o potencial de envolver outros agentes, expandir a rede de pessoas trabalhando pelo futuro sustentável da Freguesia de Campanhã e do Porto, servir como veículo de divulgação das ações de organizações não-governamentais e governamentais da cidade.

Um processo baseado na retroalimentação que fortalece o senso crítico dos jovens e adultos, não apenas em relação aos meios de comunicação, mas também à existência de políticas públicas que beneficiem seu entorno e, principalmente, em relação à efetivação dos direitos cidadãos.

A Plataforma Campanh’Up está a ser co-criada com as associações locais, nomeadamente com a OUPA e a APPC, tendo atravessado a fase de experimentação ao longo de 2020 e iniciado, em 2021, a fase de consolidação com esta formação.

Por um lado, para Ricardo Lopes, da OUPA, que tem sido o dinamizador desta iniciativa “é preciso nascer algo que nos faça parar, olhar para Campanhã, pensar em formas de reabilitá-la, de potenciá-la, de vivê-la”, como refere em entrevista ao jornal Público.

Por outro lado, para Isabel Rute, da Associação APPC que tem vindo a apoiar o desenvolvimento da Plataforma, “criar espaços para catalisar processos e conectar ativamente pessoas, ajudar a aprofundar o conhecimento da comunidade e simultaneamente a reforçar o tecido associativo local, é tão necessário quanto  urgente aos processos democráticos na atualidade”. 

Oficina da Viração Educomunicação para jovens da iniciativa Campanh’Up

A Plataforma Campanh’Up atua nesta perspectiva de ir além do contexto digital, e  mobilizar um conjunto de meios para expressar ideias ou iniciar ações. Por isso, embora ainda não esteja disponível online, a Plataforma já tem vindo a criar espaços para expressão coletiva, discussão e ação entre diferentes grupos. Na prática, tem fortalecido a participação e o envolvimento da comunidade de Campanhã em processos de regeneração inclusiva pela comunicação comunitária e cultural.

Durante os meses de fevereiro e março os jovens participantes das formações irão experimentar na prática os conteúdos apreendidos durante as oficinas de formação e realizarão entrevistas, fotorreportagens e vídeos na comunidade onde o projeto URBiNAT está em implementação. Os produtos estarão disponíveis em  breve nas diversas Plataformas e redes sociais do projeto.

A contribuição para este processo vem da organização Viração Educomunicação, que atua no Brasil e em Portugal há 18 anos. A organização é responsável pela promoção deste ciclo de formação e mentoria em comunicação comunitária para os jovens e profissionais do Living Lab do Porto, com o intuito de potencializar a Plataforma Campanh’up.

A experiência da Viração na criação da Agência Jovem de Notícias tem contribuído para este objetivo.  A Agência foi criada há 15 anos, durante o Fórum Social Mundial de Porto Alegre, e hoje possui núcleos em diversos países e sites em português, inglês, espanhol e italiano. Facilitam os encontros de formação os jornalistas e educomunicadores Paulo Lima, Monise Berno e Pedro Neves.

Leia este artigo em inglês aqui.

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