Café literário – Oralidade, juventude e resistência.

Educação antirracista por meio da Arte

Coletivo leva história e cultura afro-brasileira a escolas em São Paulo.
Por Mariana Assis, do Rio de Janeiro (RJ).

No ano passado, na esteira dos protestos que evocam que #VidasNegrasImportam, milhões de pessoas levantaram a voz contra o racismo, sistema responsável por matar um jovem negro a cada 23 minutos no Brasil. Mas engana-se quem acha que só a morte consumada seja uma violência racista. Já parou para pensar na gravidade que é não saber sobre seus antepassados? Conhecer as personalidades que tanto lutaram por igualdade racial e viabilizaram a nossa existência? Você conseguiria listar quantos autores negros leu na escola?

Crédito: Nappy.co/Alyssa Sieb

A lei 11.645/2008 tenta contornar essa deficiência com a inclusão no currículo oficial da educação básica a obrigatoriedade da temática história e cultura afro-brasileira e indígena. Importante para minorar os efeitos da desigualdade racial no Brasil, a aplicabilidade da lei, no entanto, ainda enfrenta percalços, seja pela falta de conhecimento da história negra ou até mesmo de professores aptos a ensinar sobre o assunto.

Foi a partir desse lugar de incômodo que nasceu o coletivo Malungo, criado em 2013 por três educadores negros da periferia de São Paulo. Lili Souza (38), Kleber Luiz (39) e Avelino Regicida (35) estavam reunidos batendo papo sobre temas sociais quando tiveram a ideia de desenvolver materiais educativos que abordassem os temas previstos pela lei. Foi o pontapé para a estruturação de oficinas formativas em escolas e institutos para debater como o racismo estrutura a sociedade. 

Nenhuma descrição de foto disponível.
Reprodução: Facebook/Coletivo Malungo

As oficinas não tem formato fixo, pois a proposta do Malungo é adequá-las de acordo com o público. Assim, tanto um documentário pode ser o responsável por puxar uma discussão, como uma letra de música, por exemplo. “Como nossas formações são para jovens e adultos, usamos uma variedade de linguagens artísticas que permitem entrar nos temas que o coletivo trabalha”, comenta Lili Souza. 

“A escrita também é uma forma que encontramos de refletir sobre os temas abordados pelo coletivo. Já publicamos zines e duas edições do Caderno Ilustrado Africanidades Brasileiras, que é um dos materiais educativos”

Lili Souza, do coletivo Malungo.

Os idealizadores do projeto destacam que os debates sempre pautam os efeitos do racismo institucional, a truculência policial, o genocídio da população preta, pobre e periférica. O objetivo é, por meio de conversas informais, suscitar a tomada de consciência dos efeitos que o racismo oferece à sociedade, entendendo que parte de um projeto histórico de extermínio e subalternizaçao dos negros. “Queremos uma escola que assuma a pauta e luta pelo fim do racismo”, eles pedem.

Solta o play!

Assista ao documentário “Malungo – Não deixe sua cor passar em branco“, produzido pelo coletivo.

Sinopse: Por meio de entrevistas, videoclipes e outros inserts, o vídeo propõe uma reflexão sobre o atual contexto da luta antirracista e pelo reconhecimento e valorização da cultura negra na sociedade brasileira, abordando temáticas como a produção artística, políticas públicas, educação, violência policial e movimentos sociais. O documentário é fruto das produções realizadas pelo Coletivo Malungo no ano de 2013 em parceria com músic@s e artistas envolvid@s com a cultura negra e a luta antirracista.

Este texto foi um dos conteúdos produzidos e publicados na edição 117 da Revista Viração. Trata-se de um manifesto antirracista construído a muitas mãos – de adolescentes e jovens do Brasil inteiro.

Para acessar o material na íntegra, clique aqui.



Ver +

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *