Ecossocialismo: uma alternativa radical para o capitalismo

Reflexões sobre a leitura do texto “Crise ecológica, crise capitalista, crise de civilização: a alternativa ecossocialista”, de Michael Lowy, no Grupo de Estudo do Perifa Sustentável

Por Amanda da Cruz Costa

Imagem: Reprodução: npr.org / Pinterest

Fala minha lindeza climática, belê?

Esse mês começamos as leituras de textos do grupo de estudo do Instituto Perifa Sustentável, com o objetivo de fomentar um senso crítico frente aos modelos socioeconômicos e culturais, estimular o desenvolvimento teórico dos articuladores e estruturar a linha programática da organização.

Todo o rolê foi puxado pela Diretoria de Pesquisa do Perifa, junto com a Diretoria de Participação Social, sob a direção de Mari e Gabi.

Nossa leitura do texto e as discussões em grupo me deixaram impactadíssima! De posse desse sentimento, decidi escrever esse artigo para compartilhar minhas impressões e como todo o conteúdo reverberou em mim. Boooora juntinho? 🙂

O mundo está em crise, isso é fato.

Mas parece que às vezes as pessoas esquecem que a principal causa dessa crise é o atual modelo econômico, ou seja, o capitalismo.

Consumo exacerbado, recessão econômica, exploração dos recursos naturais, burnout, endividamentos, desemprego massivo, miséria, infelicidade, suicídio… Precisamos falar mais sobre as causas disso!

O American Way Of Life (estilo de vida americano) gerou um sistema baseado na mercantilização de tuuuuudo, onde a especulação desenfreada, o totalitarismo dos mercados financeiros e a globalização neoliberal foram criadas para servir o lucro capitalista apenas daqueles que ocupam o topo da pirâmide social.

Não podemos olhar para os seres humanos e para os recursos naturais como mercadorias necessárias à expansão dos negócios! A crise econômica e a crise ecológica resultam do mesmo fenômeno: um sistema que transforma tudo – a terra, a água, o ar que respiramos, nós mesmos – em mercadoria.

Nós estamos com o pé colado no acelerador e nos precipitamos no abismo.

Ban-Ki-Moon

Esse modo de vida é insustentável, está matando a biodiversidade e acabando com a nossa saúde mental! Está na hora de pensar num paradigma de civilização que contemple uma relação harmônica com a natureza, fomente o bem viver e abrace as lutas sociais e ambientais.

Nosso presente e nosso futuro estão ameaçados!

O processo de devastação da natureza, a deterioração do meio ambiente e a mudança climática gritam na nossa cara. É só analisar as consequências da crise ambiental, um cenário catastrófico criado pelo sistema capitalista: 

  • Crescimento exponencial da poluição do ar nas grandes cidades, da água potável e do meio ambiente em geral; 
  • Destruição da camada de ozônio; 
  • Destruição das florestas tropicais e rápida redução da biodiversidade pela extinção de milhares de espécies;
  • Esgotamento dos solos, desertificação, acumulação de resíduos nucleares; 
  • Poluição alimentar; manipulações genéticas; secas em escalas planetária; 
  • Escassez de grãos e, consequentemente, encarecimento dos alimentos.

Essa lógica produtivista e mercantil nos levará rumo a um desastre com proporções incalculáveis! É necessário transformar o padrão de consumo, mudar o estilo de vida e pensar em alternativas radicais para criar um novo tipo de poder.

O capitalismo nunca vai morrer de morte natural.

Walter Benjamin

Mas calma, respira e não pira! Nem tudo está perdido: existem alternativas. Uma possibilidade de caminho é o ecossocialismo.  Você já ouviu falar nesse termo?

Ecossocialismo: estratégia de convergência das lutas sociais e ambientais, das lutas de classe e das lutas ecológicas contra o inimigo comum que são as políticas neoliberais, o imperialismo americano e o capitalismo global.

O ecossocialismo também pode ser caracterizado como uma reflexão crítica, uma proposta estratégica de luta e até mesmo um paradigma de civilização alternativo. Ele resulta da convergência entre a reflexão ecológica e a reflexão socialista, fundamentado no pensamento marxista.

De acordo com Marx, o objetivo do socialismo “não é produzir uma quantidade infinita de bens, mas sim reduzir a jornada de trabalho, dar ao trabalhador tempo livre para participar da vida política, estudar, jogar, amar”. No primeiro volume do livro O CAPITAL, o autor explica como o capitalismo esgota não só as energias de trabalho, mas também as próprias forças da terra, acabando com as riquezas naturais e destruindo nosso planeta.

Todavia, para que o ecossocialismo seja viável, é necessário iniciar uma revolução no processo de produção das fontes energéticas.

Calma, meu pequeno gafanhoto, fica tranquilo que vou explicar tudinho.

O sistema produtivo capitalista funciona com base em fontes de energia não renováveis, ou seja, o carvão, petróleo e gás natural. Esse triozinho é o maior responsável pela intensificação do efeito estufa, que potencializa o aquecimento global e consequentemente, fomenta a crise climática que estamos inseridos.

É agora que entra o X da questão: 

O processo de substituição para o socialismo só será possível quando houver um processo de evolução sistêmico de produção e consumo e a substituição dos combustíveis fósseis pelas energias renováveis, principalmente a eólica e solar.

Precisamos de uma transição energética JUSTA, ou seja, uma transição que pense na população do território durante o seu planejamento. Isso é essencial para que a produção não impacte de forma desigual públicos racializados e vulnerabilizados.

Além da luta ecológica e de classes, precisamos racializar o debate, mas isso é papo para um outro dia.

Tudo isso é um suuuuuper desafio, eu tô ligada.

Mas a verdadeira revolução começa pelo conhecimento. Reflita, converse com os amigos sobre isso e deixe essas informações decantarem em seu coração. Quando mergulhamos em conhecimento, nos libertamos das amarras da ignorância. Se tiver muito aflito e quiser bater um papo, me chama lá no insta <3

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2 Comentários

  • […] primeiro tema de debate foi Ecossocialismo, refletindo sobre um artigo do Michel Lowy. No segundo encontro falamos sobre justiça climática, […]

  • Quando a Alemanha foi Reunificada a abertura de Postos de Trabalho foi justamente através da redução da carga horária de quem estava trabalhando, assim combateu o stress, possibitou o lazer e o dobro de pessoas teve salário! Na China a semana é de 4 dias, para que sendo estendido o final de semana, viagens dentro da região em que a cidade está inserida, aconteça, lembra a jornada do nosso Congresso Nacional: segunda e sexta os parlamentares “sobrevoam” Brasília (chegando/saindo dela, respectivamente), para sábados e domingos, estarem em suas “bases”! Agora, não sei até quando esse Sistema de Consignados X Desemprego ou Congelamento de Salários: “sobreviverá”! Até Celular está tendo “status” de “bem”, podendo ser dado como garantia de pagamento (equivalente a hipoteca)!!!

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