“Do ego ao eco”: como a comida muda nosso mundo

Por Davide Leonardi e Tommaso Schirru/ Tradução: Fernanda Favaro

“Do ego ao eco”: esta é a chamada da oficina realizada por uma associação chamada Brighter Green. Esta organização, localizada em Nova York, trabalha com políticas e a equidade alimentar especialmente na Índia, no Brasil, na China e na Etiópia, e com a relação entre mudanças climáticas e agricultura animal. Atualmente, a criação intensiva é a primeira causa da perda de espécies e da biodiversidade. De fato, mais e mais terras estão sendo roubadas para criar novas fazendas: 30% do solo em nosso planeta são diretamente usados por animais e 70% das terras cultivadas produzem alimentos para animais (além de milho e soja). Como consequência, muitos países são submetidos ao desmatamento para obter cultivo – atualmente, na Terra, há uma relação de cerca de 10 animais para cada ser humano. A produção intensiva de produtos agrícolas e derivados de animais gera também uma grande quantidade de gases de efeito estufa, cerca de 14,5% das emissões totais. No entanto, o consumo de carne per capita está crescendo em todo o mundo.

Dois integrantes chineses da Brighter Green, Xinyi Lin e Zhu Qing, sublinharam a persistência deste problema em seu país: todos os anos, os chineses criam 11,9 bilhões de galinhas para obter carne e ovos. Como cada frango exige 500 ml de água por dia, o consumo anual de água atinge a quantidade de 2.340 piscinas de tamanho olímpico. As estatísticas dizem que, até 2050, 120 bilhões de animais serão criados e produzirão 20 Gt de CO2 (https://vimeo.com/240059765; https://vimeo.com/240060057).

A solução parece ser, então, parar de comer carne. Reduzir o consumo de carne poderia definitivamente reduzir as emissões de gases de efeito estufa, mas se eliminarmos todos os produtos de nossa dieta, o problema seria simplesmente transferido para outros tipos de alimentos. Enquanto os membros da associação não mencionaram a exploração de recursos não-animais, um pesquisador do público apontou algumas questões atuais, muitas vezes subestimadas ou não divulgadas.

O abacate, uma fruta exótica particularmente apreciada, é a “nova tendência” entre os veganos. Sua produção exige vastas plantações que causam a destruição de muitas árvores nas florestas mexicanas. Outro exemplo dado pelo pesquisador é o leite de amêndoa, considerado por muitas pessoas como alternativa ao leite de vaca. As amendoeiras precisam de uma grande quantidade de água para crescer, tornando cada vez mais grave o problema da seca na Califórnia.

Para alcançar resultados concretos, precisamos mudar nossa mentalidade radicalmente, ampliando nossos pontos de vista e levando em consideração as possíveis consequências de nossas ações. Finalmente, quando se trata de criação animal intensiva, temos que tomar decisões sensatas que refletem os efeitos da atividade em nosso planeta.

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