Direitos humanos na internet é tema de debate no #ArenaNetMundial

Da Redação

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A internet no contexto dos direitos humanos foi o tema de debate no Arena Net Mundial, na tarde desta quinta-feira. Os jornalistas Leonardo Sakamoto e Nana Queiroz; o rapper GOG; o cofundador do La Quadrature Du Net, Jérémie Zimmermann e Pablo Capilé, coordenador do Fora do Eixo, discutiram temas relacionados tanto ao direito humano de acesso e expressão por meio da rede, quanto às violações de direitos via web. A mediação ficou por conta do secretário municipal de Direitos Humanos de São Paulo, Rogério Sottili.

A nova dinâmica social cunhada pela internet tem apresentado, ao mesmo tempo, oportunidades e desafios.  Sakamoto lembra que as pessoas ainda estão descobrindo a internet e se acostumando com uma liberdade que até então não tinham.

– Nossa democracia é jovem. Por conta de um longo período de ditadura, a cultura política da rua esteve interditada por muito tempo. E a internet abriu a possibilidade de conhecer o outro e nos colocar em contato com realidades diferentes. E aí as pessoas reagem”, analisa.

Capilé trouxe um panorama sobre mobilizações sociais recentes que criaram “um ciclo muito forte de ressignificação e criação de novos direitos”, relacionados à fruição cultural, à participação política e à ocupação do espaço público. Para o ativista, o desafio agora é solidificar esses direitos e enfrentar a fragilidade a que estão expostos, constantemente ameaçados e criminalizados pelo poder público e por setores conservadores da sociedade.

– A gente precisa de um pacto entre sociedade e este governo, que se diz progressista, para solidificar as novas institucionalidades que estão surgindo no Brasil nos últimos anos, conclui.

Mobilização via rede

Nana Queiroz, criadora da campanha #Eunãomereçoserestuprada, falou sobre o poder de mobilização via internet e sua importância para romper com a invisibilidade de casos de mulheres vítimas de estupro.

A campanha, que alcançou milhares de adesões pelo País num curto espaço de tempo. A repercussão da ação fez com a presidenta Dilma recebesse Nana e um grupo de mulheres para discutir ações de enfrentamento à violência sexual.

A imprevisibilidade das ações que se iniciam na rede também foi pautada pela jornalista. Nana e outras adeptas da campanha foram ameaçadas e perseguidas por internautas. Além disso, muitas pessoas usaram a campanha para pregar pena de morte aos estupradores, o que contraria os princípios humanistas da campanha.

– Quando você solta uma ideia na rede não tem mais controle algum sobre o que isso vai se tonar.

A era digital e a era das digitais

Para Gog o tempo atual é marcado pela contradição dos avanços tecnológicos e o genocídio de jovens negros. A era digital, diz ele, é também a o período em que mais impressões digitais são colhidas de jovens assassinados nas periferias do País.

O rapper destacou a importância das novas tecnologias para que outros olhares e realidades ganhem visibilidade.

– As câmeras de celulares passaram a transmitir um filme da vida real que as câmeras oficiais, que contam com verba de governo, ignoram.

Vania Correia

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