Direitos e liberdade – adolescentes do Caje produzem programa de rádio

Medidas socioeducativas são pauta de matéria de rádio produzida por adolescentes do Centro de Atendimento Juvenil Especializado

 

“Liberdade é oportunidade para vivermos em sociedade” ─ esse foi o mote para a elaboração do programa de rádio gravado pelos adolescentes do Projeto Onda que cumprem medidas socioeducativas no Centro de Atendimento Juvenil Especializado (CAJE).  Todo o trabalho foi finalizado neste final de semana em parceria com a Agência Radioweb, que se disponibilizou a produzir o material sem nenhum custo. O programa está participando da 9ª Bienal Internacional de Rádio que ocorrerá no México em outubro desse ano.

A abordagem dos adolescentes ao conceber a matéria de rádio foi expressar seus respectivos pontos de vista quanto a medidas socioeducativas, ressocialização, representação da mídia sobre atos infracionais e ao CAJE enquanto centro de internação. “A sociedade tem um olhar ainda com certo preconceito. Eles pensam que nós somos tudo o que a mídia mostra. E não é assim.” afirmou Adriana*, uma das adolescentes privada de liberdade e integrante do programa. Além do relato dos meninos e meninas do CAJE, o programa contou com a presença de dois adolescentes do Projeto Onda que não cumprem medida socioeducativa e mais duas especialistas da área de Infância e Adolescência.

Para Suzana Varjão, especialista convidada da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) para compor o programa, o Brasil é um dos piores países no que se refere aos patamares qualitativos de veiculação dos atos infracionais cometidos por adolescentes. “A maioria das infrações cometidas por adolescentes no Brasil, sabe-se que é contra o patrimônio. De acordo com pesquisas recentes, elas contabilizam 62,8%. Para ser ter ideia, 79,5% dos textos jornalísticos que se referem a adolescentes em conflito com a lei, relacionam-nos à violência física contra a pessoa.”

Durante a gravação, também se debateu a desigualdade de gênero na execução das medidas socioeducativas realizadas no CAJE. Segundo as meninas, as medidas privilegiam mais os meninos do que as meninas. As atividades de profissionalização no CAJE são direcionadas exclusivamente aos meninos.  Para Márcia Acioli, assessora política do Inesc, não é apenas internamente no CAJE que se encontram as contradições das políticas socioeducativas. “No Distrito Federal também sentimos a ausência de uma medida socioeducativa de semi-liberdade para as meninas. Por falta de equipamento público para atendê-las, as meninas são condenadas diretamente à internação, quando poderiam ter uma medida anterior, que é a de semi-liberdade.”

O programa será disponibilizado no sistema da Radioweb para que as suas conveniadas possam aproveitar o conteúdo e veiculá-lo em todo o Brasil.

Baixe o programa “Liberdade é oportunidadeaqui.

 

Texto publicado originalmente no site do Inesc

 

Rafael

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