Dinheiro é um pedaço de papel – Relato de quem aderiu ao “dia de não comprar nada”

Sexta-feira, 29 de novembro, foi dia de Black Friday: data em que lojas físicas e virtuais lançam megas promoções para limparem os seus estoques e reporem com os produtos para Natal e Ano Novo. Apesar de parecer uma super oportunidade de adquirir tão sonhados produtos a preços mais acessíveis, o Black Friday também é um estímulo ao consumo desenfreado e incentivo para que as pessoas comprem o que elas não precisam.

Preocupados com isso, ativistas e movimentos da área ambiental e pelo consumo consciente e sustentável criaram o “Buy Nothing Day” (Dia de não comprar nada) comemorado também no Black Friday e um dia depois, para mostrar que as melhores coisas da vida não estão em produtos e mega promoções, mas nas coisas simples, como compartilhar momentos com pessoas que são importantes para nós.

Alguns jovens da rede Virajovem toparam o desafio do Dia de Não Comprar Nada e vão contar pra gente, ao longo dessa semana, como foi essa experiência.

O primeiro relato é da jovem Bruna Souza, do Rio de Janeiro/RJ. Confiram como foi o desafio dela nesse último sábado, 30 de novembro:

Dinheiro é um pedaço de papel

“Quando eu aceitei o que, de início, nem parecia desafio, não tinha ideia de que realmente seria um. E logo uma música do Arnaldo Antunes me veio à cabeça: ‘Dinheiro’, do qual tirei o trecho que intitula esse texto. Mas sabe como é, a lei de Murphy me fisgou ontem e fez tudo parecer mais complicado. Vou explicar: o micro-ondas de casa parou de funcionar, então pensei: ‘vou sair mais cedo e comprar um lanche’. Foi quando me deu o primeiro estalo: ‘Por que comprar um lanche se eu posso comer alguma coisa em casa, feita por mim?’. E depois de almoçar, fiz um kit de sobrevivência para sair: sanduíche, maçã e uma garrafa d’água. Seria suficientemente perfeito para um show – do Lenine! – de graça, melhor forma de brindar o dia.

Ao sair de casa, percebi que estava chuviscando e abri o guarda-chuva. Ele estava arrebentado. E eu poderia comprar um novo no camelô da esquina? Não, então voltei pra casa correndo para tentar ajeitar em menos tempo possível o que eu tinha. Aí ficou todo remendado. Então dica minha: se organizar melhor, o tempo é relativo! O show era na Barra, então depois de encontrar minha amiga, fomos de ônibus até lá. Infelizmente não pudemos entrar, as senhas já tinham acabado. Mais uma dica para curtir eventos de graça é chegar cedo.

Mas sem desânimo, porque um dos eventos mais bacanas de fim de ano no Rio é curtir a árvore de Natal da Lagoa. E foi lindo, pegamos a inauguração. Assim que nos localizamos melhor, a árvore se acendeu. E os fogos de artifício começaram a aparecer no céu. E quem disse que a gente precisa comprar coisas o tempo todo? E mais fogos, e famílias tirando fotos, casais se beijando. Conversava com minha amiga. E tudo que parecia estar dando errado foi só acerto!

Concluindo, eu percebi o quanto eu gasto dinheiro diariamente com coisas extremamente desnecessárias, seja por falta de planejamento (garrafa d’água na bolsa no verão é vida, fica a dica!) ou por impulso, como comprar um chocolate ao passar por uma banca… De qualquer forma, essa pequena experiência me serviu como um momento de autocrítica e reflexão. Que passemos mais dias sem essa necessidade desenfreada de gastar e consumir, afinal, dinheiro é só um pedaço de papel mesmo!”

Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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