Dificuldades enfrentadas pelas juventudes no engajamento cidadão

Dificuldades Enfrentadas na mobilização juvenil, falaremos sobre o que vemos como dificuldades enfrentadas pelos  jovens, dentro do nosso contexto que dificultam o engajamento cidadão e como estas afetam ao coletivo e as construções

Por Wanderson Martins

Neste texto, discorreremos sobre várias dificuldades que enfrento como jovem, e que afetam outros jovens, o que dificulta ou exclui a participação ativa da juventude enquanto protagonistas nas tomadas de decisões relacionadas às políticas públicas e construções sociais na nossa comunidade.

O principal objetivo é trazer, a partir das nossas experiências, pontos levados em consideração para a construção de estratégias utilizadas a fim de fomentar o engajamento cidadão da juventude no município de Conselheiro Lafaiete/MG pelo Coletivo Lafamob, estratégias estas que irei tratar no próximo texto.

 As dificuldades enfrentadas em nossa jornada, com e como juventude organizada, são várias. Começam na própria estrutura perversa de estereótipos e dubiedades nas contraditórias representações sociais sobre a juventude na qual nos sistematizamos, e se estendem e ramificam culturalmente em todos os nossos irmãos, o que nos distancia muitas vezes da própria comunidade a que pertencemos.

Em síntese, os mesmos estereótipos que constroem um imaginário social de valorização da juventude, como ser empreendedor, espontâneo, ser viril, temos paradoxalmente aqueles contraditórios que a impedem de uma participação social plena, como a pré-leitura de jovens sempre impulsivos e rebeldes.

 Todos os seres humanos têm suas individualidades, que devem ser consideradas e respeitadas de acordo com o art. 5º da constituição federal: [Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade…], o que nos permite ser diversos, e é essa diversidade que torna o mundo mais interessante a meu ver.

Nós jovens somos sujeitos de direitos legalmente constituídos e temos várias demandas a serem atendidas. Portanto defendo que os métodos autoritários de ensino, adotados pelas instituições educacionais tradicionais tenham contribuído para a grande opressão a que nós jovens somos submetidos, justificada, muitas vezes, pelos adultos por nossa “imaturidade”.

 Como sugerem alguns estudos sobre desenvolvimento humano pela abordagem bioecológica, os seres humanos são moldados por aculturação, e essa postura adotada de ignorar e ou negar a opinião juvenil acaba atrofiando as capacidades de tomada de decisões, de lidar com os problemas da vida por si, e vários outros efeitos nocivos para sua construção como ser humano saudável, tornando-nos dependentes.

Tal comportamento dificulta, ainda, os processos de socialização, mesmo entre os que se propõem a conhecer e participar de organizações como o nosso coletivo, pois muitos estão extremamente tímidos e não se sentem confortáveis em falar em público por exemplo. Conservando, nesse contexto, uma hierarquia em que os adultos detêm superioridade sobre as relações sociais e nossas vidas.

Estes problemas se correlacionam em cadeia e, intensificando nossas inseguranças, ficamos mais vulneráveis à influência de padrões estéticos.

Na busca por sanar diversos sentimentos meio ao voraz capitalismo e à desinformação, muitos de nós viramos consumistas, anoréxicos etc. A opressão é ruim em todos os sentidos, para a juventude, então, que é em teoria o futuro da nação, acaba se tornando um desastre completo, pois acaba se transformando em mais uma geração de adultos problemáticos que darão continuidade a este ciclo de opressão.

 A falta de espaços para que os jovens possam expressar suas opiniões, não só no nosso município, mas em todo o Brasil, contribui no desengajamento social de grande parte das juventudes. Portanto as redes sociais acabam cumprindo esse papel, sendo um espaço onde vários jovens depositam suas críticas e demandas da sociedade.

Porém, como não é um canal de comunicação estruturado para isso, e sim para a propagação do capitalismo, a maior parte do conteúdo é inútil para o engajamento cidadão, sendo que o nível de interação limitado serve majoritariamente ao marketing ou entretenimento.

O que não significa que não devamos trabalhar construções narrativas e buscar disputar estes espaços sociais, mesmo que virtuais, para cooptar jovens engajados e engajar os que não estão, mas trataremos sobre isso mais adiante.

As condições e opções de emprego na região de Conselheiro Lafaiete também são fatores problemáticos, pois se limitam a trabalhos técnicos, como em mineradoras, ou mecanizados (como dobrar roupas em comércios), que são as principais atividades profissionais disponíveis em nosso município. Essas atividades não exploram ou fomentam capacidades intelectuais que provoquem impactos sociais, e sim limitam os jovens a engrenagens de um sistema relapso.

A necessidade de dividir o dia entre a carga horária desses empregos com o colégio/faculdade, provoca o afastamento do pensamento crítico e impedem que a comunidade jovem aja em prol das mudanças necessárias para a melhoria de sua própria qualidade de vida.

Todos esses pontos unidos à má qualidade do ensino público regular, à má estruturação ou total falta de políticas públicas para a juventude, à atuação dos mecanismos de repressão do estado, à falta de eventos culturais e gratuitos, que seriam atribuição da gestão pública ou estado, somado à falta de incentivos aos grupos da sociedade civil que se arriscam a produzir, impactam diretamente nossas construções e afetam diretamente os jovens indivíduos.

Free-Photos from Pixabay 

Enfim, o desafio de ser jovem é encontrar formas para lidar com  todo estes processos externos, isso enquanto se descobre e passa pelos vários processos pessoais internos a que todos estão condicionados durante a vida. Complicado, porém temos força de vontade, e traçamos algumas estratégias para lidar com tudo isto em nossa cidade. As traremos no próximo artigo.

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1 Comentário

  • Incrível! Adorei as reflexões propostas!😁

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