Diário Antirracista, dia 19

O Samuel Emílio convidou a ativista Leticia Gabriella para ocupar o espaço do Diário Antirracista com uma discussão extremamente necessária: a população em situação de rua.

Por Redação AJN

A protagonista de hoje é a Leticia Gabriella. Técnica em Administração de Empresas, Graduanda em Direito, Militante da causa feminina e antirracista no movimento Educafro. Ela, assim como as outras convidadas e convidados do projeto, veio trazer discussões sobre as mazelas sociais que estão ligadas diretamente ao racismo. Dessa vez o papo vai ser sobre a condição da população em situação de rua.

A Leticia começa explicando o momento histórico do Brasil colonial e alguns fatos que se tornaram importantes para o aumento da população negra em situação de rua, como vemos hoje:

No período colonial, tempo de escravidão no Brasil, teve a Lei do Sexagenário, que foi aprovada em 1885. Essa lei tinha por objetivo dar liberdade para os escravos que tinham 60 anos ou mais, sendo que o tempo médio de idade daquelas pessoas era de aproximadamente 20 anos. Então, quem chegava aos 60 anos, de certa forma, já estava numa condição muito fragilizada e eram considerados na época, para o senhores de engenho, inúteis. É importante se ter em mente que quando se teve a aprovação dessa lei, não se teve nenhuma outra política pública para acolher essas pessoas. E aí, como elas já não tinham recursos, acabaram ficando entre as ruas. 

Depois de alguns anos, a ‘abolição’ da escravatura agravou ainda mais a situação da população negra, levada a viver ‘livremente’, sem condições dignas de manutenção da vida, nas ruas. Mais de 100 anos depois da falsa abolição, a situação é alarmante:

a população de rua é representada pelo número médio de 100 mil pessoas. Estamos falando de vidas. Dentro desse contexto, pegando de forma regional, aqui em São Paulo esse número está na média de 25 mil pessoas. Ao mesmo tempo, o perfil dessas pessoas têm que ser olhado. Segundo dados da Prefeitura de São Paulo, esse grupo é composto por 85% de homens, e 70% são pessoas negras.

Estes dados mostram o quanto o racismo está na estrutura da nossa sociedade, e contribui diretamente para o aumento de pessoas desempregadas, em dependência química e conflitos familiares:

Qual a reflexão que quero chegar com vocês colocando esses dados: o quanto o racismo perpassa por diversas violações e violências no corpo das pessoas negras, que fazem então com que as mazelas sociais sejam normalizadas e aí não seja analisada a situação das pessoas que estão nessas condições. (…) Por que a gente normaliza tanto a situação das pessoas que estão nas ruas?

Assista o vídeo completo:

Diário Antirracista, dia 19

Conheça as missões propostas para o dia 19

Missão: Escreva no seu Diário: Por que a gente normaliza tanto a situação das pessoas que estão nas ruas? Porque quando vemos pessoas negras, normalizamos ainda mais?

Missão Extra: Pesquise e fiscalize quais são e como são implementadas as legislações relacionadas a população de rua no seu município.

Provocações da Letícia sobre o que mais podemos fazer: 

1) contribuir com ações comunitárias 

2) cobrar do Governo políticas efetivas e permanentes 

3) fiscalizar as políticas que já existem

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