Diário Antirracista, dia 18

Hoje a conversa do Diário Antirracista é sobre colorismo. Um conceito que explica porque pessoas negras de pele mais escura sofrem mais discriminação que outras

Por Redação AJN

“Ah, no Brasil não tem racismo, somos miscigenados, tudo misturado, somos todos iguais”, “ele não é negro, é moreno’”. Ouvimos frases como essas facilmente no Brasil, e esse entendimento faz parte de uma discussão bastante complexa que faz referência ao colorismo.

O colorismo* ou a pigmentocracia é a discriminação pela cor da pele e é muito comum em países que sofreram a colonização europeia e em países pós-escravocratas. De uma maneira simplificada, o termo quer dizer que, quanto mais pigmentada uma pessoa, mais exclusão e discriminação essa pessoa irá sofrer.

A protagonista do vídeo de hoje é a Francielle Santos: Feminista negra, ativista e professora de matemática que ocupou o Diário Antirracista pra falar sobre o colorismo. Ela explica como esse entendimento está relacionado com o chamado ‘mito da democracia racial’ existente no Brasil e com um processo racista de ‘branqueamento’ da população:

Isso não surgiu do nada, isso está relacionado com fatos históricos que aconteceram aqui, no nosso país. Como, por exemplo, uma política de branqueamento da população, a construção de uma ideia de que no Brasil a gent ser um país de pessoas miscigenadas, que não existiria nenhum tipo de racismo. O que a gente sabe que não é verdade, por isso que a gente costuma dizer que é o mito da democracia racial, e também por um longo período de negação da identidade negra.

Para entender melhor o contexto, buscamos um conceito para a tal ‘democracia racial’:

Democracia racial, democracia étnica ou ainda democracia social são termos usados para descrever um sistema de relações raciais no Brasil. O termo denota a crença de que o Brasil escapou do racismo e da discriminação racial vista em outros países, como os Estados Unidos. Pesquisadores notam que a maioria dos brasileiros não se veem como racistas, e alegadamente não prejudicam ou promovem pessoas baseadas na raça. Graças a isso, enquanto a mobilidade social dos brasileiros pode ser reduzida por vários fatores, como sexo e classe social, a discriminação racial seria considerada irrelevante. A democracia racial, no entanto, é desmitificada por sociólogos e antropólogos que estudam o preconceito e por vários indicadores sociais e econômicos que revelam desigualdades ligadas à etnia. O preconceito está arraigado na sociedade em larga escala. Portanto, a verdadeira democracia racial é uma meta que ainda está longe de ser atingida e por enquanto é um mito que tenta criar uma imagem positiva da sociedade, que não coincide com os fatos documentados.

A Franciele explica as origens desse pensamento:

Existe um documento antigo de um escravocrata chamado Lynch onde ele conta pra outros fazendeiros escravocratas o que eles deveriam fazer para dominar os dominar os escravizados. E aí, a ideia dele era basicamente provocar desunião entre as pessoas negras, fazendo diferentes tratamentos para essas pessoas de acordo com idade, gênero e cor da pele. E é por isso que surgiu essa hierarquização onde as pessoas negras de pele mais clara tinham algumas vantagens, uma vez que elas se aproximavam um pouquinho ali do que era considerado o padrão branco.

Colorismo não é uma métrica de importância social determinada pelo tom da pele. Todo o processo que vemos quando conversamos sobre colorismo faz parte de um mecanismo que foi e continua sendo muito cruel, pois apesar do que pode parecer, ter a pele mais clara não livra pessoas negras do racismo:

esse mecanismo foi e continua sendo muito cruel. Primeiro porque ele nega os direitos em algumas situações e invisibiliza as pessoas negras de pele mais escura, e além disso por mais que as pessoas negras de pele clara tenham vantagens que de alguma forma fazem com que elas tenham maiores oportunidades de acesso ou maior visibilidade, ainda assim, isso acontece através da negação da identidade negra. (…) Mas essas pessoas ainda estão sujeitas ao racismo. Elas não deixam de sofrer racismo. 

Assista o vídeo completo:

Diário Antirracista, dia 18

Conheça as missões propostas para o dia 18

Missão 1: ler o documento citado no vídeo: A carta de Willie Lynch

Missão 2: ler os artigos citados no vídeo: Negros de pele clara, por Sueli Carneiro

Precisamos falar sobre colorismo

Missão 3: Anote no seu Diário o que você entendeu sobre Colorismo.

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