Diário Antirracista, dia 15

A Thais Ferreira volta a ocupar o canal do Diário antirracista para falar sobre uma questão extremamente grave para a área da saúde e também para o feminismo: o racismo obstétrico

Por Redação AJN

A Thais Ferreira, ativista preta, mãe e líder comunitária há 14 anos, especialista em saúde da mulher e primeira infância e Co-idealizadora do movimento Segura a Curva das Mães, volta ao canal do Samuel Emílio para o 15º dia da jornada antirracista. A discussão de hoje é sobre racismo obstétrico.

Ela começa lembrando que o racismo obstétrico é um tipo de violência de gênero que pode ocorrer com gestantes antes, durante e depois do parto. As estatísticas são assustadoras: de acordo com o Ministério da Saúde, uma em cada quatro mulheres sofrem algum tipo de violência obstétrica no Brasil; 65,9% das mulheres que relatam violência obstétrica no Brasil são negras.

Dados também do Ministério da Saúde apontam que apenas 27% das mulheres negras gestantes obtiveram acompanhamento durante a gestação. A chance da mulher negra não receber anestesia durante o trabalho de parto é 50% maior. E como resultado dessa desigualdade no tratamento de saúde durante a gestação, 62,8% das mortes maternas são de mulheres negras.

Esse cenário reflete o racismo estrutural institucionalizado no Sistema de Saúde Pública e todas essas situações podem ser evitáveis. A Thais ressalta que os diversos estereótipos projetados nas mulheres negras, assim como a adoção de práticas inadequadas como a raspagem de pelos, o corte no períneo e manobras desnecessárias contribuem para a manutenção da violência do racismo obstétrico:

(…) por exemplo, o [estereótipo] da mulher negra forte, que é o mito de que podemos suportar a dor e qualquer tipo de sofrimento. (…) tudo sem consentimento, ainda sob a mentalidade de que a mulher negra é menos humana, e portanto, não é digna de escolha sobre seu próprio corpo. Somada às injúrias raciais, como a comparação a animais, o uso de adjetivos pejorativos como ‘parideira’ entre tantos outros

Diário Antirracista, dia 15

De olho nas missões do dia 15

Missão 1: Leia esse sumário executivo de apenas 8 páginas sobre maternidade no Brasil

Missão Extra: Se você não é mãe, pode ser pai e certamente é filha ou filho de alguém. Se pergunte ou pergunte a sua mãe como foi a experiência dela com a maternidade. Tente imaginar como poderia ter sido se a mãe em questão fosse uma pessoa negra. Escreva sobre isso no seu Diário.

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