Dia de discussões na COP22 com eleição de Trump

|Por: Bruno Castro, Evelyn Araripe e José Jara

Na última noite, logo após o segundo dia da COP-22, enquanto ainda dormíamos, os Estados Unidos da América elegia seu novo presidente. Assim que acordamos, nos pusemos logo a buscar notícias sobre as eleições dos EUA. Foi então, no café da manhã, que recebemos a estonteante notícia: Donald Trump, candidato do Partido Republicano, foi, surpreendentemente, eleito o 45º presidente dos EUA. Ele, que precisava do mínimo de 270 votos eleitorais de 538, venceu com 278 votos.

A notícia, que foi divulgada pelos jornais de todo o mundo, sacudiu os mercados e a ordem geopolítica mundial. Por sinal, aqui na COP-22, esse se tornou o assunto do dia, uma vez que os resultados afetariam diretamente as discussões e negociações sobre as mudanças climáticas, já que Trump durante sua campanha havia afirmado que não implementaria o Acordo de Paris – no qual os EUA ainda é signatário.

Chegando na Conferência, fomos direto ao pavilhão dos EUA, em busca de novidades e informações sobre as eleições. Para nossa surpresa, o escritório de imprensa oficial nos informou que não haveria nenhuma conferência oficial sobre o tema. No entanto, felizmente, a U.S. Climate Action Network promoveu um encontro sobre as eleições e suas implicações para as negociações sobre o clima.

Obviamente, a primeira questão que todos tinham era sobre os impactos da eleição de Trump para o Acordo de Paris. Marina Passiano, da WWF, foi direta ao responder. “Como uma comunidade global, nós podemos e devemos resolver esta crise climática. Os resultados da eleição irão impactar o tom das negociações, mas a tarefa continua a mesma: precisamos de visão a longo prazo, apesar das eleições dos EUA”.

Alden Meyer, da Union of Concerned Scientists – UCS, manteve o tom: “Donald Trump está prestes a ser uma das pessoas mais poderosas do mundo, mas mesmo ele não pode mudar as leis da física, ele tem que reconhecer a realidade das mudanças climáticas e agora tem uma responsabilidade diferente como presidente, de proteger a saúde e o bem estar das pessoas”.

Logo em seguida, um outro grupo de ONG´s organizou uma conferência de imprensa para, novamente, manter um tom positivo apesar dos resultados eleitorais. Celia Gautier, do Climate Action Network na França, afirmou que: “A mudança climática é a maior questão geopolítica desses tempos. Trump não pode negar as mudanças climáticas e seus impactos, não pode negar o que já foi acordado. A perspectiva política nos EUA pode mudar mas a realidade das mudanças climáticas não”. David Waskow, do World Resources Institute – WRI,  também sublinhou que “os negociadores dos EUA na COP-22  ainda estão trabalhando para o presidente Obama”. Também reiterou que o desafio em Marraquexe é o de “assegurar que o acordo seja transparente – e isso vale para todas nações”.

Outra preocupação é: Como esse resultado muda a perspectiva para as solicitações do países em desenvolvimento, como financiamento para adaptação, e generosas contribuições para o Fundo Climático Verde (GCF). Alden Meyer comentou sobre a questão: “O desafio do clima é de importância geopolítica, portanto inclui adaptação e mitigação. Isso tem sido sempre um teste de liderança para todos. Se nós iremos resolver isso juntos, os EUA precisam estar engajados, como fazem todos os cidadão do mundo. Nós esperamos que o presidente dos EUA reconheça isso”.

Como resultado da decisão eleitoral, muitos protestos pulularam ao redor do globo. Aqui na COP, a SustainUS, uma ONG de jovens estudantes de universidades estadunidenses, promoveu uma ação chamada “Make America Earth Again” (Faça a América da Terra outra vez – em referência ao slogan de Trump “faça a América ótima outra vez”), em frente à bandeira dos EUA. Para muitos delegados da COP-22, hoje foi um dia de luto mas amanhã é um dia para arregaçar as mangas e partir pra ação – como sempre!

Agência Jovem de Notícias

Ver +

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *