Decompor para transformar: aprenda a fazer uma composteira doméstica

Composteiras domésticas proporcionam exercício de educação ambiental que reduz a geração de lixo e faz o ser humano experimentar o“mundo orgânico” sob uma percepção diferente do que vive no dia a dia.

Motivação para sair da zona de conforto, autocrítica aguçada, revisão de valores e combate ao desperdício. Estes são alguns efeitos bastante pessoais, recolhidos da experiência de se construir uma composteira dentro de casa.

O princípio parte da decomposição de cascas de frutas e de legumes, talos e folhas secas, entre outros resíduos, e sua transformação em adubo orgânico.

O adubo, utilizado em vasos e canteiros, melhora a saúde das plantas. Esse resultado estará refletido no comportamento de quem montou a composteira.

É uma escolha repleta de sentidos: pele e olfato interagem com o corpo e o cheiro da minhoca, agente produtora do húmus; o cuidado do lixo como matéria viva (!) impregna de sensações a nossa percepção muitas vezes insípida do meio urbano.

O “cuidador” da composteira, quando se dá conta, já está deixando de descartar alimentos em sacolinhas plásticas, passa a separar os resíduos e triar aqueles que podem ir para a composteira, elabora perguntas em que nunca tinha pensado, sobre cultura orgânica, dedica-se a manter o bom estado da composteira para que não atraia insetos e ratos.

E, além disso, passa menos tempo na frente da TV e do computador, consegue gerir o tempo para combater o sedentarismo e cuidar do meio ambiente doméstico.

No modelo de composteira aqui sugerido, os procedimentos são simples e o custo para construir é baixo. Veja a seguir o passo a passo de como adotar esta boa prática ambiental:

– Prepare três caixas iguais (cada uma nas medidas de 42 cm de comprimento por 34 cm de largura e 14,5 cm de altura) que ficarão sobrepostas durante cerca de dois meses, de acordo com a seguinte sequência: na caixa superior serão colocadas as minhocas e a matéria orgânica que vai sendo colocada aos poucos. A minhoca “californiana” é a mais usada porque é considerada uma “especialista em restos orgânicos”.

– As sobras de comida como cascas de legumes e pedaços de frutas são despejadas nesta caixa. Mas nem tudo pode ser colocado para as minhocas comerem! Os principais alimentos que não podem ir são: carnes, queijo, leite – que podem apodrecer – e também comidas muito salgadas ou muito ácidas.

– Ainda nesta caixa do “andar de cima” acrescente serragem ou palha e folhas secas, cobrindo tudo. Isto ajuda a equilibrar a umidade.

– Assim que esta caixa fique cheia, passe-a para a parte do meio, invertendo posição com a segunda caixa (vazia), e durante 2 meses as minhocas vão fazer o trabalho de digestão da matéria orgânica, transformando-a em adubo. Após este período, a caixa que está no meio deve ir para cima novamente, e ali o processo recomeça com os novos restos de comida que serão jogados.

– Durante a decomposição dos restos orgânicos, um líquido cheio de nutrientes escorre para a terceira caixa (a última, que está em baixo). Esse é considerado um “bom chorume”, devido ao tipo de material que foi colocado anteriormente, por isso é importante não colocar papel com tinta, nem alimentos ácidos ou que apodrecem. O liquido que fica na caixa é um adubo natural que pode ser usado para pulverizar as plantas.

– Os alimentos que estão na caixa do meio vão sendo absorvidos e a maioria das minhocas sobe para a caixa de cima, onde estão os alimentos novos. Quando isto acontece é porque o adubo está pronto para ser utilizado em vasos e jardins. E então o processo começa novamente, passa-se a caixa de cima para o meio, e após a retirada do adubo, a caixa do meio vai para o topo para receber os novos alimentos.

A coluna periódica sobre meio ambiente e sustentabilidade é uma parceria da Agência Jovem com a Associação Reciclázaro | Imagem:  http://www.maiscommenos.net

 

 

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