Da escola para a rádio

Cláudia Maria Pereira Ferraz tem 27 anos e já traz uma grande bagagem de participação juvenil. Aos 15 anos Cláudia começou a participar de grupos da Pastoral da Juventude e aos 17 ela já estava na rádio de sua cidade, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, com o programa “Jovem na Comunicação”. Cláudia conseguiu levar o seu trabalho na rádio para quatro escolas do município. A partir daí, ela conseguiu formar uma equipe totalmente jovem que se mobiliza para levar informação à população de São Gabriel. Além disso, Cláudia e sua equipe promovem encontros na Pastoral da Juventude e em grêmios juvenis para divulgar conferências e outros assuntos que abordem a participação dos jovens nas políticas públicas. Confira o bate papo que essa  jovem engajada concedeu à Agência Jovem de Notícias e se gostar, saiba que tem muito mais sobre o assunto da entrevista na próxima edição da Revista Viração. Não Perca

Por: Liliane Freitas 

 

AJN: Com quantos anos você se envolveu em grupos juvenis ou movimentos sociais?

Cláudia: Bom, comecei á participar bem nova, aos 15, em grupos de jovens da Pastoral da Juventude, pois sempre gostei de participar de grupos de jovens, para fazer algo, não só para se encontrar conversar, mas para fazer algo na sociedade em relação ao jovem e ao adolescente.

 

Qual temática te move?

Comunicação eu diria, pois logo que eu terminei meu ensino médio comecei a trabalhar em uma rádio do município e o mundo da rádio me encantou muito, por ser tudo muito novo. Na época eu tinha um estilo bem diferente de fazer programa de rádio, foi aí que resolvi desenvolver um projeto chamado “Jovem na Comunicação” envolvendo quatro escolas de Ensino Médio existentes no município. Fui às escolas divulgar o projeto e daí foi surgindo a equipe.

 

Quais as principais ações do seu grupo?

A missão do nosso programa de rádio é levar informações para a população local e para as comunidades que ficam próximas a sede da rádio. Informações sobre as escolas, da comunidade, falar especialmente sobre os jovens e os adolescentes, fazendo entrevistas, reportagens, participando de reuniões, encontros e outros tipos de eventos, estando sempre por dentro de tudo o que rola, pois devemos ficar atentos! E toda a informação obtida divulgamos no nosso programa.

 

Como seu grupo se mobiliza?

Fazendo encontros com o pessoal da Pastoral da Juventude, Grêmios Estudantis, Movimentos Juvenis, líderes de sala de aula, enfim… Bom,  agora o nosso grupo esta se mobilizando para a Conferência Municipal de Juventude, estamos fazendo a divulgação total da conferência municipal indo nas escolas, gravando chamadas para serem divulgadas nas outras rádios e conversando com o pessoal.

 

Como você vê a participação dos jovens brasileiros?

Eu vejo que os jovens têm muita força de vontade sim, em participar de mobilizações, só é preciso força, não ter medo e seguir em frente,  ser ousado e acreditar no que você realmente deseja. Se for alguma coisa boa com certeza irá acontecer, acho que tem que ter alguém na frente para que os outros se sintam chamados. Muitas vezes têm jovens e adolescentes que querem fazer algo, mas não sabem como começar ou por onde começar… E assim vai… E o mundo está aí cheio de obstáculos e temos que ter muita força!

 

Como você enxerga a diferença da juventude dos anos 60 e 70 para a juventude de hoje?

São épocas bem diferentes os anos 60 e 70, que foram marcados pela ditadura, repressão, censura, falta de democracia… E os jovens vendo tudo isso com certeza não se conformavam e iam à luta! Vendo os dias de hoje já temos outra visão, vários programas, projetos, oportunidades, um mundo que a mídia televisiva tenta mostrar que está tudo bem, mas que na verdade não está. Mas, temos vários jovens engajados em trabalhos sociais que acreditam em um mundo melhor, que não ficam na mesmice vendo as coisas acontecerem. Eles vão lá e fazem as coisas acontecerem.

 

Muitos dizem que os jovens estão desmotivados, que não vão às ruas, por exemplo. Como você vê isso?

Bom, eu não diria que eles estão desmotivados, ao contrário, estão motivados sim! É só dar uma oportunidade. Não é só por que eles não vão ás ruas, como os jovens da época passada, é que eles estão desmotivados. Acho que tem várias maneiras de lutar por uma causa sem ir às ruas. E temos vários jovens espalhados nesse imenso Brasil, que fazem trabalhos maravilhosos, trabalhos sociais com adolescentes e jovens e é claro com crianças também.

Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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