Cúpula dos Povos: jovens ocupam praças

Na tarde do dia 17 de junho, cerca de 150 jovens ocuparam uma das pistas do aterro do Flamengo, que se encontravam fechadas para lazer. Uma fogueira foi acesa no local, e o chão foi pintado com a seguinte frase “Marília vive!”. Segundo o grupo, o protesto era em memória de Marília, uma das vítimas do acidente com o ônibus da linha 484, que aconteceu no dia 12 deste mês, deixando 5 mortos e cerca de 30 feridos. O grupo clamava pela prisão do motorista, que assumiu ter perdido o controle enquanto dialogava com uma passageira.

Por volta das 18:00 da tarde um caminhão do corpo de bombeiros foi acionado, sendo seguido por um blindado da tropa de choque e uma viatura da Força Nacional de Segurança. Foi perceptível a surpresa e a preocupação do grupo com a presença intimidadora do blindado, mais conhecido como “Caveirão”. Enquanto o batalhão de choque se preparava, o cunhado de Marília que encabeçava a ocupação pediu para que o grupo recuasse e desistisse da mesma. Pois, segundo ele, não havia motivo para mais derramamento de sangue.

Membros do grupo se levantaram contra a retirada, fundamentando que a causa era bem maior que a morte de Marília. Os ideais justificavam o sangue. Aliás, era e é pouco claro os ideais do Ocupa Rio, que parece apoiar e lutar por qualquer causa que venha a calhar, ou que se oponha ao governo. Um dos integrantes do Ocupa inclusive levantou o caos como principal bandeira e objetivo comum.

Enquanto o grupo tentava se organizar num rápida assembleia, um policial militar interviu e iniciou as negociações. “Os olhos do mundo estão voltados para cá. Estamos num circuito presidencial. Prezem por suas vidas. Saiam! E me comprometo na resolução do caso Marília.”

Depois de muito impasse e do abandono da causa por alguns membros, o grupo decidiu seguir para a Cúpula dos Povos. Tendo como principal orientação uma caminhada vagarosa, durante a retirada do grupo pétalas de flores foram jogadas ao chão; o que contestava a seguinte frase que se encontrava em um cartaz do grupo: “Flores nas mãos, armas no chão.”

Ao se aproximarem da Cúpula dos Povos, localizada no MAM (Museu de Arte Moderna) o grupo entrou numa nova assembleia. A dúvida era: voltar para ao acampamento base, montado irregularmente aos arredores do monumento Marechal Deodoro ou prosseguir rumo à Cúpula, aproveitando a presença da mídia que acompanhava a operação da polícia que visava o fechamento da rádio da Cúpula. Numa votação o grupo decidiu seguir para a Cúpula, mesmo que dispersos. Ao chegarem lá, perderam a força, talvez pela falta de união e organização do grupo.

Entrevistamos o Capitão da tropa de Choque, que comandou a operação. Ao ser questionado quanto ao uso do blindado e de um armamento bélico pesado o capitão foi sucinto:

“A manifestação é livre. Me preocupo com o bem estar de vocês.” Ao ser questionado pela necessidade do uso do blindado, o capitão responsável pela operação foi claro: “O que acontece é que o blindado causa impacto. Ele foi usado apenas para o transporte dos soldados. Usaremos de nossa força sempre que se fizer necessário. Com blindado ou não estaremos presentes. Não houve nada. Pedimos para que se retirassem, para o bem de todo o grupo. O fluxo de carros seria liberado logo em seguido. Eles eram o real risco, não  a tropa de choque.”

Por Jackson Boa Ventura

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