Cumbre de los Pueblos: Super Fulanito descobre a agricultura orgânica e familiar

Super Fulanito, Paula Nishizima e Reynaldo de Azevedo*, da Agência Jovem de Notícias

O Super Fulanito, a mascote da Agência Jovem de Notícias, marcou presença hoje no primeiro dia da Cúpula dos Povos frente à Mudança Climática para conversar com produtores de alimentos sobre mudanças climáticas, agricultura familiar e produção orgânica. Hoje é o primeiro dia da “Cumbre de los Pueblos”, encontro que reúne ambientalistas, estudantes, indígenas, trabalhadores do campo, sindicalistas e representantes de movimento sociais de 8 a 11 de dezembro em Lima.

O encontro ocorre em paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP20), como uma alternativa para ampliar os debates sobre mudanças climáticas, para além das instâncias de governo. Pelo menos 8 mil pessoas e duzentas organizações sociais de diversos países estão sendo aguardadas para o evento, que terá como tema central “Mudemos o sistema, não o clima!”. Estão previstas pelo menos duzentas atividades e mesas de discussão, divididas em oito eixos temáticos, que não foram considerados prioritários pela COP20: crise da civilização, mudança social e modelos alternativos de vida social; aquecimento global e mudança climática; soberania e transição energética; agricultura e soberania alimentar; gestão sustentável do território e os ecossistemas; mulheres e sustentabilidade da vida; trabalho digno versus falsas soluções, como “economia verde” e “empregos verdes”.

O tema da agricultura familiar foi um dos que ganhou destaque hoje na Cumbre de los Pueblos. Por agricultura familiar se entende uma forma de preservar o cultivo de alimentos regionais e, ao mesmo tempo, proteger a biodiversidade agrícola com uso de produtos naturais. Essa prática é fomentada por conhecimentos muito específicos e adaptados para a agricultura local, tais como a capacidade de manejar a terra de forma cautelosa.  Além disso, também promove o desenvolvimento social, econômico e ambiental, impactando diretamente na economia local onde essa atividade é realizada.

“No Peru conseguimos preservar a produção de alimentos nativos como a quinoa e mais de 2.400 variedades de batata, a importância da produção familiar é básica tanto para o sustento das famílias quanto para as partes comerciais”, conta Carlos Humberto, participante da Associação de Produtores Ecológicos do Peru.

Parte da produção orgânica do país é realizada no âmbito familiar. Porém, estas não são as únicas a ficarem vulneráveis com as mudanças climáticas. “Por não existir estabilidade climática, isso atrapalha e devasta as produções alimentícias”, explica Yuritzin Flores, integrante do projeto CRESCE – Mulheres Rurais da América Latina e o Caribe Frente às Mudanças Climáticas.

Flores também afirma existir mais de 58 milhões de mulheres que trabalham no campo, sendo muitas de forma não remunerada. “Se não entrarmos num acordo para frear as mudanças climáticas, mulheres e homens que trabalham no campo terão de viver se adaptando em função delas”, lamenta.

Super Fulanito discovers organic and familiar agriculture at People’s Summit

 

Super Fulanito were present today on People’s Summit first day to talk to food producers about climate change, organic production and familiar agriculture. The latter can be taken as a way to preserve the regional food existence and, at the same time, to protect rural biodiversity.

This practice comprehends specific and adapted knowledge, such as the capacity of carefully manipulating earth. Besides, it also promotes social, economic and environmental development, which impacts directly in local economics.

“In Peru, we managed to preserve production of native food, like quinoa and other 2.400 species of potato. Familiar production is as important to families’ livelihood as to commercial purposes”, explains Carlos Humberto, participate of Ecologic Productors Association of Peru.

Part of the national organic production is made by families. However, they are not the only affected  by climate change. “If climate stability does not exist, a whole crop can be destroyed”, says Yuritzin Flores, member of CRESCE project – Rural Women of Latin America and Caribbean Before Climate Change.

Flores also claims that more than 58 million women work in rural areas, many of them without a payment. “If we do not get to a deal to stop climate changes, rural men and women will have to keep adapting according to them”, mourns.

*Integrates da  delegação brasileira na COP20

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