Cultura: Não pode ser de cima para baixo

Igor Franceschi e Maria Carolina

No último dia do Encontro Internacional Públicos da Cultura, 14, pela manhã, foram colocados assuntos direcionados as variáveis presentes nos grupos culturais, desde seus atores individualmente, até os responsáveis num âmbito maior, como o município, estado ou governo federal.  Estas variáveis podem ser múltiplas comuns ou incomuns, podendo adentrar desde características básicas da cultura como identificações visuais (vestimentas, objetos característicos) até atos comportamentais, causas e ideais e expressões íntimas.
Como palestrantes, pelo período das 10h às 11h30, estava Isaura Botelho (BRA), fazendo observações sobre a formação de públicos e seus desafios, e Pedro Guell (CHL),  falando sobre o instável cenário dos públicos culturais.

Guell citou alguns pontos problemáticos na investigação sobre cultura, enfatizando a ideia dos coletivos serem ativos e os indivíduos passivos. Além do pensamento, principalmente governamental, de que o campo cultural é autônomo, pautando a relação de subjetividade e direcionamento específico de campo para campo como um ponto a torná-los acessíveis a tudo e com poderio para tudo. Também foi mencionado que as práticas culturais necessitam, e se mantém, através da interação de atores e instituições com mapas mais amplos do que apenas o consumo cultural e sim da trajetória biográfica dos elementos presentes e a interação entre eles.

Já Isaura Botelho citou a democratização da cultura como ponto essencial, mas só atingirá seu real significado com a pluralidade e multiplicidade de iniciativas que contemplem as várias vertentes e públicos, e quando as políticas formuladas atenderem essa pluralidade cultural, sem preconceitos populistas ou elitistas. Pontuou que democratizar culturalmente não é estipular um padrão de democratização de cima para baixo, ou seja, com uma manifestação erudita e apenas nela a alternativa de luta e libertação do ser ou de seus grupos.

Foram citados nomes como Pierre Bourdieu, referente a transição por gostos e tipos, práticas e necessidades culturais; Karl Manheim com um texto de 1933, explica o fenômeno de contingência como mais intenso do que de essência. Isaura terminou a palestra, citando Fernando Sabino: “Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um”.

Vania Correia

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