Cultura Latina: da intolerância de Trump ao topo do sucesso

Por: Jefferson Rozeno / Foto: Reprodução YouTube

Há cerca de um ano atrás, Donald Trump vencia a corrida presidencial norte americana, protagonizando uma das campanhas mais polêmicas da última década. Envolvido com escândalos relacionadas a racismo, machismo, homofobia e xenofobia expressadas em promessas de campanha como a construção de um muro na fronteira com o México, deportação em massa de imigrantes ilegais e aumento do protecionismo comercial, Trump foi e ainda é a maior fonte de preocupação e tensão nas Américas e no mundo.
Com a vitória do republicano, houve o aumento de ataques xenófobos contra povos latinos praticados em solo americano, em apenas dez dias após a posse de Trump, foram registrados cerca de 900 casos. Recentemente, imagens de crianças mexicanas presas em “gaiolas” chamadas de “refúgios temporários” pelas autoridades norte-americanas, tomaram conhecimento público e chocaram entidades da sociedade civil ao redor do mundo.
Em meio a desvalorização da cultura latina durante a época presidencial, cerca de um ano depois vemos as coisas um pouco diferentes. Aliás, ouvimos. Estamos falando de música.
Hoje, a cultura latina domina o topo das paradas de sucesso no cenário musical americano. Quem não ouviu o hit Despacito nos últimos 4 meses? O videoclipe da canção de Luis Fonsí, em parceria com o rapper Daddy Yankee, é o mais reproduzido da história do YouTube e demorou apenas 203 dias para chegar ao topo.A rede de stream contabiliza hoje (23/11) a marca de 4.3 bilhões de visualizações.
“Quebrar o recorde de vídeo mais visto de todos os tempos do YouTube é totalmente incrível, não só para mim, mas para a música latina e para nossa cultura”, afirmou Luis Fonsi, em nota.
Além de Despacito, outro hit que está dominando a cena musical é Havana, da ex integrante do grupo Fifht Harmony, Camilla Cabelo. Na letra, a cantora faz referência à cidade de Havana em Cuba, seu país de origem. Hoje, a canção ostenta o primeiro lugar em vendas na plataforma musical Itunes Assim como Havana, outras canções integram o top 10 de músicas mais vendidas nos EUA, como a recém lançada Echame la Culpa, de Demi Lovato e Luís Fonsí, e Mi Gente, de J balvin e Willy.
Além do sucesso destes cantores e cantoras Latinas, artistas americanos de grande sucesso se entregaram ao ritmo caliente, participando de algumas versões e parcerias como Justin Bieber e a super estrela Beyoncé. O lyric video teve participação de Cristiano Ronaldo, Neymar e Anitta, Beyoncé doará os lucros com a faixa para as vítimas dos furacões e terremotos que atingiram Porto Rico, México e algumas ilhas no Caribe. Grupos como Litlle Mix e Fifth Harmony também aderiram ao ritmo.

De acordo com o site “El guia Latino”,”Vídeos de artistas latinos somam mais de 1 bilhão de visualizações no YouTube, apresentando aumento de 300% neste ano”.
Assim, a música possui enorme poder, representa pessoa e vozes e por isso não deixa de ser um ato político. A valorização de uma cultura em meio a desvalorização política de Trump nos mostra a resistência e o orgulho deste povo que domina hoje um dos maiores cenários culturais e econômicos dos Estados Unidos: a indústria musical. E este parece ser só o começo!
Gracias!

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