Crise social brasileira

A pandemia evidenciou as desigualdades, o desfinanciamento de políticas essenciais, a ausência de políticas integradas e a incapacidade do atual governo brasileiro em implementar a Agenda 2030. Apenas o esforço da sociedade civil não basta.

Por Amanda da Cruz Costa

A humanidade está vivenciando uma multiplicidade de crises: ambiental, social, econômica, climática, da democracia (com a ascensão de governos conservadores). Todas essas crises foram potencializadas pela crise do Coronavírus, que já soma mais de 110 mil mortes no Brasil.

Das 85 metas ligadas ao eixo social do Relatório Luz, 

10 estão ameaçadas

12 estão estagnadas

12 têm progresso insuficiente

4 têm progresso satisfatório

36 apresentam retrocesso

11 não possuem dados suficientes para análise

APENAS 16, DAS 85 METAS, APRESENTAM ALGUM TIPO DE PROGRESSO!

Esse cenário deixa evidente o retrocesso brasileiro, que opera numa lógica exploratória e pouco sustentável: políticas de austeridade, combate à ciência, flexibilização da gestão ambiental, desmonte das políticas públicas e intensificação da pobreza estrutural, aumentando de 6,4% para 6,6%.

Houve uma ruptura do diálogo com a sociedade civil organizada, fazendo com que a governança democrática despencasse em progressão geométrica. Essa postura fez com que o Brasil caísse no ranking de desempenho democrático, passando a ocupar a 52ª posição de 167 países e o 10º lugar na América Latina.

Nesse contexto, as mulheres são as mais impactadas, principalmente as pretas, indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Houve um forte retrocesso na garantia dos direitos das mulheres: entre 2014 até 2019 os recursos do Programa de Política para as mulheres foi reduzido 75%!

O Brasil é um país profundamente desigual, machista e racista e a pandemia do COVID-19 escancarou o racismo estrutural que o país enfrenta desde a sua fundação.

Como exemplo do racismo estrutural, podemos destacar os indicadores sociais de 2019, que apontam que, em 2018, pessoas brancas ganhavam em média 73,9% a mais do que pessoas negras. Se continuarmos assim, o futuro inclusivo, colaborativo e sustentável que a Agenda 2030 propõem nunca será alcançado!

Além disso, há sub-representação de minorias no Parlamento:

513 deputados federais: 24 negros;

81 senadores: 3 negros;

Governadores dos estados: NENHUM negro.

Enquanto o Brasil atravessa uma das suas piores crises, setores produtivos aproveitam a pandemia para adiar responsabilidades com o futuro do planeta. Além disso, a postura isolacionista em âmbito internacional do governo federal, altamente ideologizado, e a subserviência aos Estados Unidos da América afetaram as parcerias globais do Brasil, política e economicamente.

A COVID-19 MOSTROU QUE MUITAS PESSOAS ESTÃO SENDO DEIXADAS PARA TRÁS!

A pandemia evidenciou as desigualdades, o desfinanciamento de políticas essenciais, a ausência de políticas integradas e a incapacidade do atual governo brasileiro em implementar a Agenda 2030. A deterioração do acesso à justiça mostra a importância da sociedade civil articulada, grande defensora dos direitos humanos, em assegurar que a Agenda 2030 continue sendo promovida, discutida e implementada.

Contudo, apenas o esforço da sociedade civil não basta. É necessário que haja uma reorientação das políticas públicas, um fomento a cultura democrática de participação cidadã e a redução das desigualdades raciais.

Apesar desse cenário horroroso, eu estou disposta a investir minha energia para construir um futuro sustentável. E sabe de uma coisa? EU NÃO ESTOU SOZINHA! Existe diversas pessoas que acreditam no nosso país! Você é uma delas?

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