Alois Kennerknecht, engenheiro agrônomo que apresentou o campim-vetiver para a associação italiana em Lima.

Criando oásis em meio ao deserto (Português/Italiano)

Entenda como o capim-vetiver pode ajudar a superar vários desafios em Lima.

Luciano Frontelle e Luiza Winckler*, da Agência Jovem de Notícias

Giovanni Vaccaro, coordenador do pojeto em Vílla Maria.
Giovanni Vaccaro, coordenador do pojeto em Vílla Maria.

Em uma cidade com clima de deserto como Lima, é difícil acreditar que a região metropolitana ultrapassa 9 milhões de pessoas, sendo a quinta maior capital da América Latina, a segunda maior cidade do mundo construída em região de deserto. Além do clima, a região também enfrenta constantes abalos sísmicos, por estar em uma área de encontro de placas tectônicas. Aqui, as pessoas continuariam suas refeições ao presenciarem um abalo sísmico menor, mas entrariam em pânico se ouvissem um trovão! Unindo o clima de deserto, com abalos sísmicos e as grandes áreas de “pueblos jovenes” (favelas), que concentram cerca de 30% da população, a região metropolitana tem grandes desafios em abastecimento de água, coleta de lixo e saneamento, por exemplo. Mas no meio do distrito de Vílla Maria Del Triunfo há uma planta que pode ajudar a superar alguns desses desafios, o capim-vetiver.

O Projeto “Deserto Florido” estuda e aplica as possibilidades do capim-vetiver, mas levou um tempo até o projeto encontrar essa planta. Tudo começou quando uma escola no distrito de Vílla Maria cedeu um terreno que possuía para que a APIBiMI (Associação para a promoção das necessidades das crianças do mundo em desenvolvimento, que atua no Trentino, na Itália) testasse plantas que pudessem ajudar a combater os principais desafios da região: desertificação, deslizamentos e falta d’água. Foram várias tentativas que falharam, até que Alois Kennerknecht, um engenheiro agrônomo da Alemanha, apresentou o vetiver para a Associação.

Alois Kennerknecht, engenheiro agrônomo que apresentou o campim-vetiver para a associação italiana em Lima.
Alois Kennerknecht, engenheiro agrônomo que apresentou o campim-vetiver para a associação italiana em Lima.

“Em apenas alguns meses, nosso terreno já tinha outra cara, ele cresceu muito rápido!”, explica Giovanni Vaccaro, coordenador do projeto. “Tivemos que aguar mais no primeiro mês, mas depois, uma vez por mês bastava.” Ele também diz que mesmo em casos extremos, a planta resiste, o que é ótimo para o propósito do projeto. “Houve um tempo em que tivemos que ficar 6 meses sem molhar o capim. As pontas da planta secaram, mas tudo se manteve como você vê hoje”, lembra.

Segundo o engenheiro agrônomo, Alois Kennerknecht, o capim-vertiver tem muitos usos. Por suas raízes crescerem sempre verticalmente, a planta cria uma espécie de “muro vivo” embaixo da terra, isolando áreas de terra e compactando o terreno, o que ajuda a garantir que a água despejada no solo permaneça próximo da superfície. “Devido a esse efeito, entre outras coisas, o capim pode ser usado para formar hortas comunitárias ou ainda proteger reservatórios de água”, conta Alois.

Do ponto de vista da comunidade, a APIBiMI planeja, entre outras coisas, usar o capim ao lado de escadas e casas nos morros onde vivem os moradores. “O terreno aqui da região, por ser de deserto, é muito solto, o que pode gerar desastres em terremotos, essa planta pode nos ajudar a evitar isso”, explica Giovanni. Além disso, a planta também serve como “filtro” e descontaminação de solos, sendo usada para tratamento e reuso da água de escolas e, futuramente, de casas na região. As folhas secas da planta podem servir para produzir telhados e artesanato. E sobre o futuro do projeto, o coordenador afirma que o objetivo é que a comunidade conheça as vantagens de uso cada vez mais. “Estamos promovendo visitas de escolas e, em breve, queremos que esses jovens possam começar seus próprios cultivos.”, conclui.

*Integrantes da Delegação Brasileira na COP20

Versione Italiano

Creando un’oasi nel deserto

Capendo come l’erba vetiver può aiutare a superare molte sfide a Lima

Luciano Frontelle e Luiza Winckler*, dell’Agenzia di Stampa Giovanile

In una città con clima desertico come Lima, è difficile credere che la regione metropolitana sorpassa i 9 milioni di abitanti ed è la quinta più grande capitale in America Latina, la seconda città più grande del mondo costruita in una regione desertica. Oltre al clima, la regione si confronta con i costanti terremoti, essendo in una zona di incontro delle placche tettoniche. Qui, la gente continua il loro pasto quando sente un piccolo terremoto, ma sarebbe presa dal panico sentendo un tuono! Unendo il clima desertico ai terremoti ed alle ampie aree di “pueblos jovenes” (favelas), che rappresentano quasi il 30% della popolazione, la regione metropolitana ha importanti sfide nell’approvvigionamento idrico, nello smaltimento dei rifiuti e nel risanamento. Ma nel bel mezzo del quartiere di Villa Maria del Triunfo, c’è una pianta che può aiutare a superare alcune di queste sfide: l’erba vetiver.

Il progetto “Deserto Fiorito” studia ed applica le possibilità dell’erba vetiver, ma ci è voluto un po’ per trovare la pianta. Tutto è iniziato quando una scuola nel quartiere di Villa Maria ha ceduto un terreno di sua proprietà al APIBiMI (Associazione per la promozione delle esigenze dei bambini del mondo in via di sviluppo, che opera in Trentino, Italia) per testare piante che potrebbero aiutare a combattere le principali sfide della regione: desertificazione, frane e mancanza di acqua. Ci sono stati diversi tentativi falliti prima che Alois Kennerknecht, un ingegnere agronomo tedesco, presentasse il vetiver all’Associazione.

“In pochi mesi, la nostra terra aveva già un altro volto, è cresciuto troppo in fretta!” ha dichiarato Giovanni Vaccaro, coordinatore del progetto. “Abbiamo dovuto innaffiare di più nel primo mese, ma poi una volta al mese è stato sufficiente.” Dice anche che, anche nei casi estremi, la pianta resiste, cosa ottima per lo scopo del progetto. “C’è stato un periodo in cui abbiamo dovuto stare sei mesi senza bagnare l’erba. Le punte delle piante erano secche, ma tutto è rimasto come vedete oggi”, ricorda.

Secondo l’ingegnere agronomo Alois Kennerknecht, l’erba vertiver ha molti usi: siccome le sue radici crescono sempre verticalmente, la pianta crea una sorta di “muro vivente”, sotterraneo, isolando e compattando il terreno. Questo aiuta a garantire che l’acqua scaricata nel terreno rimanga vicina alla superficie. “Grazie a questo effetto, tra le altre cose, l’erba può essere usata per formare orti o proteggere serbatoi d’acqua”, afferma Alois.

Dal punto di vista della comunità, l’APIBiMI pianifica, tra le altre cose, di utilizzare l’erba accanto alle scale e alle case in collina. “La terra della regione, essendo nel deserto, è molto friabile, generando disastri nei terremoti. Questa pianta può aiutarci a evitarlo”, spiega Giovanni. Inoltre, la pianta serve anche come “filtro” e decontaminante dei suoli, essendo utilizzata per il trattamento e il riutilizzo delle acque delle scuole e, in futuro, delle case della regione. Le foglie essiccate della pianta possono essere utilizzate per la produzione di tetti e per l’artigianato. Riguardo il futuro del progetto, il coordinatore ha detto che l’obiettivo è che la comunità sia consapevole dei vantaggi di utilizzarla sempre di più: “stiamo promuovendo visite scolastiche e, presto, vogliamo che questi giovani possono avviare la loro produzione”, conclude.

* Membri della delegazione brasiliana a COP20

 

English version

AN OASIS IN THE DESERT: ODE TO VETIVER

A miraculous plant on the outskirts of Lima

“Lima is the second largest city in the world built on the desert, after Cairo.” The visit to Desert Fiorito, a project developed on the arid hills of Lima, starts with this strong statement of Gianni Vaccaro. Through this initiative, undertaken few years ago with the support of the association of Trento APIBiMI and the Autonomous Province of Trento, volunteers and students of the Peruvian capital planted hundreds of Vetiver, an herb which comes from Asia. The site chosen for this initiative is Villa Maria, a village located in the south of Lima, about an hour from the city center and with more than 400 thousand inhabitants.

The area has many problems, most notably a widespread malnutrition. There are also difficulties in waste water treatment, because, once used, water has not a sewage system to convoy it and treat it before returning it into the environment. Moreover the area, as all Peru, is strongly seismic and people are afraid of landslides from the stony hills surrounding the area during a strong earthquake. Finally, the population has been asking interventions on the environment for years, given the characteristic of aridity of the area.

These problems can be largely solved by the simple use of a plant: vetiver. This type of grass has a number of positive features, which almost miraculous, given that so far does not appear to have been found contraindications.

Vetiver has roots that go down in vertical depth, up to 3 meters, thus creating a natural wall and consolidating the ground. The plant survives even in the presence of untreated waste water: dirty water and detergent can indeed be thrown on a field with this plant without damaging it and making sure the waste water treatment.

The roots hold water even to the surface, thus favoring the settling of other species. But vetiver also purifies the air: it absorbs six kilograms of carbon dioxide per year and moreover it can live both indry and in wet environment.

Besides these features already sufficient to elect it as plant of the year, there are also several other uses: the roots can be used for teas and essential oils, fresh leaves can feed the animals, dry ones become straw to use for both roofs and for baskets and other handcrafts things.

Vetiver is currently planted in a field belonging to the school of Villa Maria, originally sandy. Other types of plant had been planted in an attempt to grow some form of life, but they were all unsuccessful. Engineer Alois Kennerknecht with his revolutionary idea of using vetiver has therefore given a twist to this initiative.

It is a pilot project, but the excellent results already allow to think the developments that soon the experts hope to develop. Now is certain that once provided an adequate amount of water for the first month, the plants also withstand drought of some months.

The program now is to plant it along the streets and outside the houses, getting a first result of beautifying the city and treating waste water, thanks to people who throw bowls of dirty water on the plants. And most important: you can obtain the food to breed guinea pigs, which meat is very nutritious and widely consumed in Peru. And if there is enough space, it will also be possible to grow more easily a small vegetable garden, from which it is possible to obtain an additional source of food.

The possibility of the success of this project becomes even from the fact that the association is well known and liked in the area, thanks to a constant comparison with the needs of the population, which has already led to the creation of a laboratory for sewing for women, the realization of a school, and much more.

The activity then continues, in the hope that in the future Lima is no longer a city built in an inhospitable place, but an oasis in the desert.

Silvia Debiasi, Milena Rettondini, Alice Tomaselli e Serena Boccardo

 

 

 

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