Os compromissos de hoje para enfrentar as mudanças climáticas não são suficientes: mais precisa ser feito. E rapidamente.

Por Roberto Barbiero
Traduzido por Juliane Cruz

A condição atual do Planeta e os futuros cenários descritos pelos muitos relatórios científicos apresentados na XIV Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP24) são direcionados e talvez embaraçosos para os delegados em Katowice.

O principal objetivo da COP24 é definir as regras que tornarão o Acordo de Paris operacional e, mais especificamente, fixar os parâmetros que garantirão a transparência e determinarão as políticas de adaptação de cada Estado, a redução das emissões de gases de efeito estufa, outorga de recursos e a transferência tecnológica.

No entanto, o sentimento é o de que os relatórios científicos aqui ilustrados em Katowice mudaram o foco da Conferência, porque o tempo está se esgotando. A velocidade com que o aquecimento global ocorre e a lentidão da resposta da comunidade internacional a ele estão reduzindo as chances de alcançar a meta estabelecida pelo Acordo de Paris. Eles também pioram os impactos negativos das mudanças climáticas no ecossistema e na vida humana.

O relatório provisório sobre o estado global das mudanças climáticas produzido pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê que 2018 será o quarto ano mais quente desde o início de seu trabalho. A extensão mínima das geleiras no Mar Ártico, alcançada em setembro, é 28% menor que a média. Da mesma forma, a área coberta pela geleira marinha antártica foi menor do que no ano passado em todo o ano de 2018.

As consequências de eventos meteorológicos extremos foram numerosas este ano. Assim como em 2017, perdemos vidas humanas e testemunhamos enormes danos a ecossistemas e infraestruturas. A maior parte da Europa sofreu com uma onda de calor excepcional e seca durante a primavera e o verão. Morte e danos foram causados ​​pela maior enchente que o Estado indiano de Kerala tem visto desde 1924 e pelo aumento das águas no Japão, onde mais de 100 mm de chuva caíram em apenas 48 horas na ilha de Shihoku. Os incêndios devastaram a Grécia (em julho) e a Califórnia (em novembro). Em outubro, a Itália foi atingida por tempestades e ventos excepcionais que causaram grandes danos – especialmente às florestas do norte do país.

Sinais de alerta também vêm das medições da principal concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, que vem aumentando desde 2017. O dióxido de carbono já atingiu o alarmante valor de 405,5 partes por milhão, mas as pesquisas de 2018 prevêem que atingirá 407 partes por milhão até o final do ano. Isso significa que a atmosfera agora contém 45% mais CO2 do que nos tempos pré-industriais.

De acordo com o estudo Global Carbon Budget, as emissões de carbono de 2018 atingirão um recorde histórico. E continuarão subindo mais (2% mais) devido ao consumo de carbono no setor de energia e ao maior consumo de petróleo e gás no setor de transportes e na indústria da construção.

Os maiores emissores de 2018 ainda são a China (27%), os EUA (15%), a UE (10%) e a Índia (7%). Quase todos os países do mundo contribuíram para a mudança climática e o aquecimento global por meio do aumento das emissões de gases de efeito estufa e da redução mais lenta dessas emissões. Mas bons exemplos existem, já que alguns Estados reduziram suas emissões mesmo com uma economia em expansão: muitos países europeus fizeram isso.

Para conter o aquecimento global dentro do limite de + 1,5 ° C (meta do Acordo de Paris), as emissões de CO2 devem cair pela metade até 2030 e desaparecer completamente até 2050. Estamos muito longe de alcançar esses resultados.

De acordo com o Relatório de Lacunas de Emissões, os atuais compromissos voluntários assumidos por cada Estado para reduzir as emissões de gases de efeito estufa são insuficientes. Se nada mudar, parece inevitável que a temperatura global suba para 3° C até o final do século: as conseqüências disso no planeta são inimagináveis. Temos que triplicar os esforços para impedir que a temperatura global suba mais de 2° C e quadruplicá-los para impedir que subam mais de 1,5° C.

A missão parece impossível, mas há sinais positivos. As tendências de energia estão mudando rapidamente: muitos países estão consumindo menos CO2 e mais energia eólica e solar. Mesmo que isso signifique que o consumo de CO2 ainda seja menor do que era em 2013 (quando atingiu a maior alta de todos os tempos), mais precisa ser feito para melhorar a situação. Ainda há tempo para enfrentar as mudanças climáticas e suas conseqüências, se a redução das emissões de CO2 se tornar um processo que envolve todos os setores econômicos de forma rápida e drástica. Precisamos tomar decisões políticas corajosas e contar com um forte apoio econômico se, como comunidade global, fizermos a transição para fontes de energia mais limpas e reduzirmos nossas emissões. Nós, como cidadãos, precisamos cooperar com os governos e as indústrias privadas, já que salvar o Planeta implica adotar um novo paradigma de produção e consumo.

Vamos observar todos os movimentos dos países na COP24 para tentar entender se eles estão prontos para mudar o curso da história.

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