Construindo redes para valorizar a vida

A pandemia trouxe muitos desafios para mim, tanto a nível pessoal quanto em relação à missão que temos para com as famílias e crianças.

Ela trouxe à tona todas as fragilidades já existentes na nossa sociedade egoísta, com políticas públicas injustas, onde os ricos se tornam mais ricos e os pobres se tornam mais pobres. Esta situação fortaleceu em mim a certeza de que, hoje mais que nunca, temos que trabalhar para construir estruturas solidárias, redes que se convertam em ações em prol da vida e principalmente da vida mais fragilizada daqueles que moram em nossas periferias.

Turma atendida pelo Centro de Convivência Santa Doroteia durante a pandemia. Foto: Marli Souza/Facebook do CCSD

Acredito que, como mulheres, temos o dom de sentir e perceber a vida que sofre e a graça de acolher e cuidar da vida que é colocada diariamente em nossas mãos, que se tornam as mãos de uma mãe que cuida do(a) filho(a) que lhe foi encomendado(a) por Deus.

Irmã Marlene Montano Machado / arquivo pessoal

A cada dia, quando acordo, a minha primeira ação é a oração, é estar em relação profunda com o Senhor que me ama. Medito a sua Palavra, que me sustenta e dá sentido a todo o meu dia.

Partindo desta experiência, continuar trabalhando durante a pandemia, para mim, é estar no lugar e no momento histórico aos quais o Senhor quer que eu doe a minha vida. Nessa confiança, vivo todos os dias com coragem, me colocando nas mãos paternas de Deus que cuida de todos os seus filhos. E, claro, também eu devo fazer a minha parte, me cuidar para poder continuar a cuidar dos outros.

A minha esperança para o futuro pós-pandemia é de que a sociedade acorde para a solidariedade e para a fraternidade, de que todos possam pensar no outro, cuidar do outro, de que as famílias possam cuidar mais de seus filhos, estar junto deles, e que todos aprendamos a conviver como família.

Sonho com uma sociedade que valorize a vida, e não a economia.

Espero que, como sociedade, possamos nos organizar para construir novas redes de convívio social em contraposição à rede capitalista que gera sempre mais pobreza.

Irmã Marlene Montano Machado é migrante boliviana vivendo há 13 anos no Brasil. Atualmente é presidente do Centro de Convivência Santa Doroteia.

Essa crônica foi editada a partir da íntegra da entrevista que Irmã Marlene concedeu à AJN para a composição do material Especial 8M: mulheres no front, produzido pela redação da redação para marcar o Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras de 2021.

Edição: Luiza Gianesella

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