Conheça a PEP, uma forma de prevenção ao HIV

A Profilaxia Pós-Exposição (PEP), é uma tecnologia de prevenção que consiste no uso de medicação antirretroviral para prevenir a infecção pelo HIV após uma exposição de risco, como por exemplo em situações que haja ruptura da camisinha. Ela deve ser introduzida preferencialmente nas primeiras 2 horas e em até 72 horas após a exposição de risco e continuada por 28 dias ininterruptos, o que reforça a necessidade de que haja adesão da medicação até a conclusão do tratamento profilático.

A PEP envolve importantes etapas que precedem seu acesso: avaliação do risco, teste rápido para saber se a pessoa já não tem HIV, testagem do parceiro quando presente, aconselhamento e, por fim, prescrição médica. Todas essas etapas são fundamentais para que se tenha o entendimento correto dessa forma de profilaxia e o que é necessário para sua eficácia.

No Brasil, a PEP é recomendada no SUS, desde 2010, como mais uma forma de prevenção contra o HIV. É importante destacar que essa profilaxia se insere no âmbito da prevenção combinada, que seria o uso simultâneo de diferentes abordagens de prevenção, para responder a necessidades específicas de determinados públicos e de determinadas formas de transmissão do HIV. O tratamento dura 28 dias e o atendimento é considerado de emergência pelo Ministério da Saúde, conforme prevê o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Antirretroviral Pós-Exposição de Risco à Infecção pelo HIV (PCDT).

Este protocolo tem caráter normativo, devendo ser integralmente observado em todos os casos que envolver a PEP. O PCDT se divide em quatro seções, que correspondem às etapas da abordagem da pessoa exposta ao risco de infecção pelo HIV, que incluem: avaliação do risco de exposição; esquema de medicamento para PEP e acompanhamento clínico-laboratorial.

Os atendimentos de PEP têm aumentado ano a ano, mas ainda é difícil atingir um público menos informado, com menos acesso à internet, por exemplo, considerando que hoje, boa parte das informações relacionadas às tecnologias de prevenção e ao HIV estão disponíveis na internet, principalmente em aplicativos para smartphone.

O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais disponibilizou no ano passado, duas ferramentas importantes para auxiliar na visibilidade da PEP: o aplicativo de PEP, disponível para sistemas IOS e Android e o site PEP onde. Ambas estratégias têm por objetivo facilitar o acesso a informações relacionadas a PEP além de ajudar as pessoas a compreenderem melhor essa tecnologia de prevenção e onde acessá-la.

É importante considerar que mesmo tendo ampliado a visibilidade e conhecimento sobre essa estratégia de prevenção nos últimos anos, muitas pessoas, sobretudo jovens, possuem uma baixa percepção de risco de infecção pelo HIV nas situações de exposição ao risco, o que compromete o entendimento dessa estratégia e de que maneira ela pode será útil e poderá dialogar com seu contexto e momento de vida, no âmbito das suas práticas sexuais. Não basta saber que existe, a pessoa deve reconhecer o risco e ter plenas condições de tomar decisões em relação às situações de exposição.

Diego Callisto
Diego Callisto é soropositivo, especialista em Saúde Pública, Bioestatística e Epidemiologia pela Universidade da Califórnia e bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É assessor técnico para assuntos de juventude do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde brasileiro e articulista da Agência Jovem de Notícias.

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