Conheça os candidatos à prefeitura de São Paulo

Fernando Haddad (PT): Atual prefeito de São Paulo, o petista fez uma gestão revolucionária para muitos. Suas medidas mais conhecidas são relacionadas aos transportes. Ele instalou mais de 60 quilômetros de corredores exclusivos de ônibus, inaugurou cerca de 400 km de ciclovias e ciclofaixas, e diminuiu o limite de velocidade nas principais vias da cidade. Tido como o principal problema de São Paulo, o trânsito melhorou, sendo que as mortes no trânsito reduziram 30% e o tempo médio de deslocamento da população diminuiu mais de 10 minutos nos 4 anos de gestão.

As principais críticas a seu governo são a quantidade de multas de trânsito que suas medidas de transporte e fiscalização geraram. Alguns também dizem que a Prefeitura, em sua gestão, não se dedicou a pensar políticas para a população mais pobre e aos direitos básicos, apesar de a gestão ter reduzido drasticamente o tempo de espera em hospitais da periferia com o projeto Rede Hora Certa e expandido o número de vagas na educação infantil. 

Na última pesquisa do Datafolha para as eleições desse ano, divulgada dia 26/09, Fernando Haddad aparece com 11% das intenções de voto, em 4º lugar. Contudo, ele aparece em 1º lugar em rejeição, sendo que 43% das pessoas o indicaram como o candidato em quem não votariam.

 

Luiza Erundina (PSOL): Foi prefeita de São Paulo de 1989 até 1992 pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em 1998, ela se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), e depois ao PSOL. Hoje, é deputada federal por São Paulo e defende direitos das mulheres e minorias no Congresso.

As principais medidas de Erundina enquanto prefeita foram a criação das subprefeituras em São Paulo e a melhora do ensino municipal, com Paulo Freire como seu secretário à época. Como deputada, criou destinação do Fundo Penitenciário Nacional (FunPen) para manutenção de casas de abrigo a mulheres vítimas de violência doméstica e inaugurou o Relatório Anual SócioEconômico da Mulher. Pela Reforma Política, redigiu uma PEC pela representação proporcional de sexos no Congresso Federal, garantindo 50% de vagas para mulheres, e criou projeto de lei que limita reajuste do subsídio de membros do Legislativo Federal.

Em sua campanha atual, Erundina promete melhorar ainda mais os transportes em São Paulo, garantindo passe livre até o fim de seu mandato. Na última pesquisa do Datafolha, ela aparece em 5º lugar, com aproximadamente 5% das intenções de voto.

 

Marta Suplicy (PMDB): Foi eleita por São Paulo a diversos cargos. Atualmente, é senadora pelo estado, mas já foi deputada federal e prefeita da cidade. Foi também ministra do turismo, no segundo mandato de Lula, e ministra da cultura, no primeiro mandato de Dilma. Por mais que todas as suas eleições tenham sido enquanto filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), entre 1981 e 2015, essa será a primeira na qual a senadora estará filiada ao PMDB.

Como deputada, Marta avançou nos direitos das mulheres, garantindo cota mínima de 25% para mulheres nos cargos públicos. Como prefeita, de 2001 a 2005, Marta criou os CEUs (Centros Educacionais Unificados), instalados em regiões periféricas e com pouca infraestrutura da cidade de São Paulo, para oferecer atividades de esporte, cultura e educação nessas áreas. A iniciativa foi muito bem sucedida e funciona até hoje, tendo sido ampliada quando a ex-petista ocupava o cargo de Ministra da Cultura. Porém, a gestão Marta foi muito polêmica, culminando em sua condenação por improbidade administrativa em 2014 que a faria perder direitos políticos por 3 anos se não tivesse recorrido e sido absolvida ano passado.

Atualmente, a senadora utiliza o sucesso dos CEUs na capital para sua campanha, porém seu perfil político mudou com a filiação ao PMDB. Enquanto em sua última candidatura Marta preferia se aproximar de políticos de esquerda e apoiar projetos para os mais pobres, agora ela está associada ao empresário da elite paulistana Andrea Matarazzo, e pretende acabar com algumas das medidas implementadas por Fernando Haddad (PT), que ela apoiou nas últimas eleições municipais, além de ter votado a favor do Impeachment de Dilma, sua ex-aliada, no Senado. Apesar disso, ela se encontra em 3º lugar nas pesquisas, com 15% das intenções de voto segundo o Datafolha.

 

Celso Russomanno (PRB): É deputado federal por São Paulo e apresentador na rede Record de televisão, ligada ao pastor Edir Macedo. Está na vida política desde 1985, tendo mudado de partido quatro vezes em sua trajetória: Foi eleito deputado federal em 1994 pelo PFL, atual DEM; no mesmo ano, largou o partido e filiou-se ao PSDB, onde permaneceu até 1997; ainda na Câmara, associou-se ao PPB, que virou PP, partido pelo qual concorreu ao Governo do Estado de São Paulo, perdendo para Geraldo Alckmin em 2010; desde 2011, contudo, é filiado ao PRB, tendo concorrido a prefeitura de São Paulo em 2012 pela legenda.

Durante seus 4 mandatos na Câmara, foi responsável por atualizar o Código de Defesa do Consumidor, apresentando um quadro no programa “Cidade Alerta” sobre o tema. Porém, sua possível eleição é vista com desconfiança: o deputado sofre denúncias de irregularidades financeiras que podem acabar com seu mandato e campanha. Russomanno é acusado de desviar verba de seu gabinete na Câmara para cobrir gastos particulares de sua empresa “Day and Night” em São Paulo. Além disso, é associado à Igreja Universal, de Edir Macedo, conhecida por pregações homofóbicas em seus cultos. Apesar disso, encontra-se em 2º lugar nas pesquisas, com 22% das intenções de voto no Datafolha.

 

João Dória Júnior (PSDB): É empresário na área de publicidade e apresentador de televisão. Sua carreira política limita-se à filiação ao PSDB e à atual campanha para prefeitura de São Paulo. Porém, é figura pública desde cedo por protagonizar os programas “Show Bussiness”, “O Aprendiz” e “Face a Face” na televisão aberta. Além disso, é conhecido por ser um homem rico, proprietário de uma das casas mais caras da capital, além de uma vila de luxo em Campos do Jordão e mansão de férias em Miami.

Sua candidatura se deve à eleição prévia no partido, vencendo de Andrea Matarazzo e apoiado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Dentro do PSDB, sua candidatura é muito rejeitada, principalmente por ele ser um homem sem tradição dentro da legenda. Além disso, o apoio recebido por Alckmin gera suspeitas de abuso de poder por parte do governador na campanha de Dória.

Se eleito, o candidato promete revogar a redução de velocidade nas vias, feita por Fernando Haddad e responsável por redução de mortes no trânsito, além de privatizar faixas de ônibus, museus e parques. João Dória Júnior encontra-se em 1º lugar na pesquisas, com 30% das intenções de voto pelo Datafolha.

 

Ethel Rudnitzki
Redatora e repórter na Agência Jovem de Notícias

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