Conheça as 3 maiores pandemias da história

Sabemos que outras pandemias já aconteceram ao longo da história. Que tal saber um pouco mais sobre três das maiores que a humanidade já enfrentou?

Por Carol Rabbelo

Se você é um ser vivo que habita a Terra durante o ano de 2020, você está vivenciando um dos maiores desafios da humanidade: a pandemia do Coronavírus, ou Sars-Cov-2, um novo vírus que está à solta por aí e que se espalha muito, muito rápido.

Você deve estar se perguntando… por que? Isso acontece porque ele é propagado pelo ar e pelas gotículas de saliva ou muco, e você pode se contaminar quando essas gotículas chegam (ou são levadas por suas mãos) à sua boca, seu nariz ou seus olhos.

Outro fato que ajuda sua disseminação é que, às vezes, quando uma pessoa contrai o Coronavírus, ela não apresenta sintomas, e quando apresenta, eles são iguais ao de uma gripe comum. Então uma pessoa infectada pode contaminar muitas outras sem saber.

Por isso as escolas pararam; lojas, shoppings, restaurantes fecharam; shows e torneios esportivos foram cancelados; e por isso é importante que você fique em casa nesse momento. Essas medidas aliadas às práticas de higiene são para frear o contágio do novo Coronavírus e evitar que nosso sistema de saúde fique superlotado.

O número de infectados por Covid-19 chegou a mais de 5 milhões de pessoas e mais de 350 mil mortes no mundo. E o Brasil já é considerado o novo epicentro da doença com mais de 29 mil mortes.

Bem, é uma situação que nunca tinha passado por nossa cabeça, mas que nossos avôs, tataravôs, e até mesmo nós já vivenciamos algo parecido.

Sabemos que algumas doenças já mataram milhares de pessoas antes. Será que podemos equiparar o Covid-19 a algumas delas?

Alguns profissionais da área da saúde responderam essa pergunta para a Revista Veja. Vamos compartilhar essas respostas com você.

Peste Bubônica – ratos e pulgas faziam a festa

Quem vê as lindas fotos dos países Europeus hoje, ou quem já os viu pessoalmente, não imagina que no século 14 as cidades eram tomadas por ratos devido à sujeira e falta de saneamento básico.

Se a sua Eurotrip fosse naquela época, precisaria tomar cuidado para não voltar sujo e fedido pra casa, porque era comum que as pessoas jogassem suas próprias fezes na rua.

Foi em meio a essa sujeira que a Peste Bubônica, ou Peste Negra, se instaurou. A doença é provocada pela bactéria Yersinia petis e transmitida aos humanos por pulgas de roedores contaminados. De 1333 a 1351, a Peste Bubônica matou cerca de 1/3 da população europeia.

Na época, os ratinhos passaram despercebidos e não eram suspeitos de propagar a doença. Os médicos achavam que ela vinha da decomposição de qualquer matéria orgânica e dos odores que exalavam. Sendo assim, acreditava-se que a doença era espalhada por um “ar envenenado”.

Por isso, os médicos usavam roupas que cobriam totalmente o corpo e utilizavam uma máscara com um bico gigante na ponta, com dois orifícios para conseguir respirar. Nicoli Raveli explica:

Os profissionais utilizavam suas máscaras com Theriac, um composto com mais de 50 ervas que também continha pó de carne de víbora, mirra, mel e canela. Para os estudiosos, De Lorme pensou que a forma do bico da máscara proporcionaria tempo suficiente para o ar ser absorvido pelo composto protetor antes de atingir as narinas e, posteriormente, os pulmões.

Os enfermos dessa doença podiam ter tremedeiras, apatia, vertigem, febre alta e principalmente linfonodos bem escuros, que causavam dor no corpo.

Essa doença gerou três pandemias em datas históricas diferentes:

  • Praga do Justino: cerca de 10 mil mortes por dia, em 561 d.C;
  • Peste Negra: a que citamos;
  • Terceira Pandemia: devastou grande parte da Ásia em 1894 a 1959.

Inclusive, foi nesse momento da história que surgiu a quarentena. Historiadores dizem que, como não se sabia de onde vinha a peste bubônica, o governo de Veneza decidiu isolar as navegações por 40 dias. Especula-se que a definição de 40 dias foi por influência bíblica, pois 40 dias é a duração da quarentena, e também foi o tempo que Jesus ficou no deserto antes de ser tentado pelo demônio.

Hoje em dia a quarentena não dura necessariamente 40 dias, mas ainda utilizamos o termo independente desse número.

Gripe Espanhola – spoiler: ela não veio da Espanha

Acreditei nessa conversa mole

Pensei que o mundo ia se acabar

E fui tratando de me despedir

E sem demora fui tratando

De aproveitar

Beijei a boca

De quem não devia

Peguei na mão

De quem não conhecia

Dancei um samba

Em traje de maiô

E o tal do mundo

Não se acabou

Essa letra da música de Assis Valente, interpretada por Carmem Miranda, fala de aproveitar a vida por estar vivo após a Gripe Espanhola. Isso porque essa gripe provocou a morte de 50 a 100 milhões de pessoas no mundo, segundo o historiador Paulo Rezzuti, em vídeo do jornal O Globo.

Há 100 anos, por volta de 1918 a 1920, com as condições precárias de higiene e doenças, houve uma mutação do vírus influenza (gripe), o que gerou a Gripe Espanhola.

A gripe recebeu esse nome porque na época a Espanha era a única a noticiar os aumentos dos casos e as mortes, já que ela permanecia neutra e democrática enquanto seus vizinhos estavam envolvidos com a Primeira Guerra Mundial.

Mas, na verdade, os primeiros diagnósticos surgiram no Kansas, nos EUA, em bases militares. De lá, os soldados foram enviados para a Europa, onde a doença foi espalhada. A gripe chegou ao Brasil por um navio que parou em Recife, Salvador e Rio de Janeiro com passageiros contaminados.

A difusão do vírus levou o sistema de saúde brasileiro ao colapso, pois não era possível cuidar da alta quantidade de enfermos. As pessoas começaram a morrer em grande número, e as funerárias também não davam conta. Então corpos começaram a ser deixados no meio das ruas, nas portas das casas, e carroças os pegavam e levavam para enterrar.

Sistema de saúde superlotado, pessoas morrendo aos montes… isso te parece familiar? Pois é, parece até que estamos falando do Covid-19. Bem, isso acontece porque ambos se espalham por gotículas como explicamos no início do post, sendo assim, as medidas para evita-los também são basicamente as mesmas.

Dá uma olhada nessas orientações que foram dadas para evitar a Gripe Espanhola na época:

“Conselhos ao povo da inspetoria de higiene: 

  • EVITAR aglomerações, principalmente à noite.
  • NÃO fazer visitas.
  • TOMAR cuidados higiênicos com o nariz e a garganta […]
  • EVITAR toda fadiga ou excesso físico
  • O DOENTE, aos primeiros sintomas, deve ir para a cama, pois o repouso auxilia a cura e afasta as complicações e contágio. Não deve receber, absolutamente, nenhuma visita.
  • EVITAR as causas de resfriamento, é de necessidade tanto para os sãos, como para os doentes e convalescentes.
  • AS PESSOAS IDOSAS devem aplicar-se com mais rigor ainda todos esses cuidados.”

Parece ter sido escrito hoje mesmo, não é?!

Gripe suína – um passado não tão distante

Mesmo que a gente quase não se lembre, a Gripe Suína foi uma gripe que alastrou países há pouco tempo atrás, começando no México em 2008, e chegando ao Brasil em 2009. Segundo dados do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos, o número de casos foi de 700 milhões a 1,4 bilhão, e 150 a 675 mil mortes.

A gripe H1N1, ou Influenza A, é resultado da combinação de vírus da gripe humana, aviária e suína, que infectou os porcos simultaneamente – daí o nome pelo qual ficou conhecida.

“A diferença é que, em 2009, a gente tinha uma possibilidade de vacina em curto prazo, coisa que não possuímos agora”, diz o infectologista Alberto Chebabo, na entrevista para a VEJA. No caso do Corona, Chebabo diz que no melhor dos cenários, a vacina estará disponível em 18 meses.

Segundo a geógrafa Mait Bertollo, em 2009 “o governo federal já elaborava a terceira versão do ‘Plano brasileiro de preparação para uma pandemia de Influenza’, que começou em abril de 2006”, ou seja, o país já estava mais bem preparado para a pandemia, o que nos ajudou a passar por essa crise mais tranquilamente.

Além disso, a H1N1 é duas vezes menos transmissível que o Coronavírus. Segundo a OMS, uma pessoa com H1N1 é capaz de infectar 1,2 a 1,6 pessoas, já o Covid-19 tem uma taxa intermediária de 2,79.

E também é menos letal. Dados da OMS estimam que a letalidade da H1N1 é 0,02%, enquanto a do Sars-Cov-2 é de 3,4% – número que pode variar, pois a quantidade de testes ainda é pouca.

Este conteúdo foi produzido e publicado originalmente no Blog da Elune. 

Ver +

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *