Crédito: Léu Britto/Agência Mural

Conheça 3 iniciativas populares de combate ao coronavírus nas periferias

Na ausência do Estado, as periferias do Brasil organizam-se para o combate à pandemia de coronavírus com união, solidariedade e autogestão. Conheça algumas destas iniciativas e saiba como ajudar

Por Monise Berno

As periferias do Brasil sempre conviveram com a ausência do Estado, com o desemprego, com a informalidade e com a luta constante por direitos básicos como o abastecimento de água regular e o tratamento de esgoto, além da batalha por políticas públicas eficientes que garantam o acesso à moradia, saúde, educação, lazer e o mínimo para uma sobrevivência digna.

O avanço da epidemia do coronavírus no Brasil tornou ainda maior o abismo criado entre as áreas periféricas e o acesso aos direitos básicos, expondo ainda mais os moradores destas comunidades – que muitas vezes simplesmente não podem aderir ao isolamento social – ao risco de contaminação e transmissão da Covid-19.

Diante de mais essa crise, surgem em todo o país iniciativas populares de conscientização, proteção e apoio no combate ao coronavírus e aos efeitos econômicos e sociais da pandemia nas periferias. Conheça três delas:

CoronaZAP

O Laboratório de Estudos do Borel lançou, no último dia 16 de maio, CoronaZAP: um canal de comunicação para registro de casos suspeitos ou confirmados de Covid-19 nas comunidades da Tijuca, no Rio de Janeiro.

A ideia surgiu da constatação de subnotificação de casos confirmados de coronavírus nos territórios. De acordo com o Painel Rio Covid-19, atualizado pela Prefeitura, as comunidades da região não contabilizam nenhum caso de Covid-19. No entanto, o bairro é o quarto com mais contaminações na cidade do Rio.

Com base nas diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde, os moradores da região são orientados a informar, pelo WhatsApp, o surgimento de sintomas gripais leves ou graves. O objetivo do projeto é criar um banco de dados, auxiliar na identificação de possíveis casos e pressionar o Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde estadual e municipal pela realização de testes nas comunidades.

O telefone do CoronaZAP é  (21) 98685-2496.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Os ‘Presidentes da Rua’

Em São Paulo, para controlar o impacto da disseminação do vírus na comunidade, a Associação de Moradores e Comércio de Paraisópolis criou os ‘presidentes de rua’ – pessoas da comunidade que são responsáveis por auxiliar vizinhos desassistidos pelo estado durante o período de isolamento social imposto pela pandemia.

Cada ‘presidente’ é responsável por contatar e organizar as demandas de cerca de 50 famílias. O trabalho inclui visitas às casas para atualizar cadastros e acompanhar as condições das famílias, distribuição de cestas com alimentos e itens de higiene, auxílio na identificação dos sintomas e nos pedidos de atendimento médico, organização e intermediação de pedidos de doações e outras ações, que vão desde a preparação e distribuição de marmitas, compartilhamento de notícias e o combate à fake news.

A associação contratou, por meio de uma empresa privada, três ambulâncias: duas delas são básicas, e uma, UTI. Além das estruturas, Paraisópolis conta com dois médicos, três enfermeiros e dois socorristas. Após pedidos da associação, duas escolas estaduais foram tiveram espaço cedido para a instalação de leitos que atendem moradores doentes ou com suspeita de contaminação.

Foto: Gui Christ – National Geographic / Reprodução Ponte Jornalismo

“Morador Monitor”

No projeto “Morador Monitor”, criado a partir da união de alguns movimentos sociais (como as ONGs SOS Providência e Cidades Invisíveis de Santa Catarina) no Morro da Providência, Rio de Janeiro, 12 pessoas se dividem para atuar na conscientização e combate ao coronavírus.

Através de visitas diárias nas casas do território, a equipe reúne informações sobre a contaminação de moradores, elenca as necessidades de alimentos, itens de higiene e equipamentos de proteção e organiza a distribuição de doações, além de informar a população sobre a real situação da pandemia.

Localizado no Centro do Rio, o Morro da Providência é mais uma das comunidades que não possui contagem oficial de doentes. Cerca de 1.656 casas das comunidades do Morro já foram cadastradas, o que significa praticamente 100% da população contemplada. Para dar continuidade aos trabalhos dos Moradores Monitores, a equipe mantém uma campanha de arrecadação on-line no site vakinha virtual.

Foto: Melissa Cannabrava / A Voz das Comunidades

Além das iniciativas populares, organizações da sociedade civil atuam no combate à crise, como é o caso da Central Única das Favelas (Cufa), que propôs uma série de medidas para reduzir o impacto da epidemia de coronavírus nas comunidades e vem atuando entre ações de saúde e socioeconômicas em apoio às comunidades.

A Periferia em Movimento identificou 39 iniciativas e postos de doação em todo o Brasil que estão apoiando pessoas desempregadas, povos originários, catadores, artesãs, camelôs, pessoas trans, empreendedores e autônomos. Acesse e conheça cada uma delas.


*Com informações dos sites Voz das Comunidades, Ponte Jornalismo, Rede Brasil Atual e Periferia em Movimento.

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