Confira a carta de propostas feita por adolescentes durante a etapa nacional da 3ª Conferência Global sobre Trabalho Infantil

Brasília – No último dia (9 de agosto) da etapa nacional da 3ª Conferência Global sobre Trabalho Infantil, os adolescentes que fizeram a cobertura educomunicativa apresentaram uma carta com propostas ao governo para que facilite a participação de crianças, adolescentes e jovens nos espaços de decisões políticas, em especial na 3ª Conferência Global, que irá acontecer em outubro.

Entre os pontos levantados pelos adolescentes, eles dizem ser necessário ampliar o debate com a sociedade civil por meio de campanhas de conscientização sobre os perigos e malefícios que causam o trabalho infantil e o complemento da renda familiar por meio de programas sociais. O documento foi entregue aos organizadores do evento.

Confira abaixo a carta na íntegra

 

CARTA DE PROPOSTAS DOS ADOLESCENTES PARA A III CONFERÊNCIA GLOBAL

Caros colegas presentes no Encontro Nacional Preparatório para 3º Conferência Global de Erradicação do Trabalho Infantil.  Em reunião extraordinária com os adolescentes presentes foram apontadas várias propostas referentes ao real papel da criança e do adolescente na construção de políticas públicas para erradicar o trabalho infantil.

Temos um jeito diferente do adulto de ver e sentir o mundo. Assim como o idoso. Muitas vezes, os adultos só lembram do que fizeram de ruim e feio quando eram adolescentes.

Nós temos muita energia e vontade, mas ainda precisamos de adultos que nos incentivem e criem outras formas de nos incluir na formulação de políticas para nós adolescentes. Para estimular a nossa participação é necessário criar espaços para que isso venha acontecer.

Muitas vezes, em nossa própria casa, somos incentivados a trabalhar desde muito cedo. E o que fazer em uma situação como essa? Quando conseguimos entender e acessar nossos direitos, também conseguimos interferir em pensamentos e condutas de nossos pais, que são maravilhosos, mas não podem estar certos o tempo todo. Assim como os adultos também não estão certos o tempo todo.

Se serei o gestor do amanhã, também preciso quebrar barreiras criadas pelos adultos de hoje, para repetir os acertos, mas não repetir  os mesmos erros.

Tomamos a liberdade de incluir propostas de um grupo de adolescentes de São Paulo, e também incluímos as nossas ideias para erradicação do trabalho infantil. São dois grupos de propostas que irão incentivar nossa participação em lugares onde ocorre a  formulação de políticas, de consulta pública assim como as conferências, como também nas próprias políticas para a erradicação do trabalho infantil em nosso município.

Estas são algumas de nossas propostas:

  • “eu adolescente” posso mudar a realidade da minha família, escola e comunidade. Posso mobilizar outros adolescentes e também poderei mudar a realidade do meu filho no futuro. Só que para isso, precisarei de formação para  conhecer meus direitos e deveres.
  • queremos sim participar de fóruns, encontros, conferências, mas precisamos de eventos e espaços com mais adolescentes. Esses eventos devem ser atrativos, e devem  ter ações específicas para adolescentes; deve ter uma oratória e linguagem jovial, com metodologias e dinâmicas diferentes; com espaços de integração entre adolescentes e adultos, mas com espaço para a fala dos jovens pois ainda tem muito preconceito quando o adolescente se expressa.
  • é necessário trazer mais crianças, adolescentes que sofrem com trabalho infantil e mães que sofreram com o trabalho infantil, ou ter outros momentos de diálogos e consultas com essas pessoas.
  • é preciso envolver o adolescente na organização da conferência, planejando e executando juntamente com os outros organizadores;

Sobre o trabalho infantil:

  • os adolescentes e jovens podem ajudar a desenvolver projetos sociais;
  • a política de aprendizagem deve ser mais acessível;
  • é necessário ampliar o debate com a sociedade civil por meio de campanhas de conscientização sobre os perigos e malefícios que causam o trabalho infantil;
  • manter e melhorar os programas que já existem como o PETI,PRO JOVEM uns dos exemplos;
  • complementar a renda familiar por meio de programas sociais;
  • promover políticas públicas que insiram os adolescentes no mercado de trabalho na condição de aprendiz e com seus direitos trabalhistas;
  • fazer parceria com os agentes da saúde da família e com os professores, pois eles podem reconhecer facilmente casos de trabalho infantil;

E somamos as propostas construídas pela internet e por adolescentes de São Paulo e Bahia:

Reconheça o trabalho infantil

  • Vamos fazer com que as pessoas vejam as consequências do trabalho infantil doméstico. É um trabalho duro que tira a infância de milhares de crianças e adolescentes, principalmente das meninas. E pior: elas ficam mais expostas a maus tratos e a exploração sexual.
  • Queremos ter palestras e oficinas nas escolas de todo o país explicando o que é trabalho infantil e trabalho adolescente desprotegido e falar do trabalho aprendiz. Muita gente não sabe.
  • Não compre produtos nas ruas e nos sinais de trânsito, você não está ajudando os meninos e meninas que estão lá. Se você faz isso, só está contribuindo para a exploração deles.
  • Se na cidade já é difícil combater o trabalho infantil, imagine no campo? Queremos fazer caravanas para cidades do interior do Brasil e conversar com crianças e adolescentes como nós. Vamos fazer vídeos e mostrar como é a vida deles para que todos saibam e possam ajudar.

Questione o trabalho infantil

  • Precisamos quebrar o tabu de que trabalho infantil “ajuda” as famílias. É trabalho de meninos e meninas que deveriam estar na escola, sendo crianças e adolescentes. Dizer que “melhor estar trabalhando que roubando” ou “que já está encaminhado na vida” é uma ilusão.
  • Sabemos que a ligação da escola com a comunidade cria laços mais fortes com as famílias. Queremos fortalecer ainda mais esses laços entre família, escola e comunidade. Todos são responsáveis por nós.
  • Frases como “você só estuda?” “Não faz mais nada na vida?” não podem ser estimuladas. Estudar, ser criança e adolescente é um direito de todos nós.
  • Queremos a criação de um espaço para tirar as crianças das ruas e reintegra-las à escola. Um espaço que acolha esses meninos e meninas mostrando outras possibilidades e com investimento do governo e empresas. Todos podem ajudar.

Participe da erradicação do trabalho infantil 

  • Queremos centros de apoio em escolas e instituições para encaminhamentos e denúncias sobre trabalho infantil e trabalho adolescente ilegal. Os adultos também precisam denunciar. Discar 100 é uma forma.
  • Precisamos de mais escolas em tempo integral com esporte, lazer e cultura. Mais tempo nas escolas estudando e praticando esportes é menos tempo na rua.
  •  A escola precisa ser mais legal. Queremos escolas mais democráticas, abertas e participativas.
  • E para terminar, pedimos que olhem mais para o Estatuto da Criança e do Adolescente. Ele foi feito para ser cumprido. O que está lá é nosso direito e também o direito de milhares de meninas e meninos que estão trabalhando.

ªE sem mais ou menos, gostaríamos de agradecer a comissão organizadora do Encontro Nacional Preparatório da 3º Conferência Global de Erradicação do Trabalho Infantil. Mesmo com alguns constrangimentos conseguimos fazer este encontro inesquecível, lembramos que este encontro foi Preparatório para Conferencia, e que a conferencia  será 10 vezes mais inesquecível que este encontro. Além do mais, estamos em uma nação chamada Brasil, onde o povo é bastante acolhedor e cheio de ideias para compartilhar com o mundo. Esperamos que nossas Propostas sejam atendidas.

Rafael

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2 Comments

  • Quero aqui expressar minha felicidade em ver que existem jovens e adolescentes se esforçando para que o país vá para frente. parabéns pela iniciativa.******continuem assim!!!!!!*************

  • Muito bom. Que bom que existem jovens e adolescentes que estão preocupados em ter um país melhor, o que devemos fazer é abraçar essa causa muito justa. só assim o país vai para frente!!!!!!!

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