Comunidades pacificadas discutem temas da Rio +20

Por: Enderson Araújo

Com a Rio+20, a cidade do Rio de Janeiro recebe pessoas de diversas partes do mundo, e o foco maior é o que rola de atividades que acontecem no espaço Rio Centro. Entretanto, moradores de comunidades pacificadas resolveram se reunir e buscar junto aos órgãos governamentais a realização de atividades paralelas à Rio+20, com o mesmo tema da conferencia: sustentabilidade. Haverá atividades em diversas comunidades pacificadas, entre elas as favelas Chapéu Mangueira e Babilônia, onde as atividades acontecem nos dias 14 e 15 de junho. A galera da Agência Jovem de Notícias e o Correio Nagô foi conferir as atividades, e saber mais de perto como é a vivência dentro da comunidade.

Durante a manhã desta quinta-feira, 14 de junho, aconteceu uma roda de capoeira sustentável, com crianças de escolas da comunidade, no espaço recreativo CETEP Chapéu Mangueira, espaço construído para realização de atividades esportivas e cursos rápidos dentro da comunidade. Moradoras da comunidade colocavam em exposição produtos artesanais sustentáveis, produzidos por elas mesmas, como flores, sabonetes, comidas, expostos nas ruas. Entre as participantes, estava Mara Ludovice, responsável pela confecção de sabonetes produzidos com glicerina hipoalérgicas e extrato de manteiga, vendidos a preços que podem variar de R$4 a R$50.

Logo mais a frente, encontramos Dona Augustinha, uma das moradoras mais antigas e irreverentes da comunidade do Chapéu Mangueira. Vinda da Paraíba, nos anos 50, Dona Augustinha conta que ajudou a fundar a favela, junto com outros moradores. Ela nos convidou para ir até o espaço na comunidade onde realiza atividades, e durante a caminhada, foram apresentados vários lugares e pessoas. Diferentes assuntos foram tratados, desde sustentabilidade à pacificação da comunidade.

Uma experiência bem legal é a Lixeira Orgânica, onde os moradores jogam restos de lixo orgânico (verduras, legumes, frutas), e estes são reaproveitados como adubos nas hortas da comunidade. O projeto da lixeira contou com o apoio de empresas Chegando ao espaço onde Dona Augustinha faz ações na comunidade, ela mostrou os artefatos produzidos com barro, e apresentou, toda orgulhosa, o primeiro Jornal Comunitário da Favela Morro do Chapéu / Babilônia.

 

Não só polícia

“A pacificação tem dois lados: o bom e o ruim. O Estado se mantém presente nas comunidades com a Polícia, mas não trazem nenhum outro beneficio como cursos, mais escolas, mais acessibilidade em linhas gerais”, reclama o morador José Roberto. De acordo com os relatos que ouvimos, a pacificação nas comunidades pode facilitar o acesso de outras pessoas a circularem dentro das comunidades. Atualmente os turistas podem visitar as favelas, as drogas não têm tanta presença quanto antes, os traficantes não controlam mais a comunidade, e agora o domínio torna-se dos moradores. Como nos conta José Roberto, na chegada da Polícia Pacificadora houve abuso de autoridade por parte dos policiais, mas a integração da comunidade e os diálogos com representantes governamentais foram essenciais para a comunidade alcançar uma relação com os comandantes presentes, para que houvesse um consenso entre moradores e militares.

 

Na Favela Pela Primeira Vez

O argentino Franco Segesso, estava na comunidade do Chapéu Mangueira, e contou que tinha medo de pensar na ideia de entrar em uma favela, quando programava a viagem para o Rio de Janeiro. Ele disse que imaginava que as favelas eram perigosas, pois eram estas imagens que os filmes e a mídia em geral passam, e que ele estava surpreso. “Aqui você vê pessoas que trabalham e lutam pela melhoria do local onde moram, sem contar na vista maravilhosa que podemos ter daqui de cima”, anima-se o visitante.

Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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