Comunicação sustentável: como falar das mudanças climáticas

| Por: Juliana Winkel

Falar do tema mudanças climáticas é, por si só, uma tarefa complexa. Tanto pelos fatos em si – comunicar um desafio desta magnitude não é tarefa fácil – como pela linguagem (muitas vezes técnica, outras imprecisa) pela qual os fatos são divulgados. Porém, tão grande quando a dificuldade de comunicá-lo é também sua urgência, já que a conscientização, ação e pressão populares são elementos cruciais na luta para reverter o quadro crítico em que nosso atual modelo de desenvolvimento nos colocou.

Pensando nisso, o Centro de Pesquisas sobre Decisões Ambientais da Universidade de Columbia desenvolveu o guia A Comunicação das Mudanças Climáticas, voltado a todos os interessados em encurtar a distância entre a informação correta e seu público. A publicação reúne dicas importantes para os desafios mais comuns dessa comunicação. Veja um resumo de algumas delas:

  • Conheça sua audiência:Se este requisito é fundamental para comunicar qualquer coisa, se torna ainda mais estratégico ao tratar da mudança do clima. Ao ter contato com informações complexas, as pessoas costumam recorrer a modelos mentais pré-determinados que as auxiliem a definir riscos, ações e comportamentos. Ao mesmo tempo, tendem a procurar informações que confirmem esses modelos. Procure, então, descobrir quais equívocos o público traz em seus modelos mentais sobre mudanças climáticas e substitua-os por fatos novos, atualizados.
  • Conquiste a atenção do público: as pessoas se sentem mais motivadas quando seus objetivos coincidem com seu perfil pessoal.Prepare conteúdo identificado com as subculturas de cada grupo (crenças, etnia, classe, idade, gênero, profissão, etc.), destacando o papel determinante que cada um exerce na mobilização ambiental.
  • Transforme informações científicas em experiência concreta: psicologicamente, riscos distantes não disparam o mesmo alarme  que riscos imediatos. Ao mesmo tempo, imagens vívidas, metáforas, relatos pessoais, analogias com o mundo real e comparações concretas ajudam a trazer o tema para perto das pessoas. Ao falar sobre mobilização, reforce a ideia de que cada ação imediata trará grandes ganhos no futuro. E quando for necessário usar termos científicos, procure contextualizá-los e explicá-los.
  • Evite apelo emocional excessivo: Discursos inflamados ou repetitivos, muitas vezes, podem produzir efeito contrário ao pretendido, aumentando a dúvida ou a incredulidade e “anestesiando” a audiência em relação ao assunto. Quando falar sobre mudanças climáticas, seja objetivo em relação a dados: ajude o público a entender os graus de certeza ou incerteza de cada cenário. Em reuniões presenciais, deixe as pessoas à vontade para discutir e tirar dúvidas.
  • Incentive a mobilização pela mudança de hábitos:quando se trata de hábitos cotidianos, as pessoas muitas vezes tendem a adotar ações isoladas, sem observar o quadro geral de seus hábitos (por exemplo, trocar as lâmpadas por opções de baixo consumo, mas não atentar para processos possíveis de reuso da água ou de alimentos). Ou, muitas vezes, adotam sem questionar hábitos apresentados como a opção padrão da comunidade. Assim, destaque a importância de uma visão sistêmica de ação, além de estimular a mobilização pela a busca de opções padrão que sejam socialmente benéficas, envolvendo novas políticas públicas que envolvam toda a sociedade – por exemplo, o incentivo à produção de energia renovável, o uso de materiais biodegradáveis, a luta pela implantação de coleta seletiva e outros.

 

A escolha das estratégias corretas de comunicação pode fazer a diferença no alcance de projetos sobre o clima. Para conhecer em detalhes as sugestões do guia, baixe a publicação completa neste  link!

Agência Jovem de Notícias

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