Compro, logo existo: Resenha do filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”

Por: Vitória Soares da Agência Jovem de Notícias/ foto: Divulgação

Debater sobre a temática consumismo na juventude tem se tornado cada vez mais relevante devido ao aumento do número de jovens que frequentam as lojas em todo o país. Mas o que tem despertado nesses jovens uma sede pelo consumo?

As propagandas expostas incessantemente em todos os meios midiáticos  reforçam cada vez mais a relação entre a juventude e o consumo, e despertam o interesse pela compra: seja um tênis de marca, um celular de última geração ou aquele vestido usado pela atriz protagonista da novela das nove. Mas até onde o “ter” é mais do que o “ser” na sociedade?

Em outros casos, o desejo de se inserir em um determinado grupo faz com que esses jovens, que estão em constante formação, amadurecimento e busca de uma identidade, comprem produtos que não precisam ou que não gostam. Há também aqueles que compram pelo prazer que o consumo traz.

Uma realidade mostrada no filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom” (2009), o longa relata de forma descontraída o comportamento de uma compradora compulsiva: a jornalista Rebecca Bloomwood (Isla Fisher), que desde a sua infância era alvo das campanhas publicitárias: “Quando eu olhava para as vitrines, via outro mundo. Um mundo de sonho repleto de coisas perfeitas. Um mundo onde as meninas crescidas compravam o que queriam. Eram lindas como fadas e princesas. Nem precisavam de dinheiro, tinham cartões mágicos”, diz a personagem.

Anos depois, a jovem fica desempregada e com uma dívida enorme, passa os dias inventando desculpas para fugir das ligações de cobranças, finge se desfazer da maioria de suas roupas e mente para justificar o seu descontrole. Becky começa a frequentar um grupo de auto-ajuda para consumidores compulsivos e relata o quanto a sensação da compra lhe é prazerosa e agradável: “Eu gosto de fazer compras. Há alguma coisa tão errada nisso? As lojas estão lá para serem aproveitadas. A experiência é agradável. Bem, mais do que agradável. É linda! O brilho da seda ostentada num manequim. O cheiro do couro de uns sapatos italianos novos. A emoção que se sente quando se passa o cartão… Então é aprovado. E é tudo nosso! A alegria que se sente quando se compra alguma coisa, e é só você e as compras. Basta entregar um cartãozinho. Não é a melhor sensação do mundo? (…) Nós nos sentimos tão confiantes, vivos, felizes, e confortáveis.” Becky Bloom nos leva a reflexão de que o prazer é momentâneo.

As propagandas parecem conversar com a gente, transforma as nossas necessidades em um desejo e nos fazem acreditar que precisamos daquele produto, mas logo após adquiri-lo ele perde o seu valor: “Quando faço compras, o mundo fica melhor. O mundo é melhor. E depois já não é mais. E eu preciso comprar de novo.”

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