Competição entre os países durante as negociações

O ADP, Protocolo Durban, deve ser discutido durante a COP19 e estará
vigente a partir de 2020, uma vez que o de Kyoto perdeu sua validade.
Mas as negociações estão ainda distantes do consenso

Por Bruna Souza, da Delegação Jovem do Brasil na COP19*

Parece que as coisas não andam tão amenas nas negociações da ADP (Protocolo Durban) com foco em adaptação e mitigação por aqui. Ontem, fui à uma das reuniões de negociação e entre um comentário e outro dos países, a gente conseguia claramente perceber uma ou outra alfinetada e muita retaguarda entre as partes.

Havia, no telão, algumas perguntas que, de duas em duas, guiavam a conversa. Na hora de falar sobre mitigação, após ouvirem as questões, a princípio ficaram todos em silêncio, contidos, levando o vice-presidente a brincar: “então, ninguém quer falar sobre mitigação?”.

Como podemos potencializar e desenvolver mais as regras multilaterais no sistema de base considerando a mitigação? Que componentes e regras devem conter?

Que arranjos devem garantir que os compromissos entre as partes sejam ambiciosos de acordo com a ciência, equivalente e justo, ambos individualmente e agregados?

Depois, todos queriam dar sua opinião a respeito, a ponto de, a reunião que estava marcada para seguir até às 13h, ultrapassar 50 minutos do tempo previsto. A China foi a primeira a se pronunciar e, como disse, não tinha resposta para aquelas perguntas, mas sugeria que deveriam começar pelos princípios de equidade, e como não estava na pergunta (olha essa alfinetada!), seu representante complementava dizendo que deveria haver uma pesquisa de emissões históricas, ideia já apoiada por muitos outros países.

O Brasil, que também foi apoiado por outros países, disse que as regras deveriam ser feitas com todas as partes, e que a base desta segunda parte deveria ser o Protocolo de Kyoto. A Bolívia, concordando com o Brasil, disse que esta pesquisa de emissões históricas deveria ser feita de forma metodológica. Já a Nova Zelândia defendia que as regras fossem as mesmas para todos os países, o que claramente vai de encontro com o pensamento dos países que defendem as regras com base em emissões históricas. O discurso da Índia se diferenciava dos demais, por considerar que as regras não deveriam ser potencializadas, mas sim cumpridas, uma vez que são os países desenvolvidos que lideram as decisões. O pais pediu transparência.

O vice-presidente da COP encerrou a primeira parte desta negociação esperançoso de que as partes se respondessem mais entre si, e não só às questões postas em práticas, disse que o objetivo era este, mas que ainda havia um tempo para que isso acontecesse. Após sua última fala, convidou a todos para almoçar.

*A Delegacão Jovem do Brasil na COP19 é composta pelas organizações:  Viração
Educomunicação
, Engajamundo, Aliança Mundial das ACMs e Federação
Luterana Mundial
 
.

 

English

Competition between countries during negotiations

ADP, Durban Protocol, is being discussed during the COP19 and will be effective from 2020, since the Kyoto one lost its validity. But negotiations are far from consensus

By Bruna Souza , the Delegation of Youth COP19 in Brazil *

It seems that things are not so mild in the ADP negotiations focusing on adaptation and mitigation here. Yesterday, I went to one trading meeting and between a comment and another, we could clearly perceive either pinprick and rear lot between the parties.

There were, on the screen, two questions guiding the conversation. When talking about mitigation, after checking the questions, all of them were silent, leading the chair to play: ” so, no one wants to talk about mitigation?”.

How could we enhance and further develop multilateral rules on the based system considering mitigation? What components and rules should they contain?

What arrangements should ensure that commitments between the parties are ambitious according to science, fair and equal, both individually and together?

After, all parties wanted to give their opinion and the meeting that was scheduled to follow up to 1pm, have finished 50 minutes later. China was the first one to speak, and as I said, the country had no answer to those questions, but suggested that they should start by the principles of equity, and as the principle wasn’t in the question (look at this dig!), the country representative said there should be a complementary survey about historical emissions, idea already supported by many countries, but not much by the developed ones.

Brazil, which was also supported by other countries, said that the rules should be made with all parties, and that the basis of this second part should be the Kyoto Protocol. Bolivia, agreeing with Brazil, said this historical research about emissions should be made in a methodological way. While New Zealand argued that the rules should be the same for all countries, which clearly goes against the thinking of countries that defend the rules based on historical emissions. The discourse of India differed from the others by considering that the rules should not be boosted, but fulfilled, since there are the developed countries that lead the decisions. The country asked for transparency.

COP’s vice president ended the first part of this negotiation hopeful that the parties are going to talk more to each other, and not only to the questions posed in practice, he said that the aim was this one, but there was still time for it to really happen. After his last speech, he invited everyone to have lunch.

* The Brazilian delegation in the COP19 is composed by the organizations:  Viração
Educomunicação
, Engajamundo, Aliança Mundial das ACMs e Federação
Luterana Mundial
.

 

Evelyn Araripe
Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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