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Como as comunidades nativas e rurais peruanas cuidam do meio ambiente – Agência Jovem de Notícias

Como as comunidades nativas e rurais peruanas cuidam do meio ambiente

| Por: Ariele Pitruzzella, Edoardo Quatrale, Daniele Savietto e Sara Cattani, da Agência Jovem de Notícias

 

Já diria o poeta português Fernando Pessoa, “a melhor maneira de viajar é sentir. Sentir tudo de todas as maneiras. Sentir tudo excessivamente”. Então, quando estávamos no Peru, numa intensidade de sensações, envolvidos pelo calor da selva e admirados pelos incontáveis tons de verde da natureza que nos cercava seguimos a correnteza do rio e tivemos a oportunidade de chegar a comunidade nativa Ashaninkas, na selva Amazônica peruana.

Fomos recebidos com sorrisos, música, dança, presentes, frutas e carinho pelas pessoas das comunidades, que hoje sofrem diretamente as consequências ambientais que nosso sistema de vida gerou. Conversamos com vários líderes locais e famílias sobre suas perspectivas em relação as mudanças climáticas e também sobre os projetos que desenvolvem através da Organização Rede.

São mudanças que afetam diretamente seu modo de vida. Há cada vez menos animais, menos peixes nos rios, indicando que o sistema de vida que funcionou durante gerações precisa ser mudado, pois suas consequências são imutáveis.

A Associação Redes, que foi nossa ponte para as comunidades, tem como principal objetivo ajudar as comunidades a desenvolverem autonomia para que, através de cooperativas, possam investir em qualidade de vida, saúde e educação. Como estratégia implantaram um sistema chamado “banquitos”, que visa estimular os participantes a poupar seu dinheiro para objetivos maiores em seu futuro.

Na comunidade Ashaninka,  uma das maneiras de conseguir dinheiro é através do trabalho agrícola. As famílias da comunidade funcionam como cooperativas de trabalho, escolhem um alimento para o plantio, como café ou limão, cultivam de maneira totalmente orgânica e depois, com ajuda do projeto, vendem seus produtos.

Existem inúmeras dificuldades, entre elas podemos destacar o impacto de pesticidas usados em um plano governamental com o intuito de acabar com plantações de coca destinadas a produção de drogas, mas que se alastram e chegam até as plantações comunitárias, trazendo consequências que vão além da destruição do plantio. O Estado sabe destas implicações porém se abstém oferecendo dinheiro aos nativos.

Além das comunidades nativas da selva amazônica, também visitamos comunidades rurais que vivem nas serras que cercam a cidade de Huancayo. Mais uma vez fomos recebidos com carinho e atenção.

Indo na contramão das grandes corporações e ruralistas, e servindo como exemplo, as famílias optaram pela agricultura 100% orgânica. Elas investem no cultivo de plantas nativas, acreditando que no futuro as pessoas farão a opção pelo produto orgânico e não pelos transgênicos que hoje invadem nossos supermercados.

A rápida visita serviu como exemplo e inspiração, pensar alternativas e ver os impactos junto as pessoas talvez seria a reposta para acelerar um processo tão lento e moroso como o que acontece nas salas da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), onde negociadores se fecham em ambientes climatizados para pautarem as regulações de maneira tão tímida para os países. Talvez se as reuniões acontecessem junto as pessoas, em suas comunidades, no coração da selva, não só poupariam os milhões gastos em infraestrutura como poderia ser a motivação que falta para um acordo ambicioso e eficaz em que o ser humano seja a preocupação número um.

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