Carnaval sem assédio

Por: Phernanda Coelha, da Agência Jovem de Notícias/Foto: Fernando Maio 11/02/2016

Por todo país, os bloquinhos de rua têm feito o maior sucesso no carnaval. Só em São Paulo, já foram 2 milhões de foliões nas ruas segundo a Prefeitura. E no meio de tanta gente é difícil acreditar que não aconteçam assédios contra mulheres. Puxão de cabelo, braço e até fantasia de apelo machista são formas de agressão, muitas vezes confundidas com flerte ou simplesmente uma maneira de “chamar a atenção”.

No Brasil, durante os quatro dias de folia em 2017, as denúncias de violência sexual contra mulheres aumentaram em 90%. De acordo com a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal, a Central telefônica “Ligue 180” registrou 2.132 ocorrências. Quase metade dos casos foram denúncias de violência física e/ou sexual.

Ano passado, a Prefeitura de São Paulo lançou a campanha “Já acabou, Jéssica?”, termo que viralizou nas redes sociais após um episódio de agressão em uma escola em Minas Gerais. A campanha causou polêmica nas redes sociais ao sugerir que as mulheres não deveriam brigar e confrontar o indivíduo mediante alguma situação de abuso ou assédio, já que isso estragaria a folia.

Para se retratar foi posta no lugar uma segunda campanha com a frase “Insistir é constrangedor. É ASSÉDIO é CRIME” além de um pedido de desculpas e uma tentativa de defesa, dizendo que a campanha “Já acabou, Jéssica?” era para todos, homens e mulheres.

Já no carnaval de 2018, a prefeitura de São Paulo resolveu deixar o assunto de lado e exaltar nas Redes Sociais e noticiários o número recorde de bloquinhos. O assunto principal é a grande quantidade de banheiros químicos que serão espalhados e a multa de R$500,00 para quem for pego urinando na rua, além de uma campanha contra o trabalho infantil no carnaval.

Embora este ano o assédio no carnaval tenha sido pouco abordado pelo poder público em São Paulo, uma iniciativa coletiva tem chamado a atenção dos foliões nos primeiros dias de festa. Trata-se da campanha “Não, é não!”, idealizada por quatro amigas que, cansadas dos relatos de assédio, resolveram tirar o projeto do papel. Após arrecadar mais R$25.000 através de um financiamento coletivo, a campanha passou a distribuir tatuagens temporárias com o mote “Não, é não!” durante os blocos. Até o momento, sete cidades foram contempladas, entre elas São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, conhecidas como o fervo da festa popular.

A prefeitura não se pronunciou em relação a realização de uma campanha ou ação contra assédio durante carnaval

Caso a mulher seja vítima de algum assédio ou qualquer tipo de violência, ela pode procurar ajuda e fazer denúncia em uma das 133 Delegacias de Defesa da Mulher, que conta com atendimento especializado. A denúncia, entretanto, também pode ser feita em uma delegacia comum.

É sempre importante lembrar que todos temos a liberdade de existir e nos vestir como quiser, nossas escolhas e nossos corpos SEMPRE devem ser respeitados.

 

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