Carajás 30 anos: um legado negativo no Pará

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Karla Gouvêa, Jairo Amaral, Sidney Silva e Diego Teófilo , Jovens Comunicadores da Amazônia) | Imagem: Wilson Dias/ABr

Durante os dias 09, 10 e 11 de abril, aconteceu, no Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Pará (UFPA), o Seminário Regional Belém Carajás 30 anos. O evento reuniu militantes dos movimentos sociais, os quais debateram sobre os grandes “projetos de desenvolvimento” existentes na Amazônia, aprovados pela Constituição do Estado. O seminário ocorrido em Belém se constitui como uma das etapas do Seminário Internacional Carajás 30 anos, que será realizado de 05 a 09 de maio, na Universidade Federal do Maranhão, em São Luís (MA).

Durante os três dias do evento, vários foram os debates e reflexões realizadas por meio de mesas, entre elas “A Amazônia no contexto da acumulação do capital”. De acordo com o professor Aluísio Leal, da UFPA, a acumulação do capital na Amazônia passa pelo contexto histórico das “drogas do sertão”. “Fomos colonizados por povos espanhóis acientíficos e atecnológicos. O uso dos recursos naturais se destinou a servir as bases industriais. A região amazônica é vista como um grande negócio principalmente pelos norte-americanos. A mundialização do consumo de massa passa por uma economia estratégica”, disse o professor.

Ainda segundo Leal, o Brasil é uma potência natural, a partir daí começa um processo de regressão econômica, pois surge o agronegócio e a responsabilidade central de abastecer o mercado internacional. “Temos a maior reserva natural do planeta, com isso temos que rever nossas atitudes por meio de iniciativas populares junto a outros movimentos”, complementa o professor.

Um dos pontos destacados no encontro foi a diversidade de mazelas sociais, devido ao fato de as cidades mais novas terem sido construídas às margens de estradas, desta forma, são presenciados assassinatos, violência contra a mulher, problemas na educação, saúde, segurança, alimentação, miséria em comunidades locais, indígenas, ribeirinhas e quilombolas. Tudo isso é algo desafiador para os movimentos sociais na construção e fortalecimento da identidade amazônica.

O segundo dia de evento foi dedicado à realização de oficinas temáticas. De acordo com a  advogada da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Anna Claudia Lins, facilitadora da oficina “Criminalização dos Movimentos Sociais”, “o conceito de criminalização está em constante construção pelos acadêmicos, essa construção não tem reconhecimento jurídico. Existem vários tipos de descriminalização e processos contra os movimentos sociais, dentre eles a difamação de defensores dos direitos humanos e movimentos sociais, ocorre entre os grupos econômicos contra pessoas que resistem. A mídia está do lado desses grupos econômicos”, informou.

No terceiro e último dia de encontro, a professora Sônia Maria Simões Barbosa Magalhães Santos, da UFPA, destacou que “até 2020 há uma previsão de construir várias hidroelétricas na Amazônia”. A este fato a professora denomina de maratona de mega watts. Nesse sentido, ela considera importante intensificar o processo de mobilização contra as barragens na região.

Ao final do evento, Ulisses Manaças, dirigente do Movimento Sem Terra, deixou um recado para a juventude amazônica. “A  luta por terra e reforma agrária para toda a sociedade se torna frente de resistência com o engajamento da juventude das periferias urbanas. Esta juventude, mesmo marginalizada e sofrendo pela falta de políticas públicas, conseguiu mudanças radicais na transformação do país, como a derrubada da ditadura militar, o “Fora Collor”, “Diretas Já”. É necessário que a juventude esteja presente nas comunidades indígenas, assentamentos, quilombolas, bairros e distritos”.

Como resultado das discussões, os participantes produziram uma carta, apontando reflexões sobre o processo de implantação do Projeto Grande Carajás. Acesse o documento na íntegra pelo site.

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