Brasil é o país que mais mata LGBT no mundo e os números assustam

Pedro Neves, da Redação | Gráficos: Pedro Neves, Grupo Gay da Bahia e TMM | Vídeo: La Caja De Arena | Foto: Divulgação

Vídeo bruto do atentado em Orlando, nos EUA:

 

Um homem de identidade ainda não confirmada alvejou uma boate em Orlando, nos Estados Unidos, e atirou nos presentes. Segundo a imprensa e as autoridades locais, 50 pessoas foram mortas e outras 53 feridas até o momento, porém, a todo instante, mais vítimas são identificadas.  A imprensa local informou ainda que a motivação do agressor era de caráter homofóbico, diferente do que a grande mídia vem circulando, abordando o ato como terrorista.

“Acredito que esse ataque foi fruto de um contexto de ódio e intolerância a diversidade e a população LGBT como um todo. Isso é reflexo da homofobia no mundo, através do momento conservador cotidianamente que vivenciamos através de políticos, religiosos e outros líderes, que pregam a discriminação e o preconceito em suas palavras”, conta Diego Callisto, ativista da causa LGBT que mora nos EUA.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, classificou neste domingo (12) o ataque como “horrível” e manifestou um comunicado publicado pelo seu porta-voz: “Ele estende suas mais profundas condolências às famílias das vítimas e manifesta a sua solidariedade com o governo e ao povo dos Estados Unidos”.

Apesar do episódio trágico, pouco se fala dos números alarmantes de assassinatos de LGBT no Brasil. Um relatório anual publicado pelo Grupo Gay da Bahia, que acompanha o assassinato da população LGBT no Brasil desde 2005, evidencia uma realidade ainda mais catastrófica quando analisamos a situação até 2012, ano do último relatório divulgado.

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São Paulo lidera a lista de estado que mais mata LGBTs, com um número cinco vezes maior da primeira pesquisa (foram nove mortes em 2005 e quarenta e cinco em 2012). Apesar do Estado se destacar em relação aos outros, o crescimento de mortes é unânime em todas as capitais, ou seja, não foi registrada queda comparando 2005 com 2012, pelo contrário, os números no mínimo dobraram.

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Quando separamos por faixa etária, impressiona o crescimento entre 19 e 30 anos, que de 15 mortes em 2005 teve 127 em 2012, um aumento de quase nove vezes. Para finalizar a catástrofe, um levantamento feito pela Transgender Europe’s Trans Murder Monitoring (TMM) Project, que luta pela igualdade Trans na Europa e no mundo, mostra que o Brasil é o país que mais mata Transexuais. Como mostra o gráfico, são três vezes mais assassinatos que o segundo colocado, o México.

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Fazendo uma comparação do país com os EUA em mortes de Transexuais entre 2008 e 2015, os números destoam de forma abrupta, enquanto o norte-americano não tem uma variação muito significante, o Brasil conta com centenas de mortes a mais.

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Por isso, quando um desastre LGBTfóbico atinge os EUA e nos comovemos, precisamos nos conscientizar que a realidade do Brasil é a dura e assassina de todo o mundo quando a questão é LGBT.

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