Bate papo sobre juventude e participação

 

Durante a 2ª Conferência da Juventude da cidade de São Paulo, os jovens da Plataforma dos Centros Urbanos e da Agência Jovem de Notícias bateram um papo com Carlos Eduardo Siqueira, 26 anos, integrante da União da Juventude Socialista – UJS. Confira o que rolou na conversa.

Por: Gutierrez de Jesus Silva e Tamires Ribeiro

 AJN: Qual é o seu ponto de vista comparando a primeira Conferência da Juventude na cidade de São Paulo para a segunda?

Carlos Eduardo: A primeira Conferência foi mais para constituir o conceito de juventude, pois a gente não debatia muito, nós não participávamos muito. A primeira Conferência veio para consolidar a participação, discutir o porquê de debater políticas publicas de juventude e foi esse debate, mais geral, que encaminhou algumas coisas que eu acho, que acabou não se efetivando. Agora – na segunda Conferência – precisamos conquistar essas políticas públicas de juventude, é preciso ter Conselho Municipal de Juventude, coordenadoria e secretaria municipal de juventude. Eu acho que nessa segunda Conferência nós precisamos implementar de fato essas políticas públicas, essas bandeiras, tanto é que está escrito lá no texto base que esse é um momento de lutar, de seguir em frente, colocar em prática.

 

AJN: Em sua opinião como foi a mudança da participação da juventude entre as duas Conferências?

Carlos: Então, eu estou acompanhando várias Conferências pelo estado né? Eu moro aqui na cidade de São Paulo e vejo que diminuiu muito a idade dos participantes, por isso, às vezes, a Conferência parece com a da Criança e do Adolescente. Mas, acho que é um desafio. Isso obriga a gente a buscar mais a participação de uma parcela da juventude, que representa hoje e a maioria da população brasileira. São cinquenta milhões de jovens entre 15 e 29 anos, então é preciso intensificar o compromisso da galera dos 18 aos 29 anos.  Mas, claro, sem se esquecer dos mais jovens, nós temos meio que formar essa galera para serem os multiplicadores das próximas Conferências. Assim, o cara que participou com 15 anos dessa Conferência em 2011, vai participar no mínimo de sete, oito ou até 10 conferências nos próximos anos. Eu já tô ficando velhinho, vou participar só de mais uma, por isso eu considero um desafio importante esta participação, ter jovens multiplicadores e a gente poder até propor aqui a criação de um grupo de multiplicadores, para permanecer o debate da Conferência nos próximos dois anos.

 

AJN: Você acha que a juventude está tendo mais liberdade de falar, buscando interesse, lutando pelos seus direitos como na questão do grêmio, que foi o debate central desse eixo [Juventude e Participação]? Você acha que eles estão lutando mais pelo o que querem?

Carlos: Acho que da nossa parte sim. Temos uma luta maior por participar desde a democratização do Brasil. A gente, depois de 84 e 85, a gente tem participado mais. Eu acho que o poder público tem feito menos, mesmo já tendo feito muito – pois nunca teve tantas políticas públicas no país. Tem a Secretaria Nacional de Juventude, tem o Conselho Nacional, têm essas coisas todas, mas eu acho que ainda falta o governo fazer mais, abrir mais canais, por que às vezes o canal é assim: uma Conferência Municipal. Então, a gente vem aqui participar dessa Conferência, mas não tem o desdobramento no dia-a-dia. A escola, por exemplo, precisa democratizar mais, deixar o grêmio ter liberdade. Onde eu estudo não tem grêmio, a gente tenta mais não consegue.

Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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