Basta de extermínio da nossa juventude!

A caminho da Audiência Publica com o tema Casos de Extermínio de Jovens no Estado de São Paulo que aconteceu nessa quinta-feira 26, me peguei pensando se seria mais um encontro onde a sociedade civil estaria num numero reduzido para participar. Me enganei!

O Auditório do Ministério Público Federal ficou pequeno para o número de pessoas que foram a Audiência.

Movimentos, organizações, policiais militares, vereadores, conselheiros, e sociedade civil, todos juntos para se manifestar, além de sugerir propostas para serem levadas ao Legislativo.

Representantes de movimentos puderam, por ordem de inscrição, se pronunciar. Falas um tanto indignadas como a de Débora da Associação Mães de Maio. “Pagamos impostos de balas que matam nossos filhos”.  E a de Stella de Osasco, “Infelizmente a cultura do matar está impregnada na polícia militar”, desabafou.

Dados foram levados por algumas pessoas que puderam falar na mesa. Estatísticas internacionais apontam que o número total de mortes violentas era pra ser de no máximo 3%, mas, em São Paulo o índice é de 20%.  Por essa, entre outras razões, a ONU (Organização das Nações Unidas) pediu a extinção dessa política. E enquanto a Audiência acontecia, mais um jovem foi morto em Santos, Bruno, para o aumento dessa estatística.

Representantes da policia militar foi vaiado pelo auditório quando disse que a policia há cem anos serve com integridade essa “gente” (de forma mesquinha) que não dá valor. Alguns vereadores se retiraram de Auditório, pois não esperaram sua vez de falar e saíram batendo boca com o mediador,  que em defesa disse  “em tese estamos numa democracia”.

Os PMs que ali se encontravam não tiveram voz, os familiares que falavam por eles. Motivo? Seriam punidos se se pronunciassem. A esposa de um PM disse: “Vários atos de abusos não podem ser generalizados. Há muitos policiais bons sim. Como tem médicos ruins, políticos ruins e isso são em várias profissões, mas também há pessoas boas” e concluiu “o Estado, como abandona vocês abandonam a gente”.

Aos poucos o Auditório foi se esvaziando, mas algumas propostas foram sugeridas: Federalização da execução penal; proibir investigações que envolvam policiais serem feitas por policiais; Controle social sobre essa investigação; Rever o uso disciplinar sobre a força excessiva aplicada; Trabalhar com policias formação continuada; Suporte psicológico e mecanismo  de supervisão aos policiais; Mudar os indicadores de supervisão; Nova política em relação as drogas; Reformular as seleções de concursos públicos para agentes militares; Expansão do Pro-vista; Transparência aos dados; Plano de afastamento de policiais em casos de morte; Revisão do arquivamento; Extinção dessa política centenária.

Espero, como a sociedade civil, ter pelo menos algumas dessas propostas levadas à sério pelo Estado e que garanta a todos os jovens e a toda a sociedade uma política de proteção que é um dos Direitos Humanos.

 

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