Ativista da justiça e fé

Sheila Manço dos Santos, do Virajovem Goiânia (GO)
Ilustração de Novaes, colaborador da Agência Jovem de Notícias

Atuante na Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação, a Irmã Dorothy Mae Stang, mais conhecida como Irmã Dorothy foi uma missionária estadunidense que naturalizou-se brasileira, atuante nos movimentos sociais paraenses e, sobretudo, com os trabalhadores rurais da Região do Xingu. Com coragem e determinação, lutou pela garantia de direitos dos trabalhadores do campo da região da Transamazônica, no Pará. Defensora de uma reforma agrária justa, empenhou-se na busca de soluções para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica.

Irmã Dorothy nasceu em Dayton nos Estados Unidos, no dia 7 de junho de 1931 e foi assassinada em 12 de fevereiro de 2005 em Anapu (PA). Irmã Dorothy ingressou na vida religiosa 1948, emitindo seus votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência em 1956, na congregação das Irmãs de Nossa Senhora de Namur, fundada em 1804.

Sua atuação no Brasil teve início em 1966 na cidade de Coroatá, no Maranhão. Fundou a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica, que corta ao meio a pequena Anapu. Era a Escola Brasil Grande. Sua atuação junto aos trabalhadores do campo despertou a ira de muitos que viam o seu trabalho pela reforma agrária como uma ameaça a interesses gananciosos.

Conforme veiculado pela mídia em 2005, a Irmã Dorothy Stang foi assassinada com sete tiros, aos 73 anos de idade, na manhã do dia 12 de fevereiro daquele ano em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros do município de Anapu (PA). É ali que seu corpo está enterrado e recebe as homenagens de muitos que nela reconhecem as virtudes heroicas da matrona cristã.

De acordo com uma testemunha, antes de receber os disparos que acabariam com sua vida, indagaram se Irmã estava armada, ela afirmou: “Eis a minha arma!” e mostrou a Bíblia Sagrada. Leu ainda alguns trechos da Sagrada Escritura para aquele que logo em seguida lhe mataria. Consta que os envolvidos na morte de Irmã Dorothy foram presos, julgados e condenados.

Pode se dizer que a irmã Dorothy viveu intensamente a palavra oração. Ela não ficou apenas dentro das igrejas, mas sobretudo vivenciou a ação, lutando por aqueles que muitas vezes têm sua voz silenciada. Dorothy pode ter sida calada fisicamente, mas sua morte fez ressoar aos quatro cantos do mundo a situação de quem luta pela igualdade de direito, inclusive o de ter direito de ter onde morar e produzir, não deixando este direito nas mãos de uma minoria econômica.

Texto publicado na edição nº 82 da Revista Viração, em março de 2012

 

 

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