Criada em 1945, a ONU é responsável pelas negociações entre nações: Mas por que nos importamos?

Débora Leão e Raquel Rosenberg, colaboradoras da Agência Jovem de Notícias

O meio século que viu duas guerras mundiais testemunhou atos desumanos que significavam enormes retrocessos na luta por reconhecimento de que todos os homens têm direitos fundamentais. O mundo estava desesperado por mudança. Foi nesse contexto que, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) foi formada com o propósito de promover a paz e ser uma plataforma de diálogo entre países. A Organização pretendia “reafirmar a fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e valor da pessoa humana”. A Carta das Nações Unidas, no entanto, não explicitava quais eram esses direitos que se aplicam a absolutamente todos. Para isso, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi assinada em 1948.

Mas se essa Declaração continha o direito à alimentação e abrigo, por que 16 mil crianças morrem de fome todos os dias? Se tratava do direito à liberdade de expressão, por que milhares estão aprisionados hoje por dizerem o que pensam? Se todos têm direito à educação, por que mais de 1 bilhão de adultos ainda são incapazes de ler?

Quando assinada, a Declaração não tinha a força de uma lei e, infelizmente, ainda representa pouco mais do que palavras em uma página. A questão é: quem transformará estas palavras em realidade se a ONU não tem o poder de sanção, ou seja, não tem a capacidade de impor as decisões tomadas em seu âmbito? A resposta é simples. São pessoas que recusam-se a ficar em silêncio e que acreditam que documentos, convenções, tratados e acordos não são apenas palavras em uma página, mas escolhas que fazemos todos os dias enquanto seres humanos. São as responsabilidades que todos nós compartilhamos – respeitar, ajudar e proteger uns aos outros e o planeta em que vivemos.

Apesar de todas as suas imperfeições, a ONU é a maior plataforma de diálogo e compartilhamento de informações para chegarmos a acordos sobre como resolver questões de importância global. Encontros promovidos nessa esfera resultam em instrumentos legais, programas de ação e declarações políticas que impactam nossas sociedades localmente. Portanto, os compromissos firmados devem incorporar não só a visão das nações ali presentes, mas dos diferentes grupos sociais que as compõem. Para utilizar esta plataforma a nosso favor, precisamos entender melhor como podemos influenciar seus processos de tomada de decisão.

É com esse entendimento que os jovens que participam do Engajamundo se propõem a acompanhar as conferências que acontecem nessa esfera. Os temas que nos inspiram são aqueles que aflingem a juventude diretamente, por isso focamos o nosso trabalho nas discussões relacionadas ao meio ambiente, ao desenvolvimento social e às questões de gênero.

Uma vez por mês assinaremos esta coluna, buscando explicar como ocorrem os processos da ONU, contar o que está acontecendo nas negociações internacionais e por quê. Vamos falar também do que o Brasil está fazendo para tornar seus compromissos realidades e das iniciativas de jovens brasileiros que lutam para não deixar que estes sejam só palavras em uma página de papel. Jovens que, como nós, querem que as políticas públicas os representem. Afinal, são essas as políticas implementadas em nossas cidades e bairros, afetando diariamente a vida de cada um de nós.

Dica de filmes:

Confira duas produções que tratam sobre a influência de jovens nas negociações internacionais: Em A Batalha de Seattle, de Stuart Townsend, ativistas elaboram uma ação para tentar impedir a realização de um encontro entre os líderes mundiais; Já em A Garota do Café, do diretor David Yates, a personagem principal busca influenciar um dos negociadores de uma conferência, convencendo-o de sua posição por meio de conversas informais que acontecem do lado de fora dessa reunião.

Liderada por jovens, Engajamundo é uma organização que acredita no poder da juventude para superar os desafios contemporâneos. Por isso busca informar, capacitar e engajar os jovens brasileiros, tornando sua participação em negociações internacionais mais efetiva e inclusiva. A proposta é trabalhar com alguns dos temas mais importantes para a juventude, meio ambiente, gênero e desenvolvimento social, aproximando do cotidiano as decisões tomadas nas conferências internacionais. O Engajamundo está aberto a todos os jovens interessados em agir por um mundo mais participativo, inclusivo e sustentável.

 

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1 Comentário

  • Nossa, parabéns Engajamundo! Ótimo texto! Orgulho fazer parte deste projeto! \o/

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