As mulheres jovens exigem respeito

Por: Iara Amora dos Santos, do Núcleo de Mulheres Jovens da Casa da Mulher Trabalhadora

Até o seu terceiro dia a 2ª Conferência Nacional de Juventude parecia dominada pelas pautas e “gritos de guerra” de movimentos estudantis e partidários. Até então, as discriminações e demandas vivenciadas especificamente pelas mulheres jovens ficaram limitadas ao Grupo de Trabalho sobre Gênero, os outros debates e mesas pareciam ignorar este contexto.

Mas enganaram-se aquelas que pensaram que as mulheres jovens participantes desta conferência não estavam atentas! Na manhã de domingo, em pouco mais de uma hora, jovens feministas de diversos movimentos juntaram-se para dar um recado à Conferência: Não aceitaremos nenhum tipo de violência contra as mulheres!

O ato foi organizado em resposta à violência sofrida por uma jovem participante da conferência. A mesma foi abordada e insultada por um grupo de cerca de 20 homens, todos delegados da Conferência Nacional de Juventude, que também estavam abordando taxistas para que levassem profissionais do sexo ao hotel em que estavam hospedados.

Com esta ação, as jovens presentes visavam denunciar esta situação de violência, que é mais uma demonstração das violências e desigualdades vivenciadas cotidianamente pelas mulheres jovens; para exigir providências da Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Juventude e dizer a todas os participantes da Conferência que a violência contra as mulheres não será tolerada em nenhum espaço, muitos menos em um espaço de discussão de políticas públicas, que deve ser plural e igualitário.

As mulheres jovens participantes deste ato denunciaram também a invisibilidade do gênero feminino nos documentos da Conferência, em quais foram adotados exclusivamente a linguagem masculina. Denunciamos: “Não nos reconhecemos nessa linguagem”. Outra reivindicação foi a legalização do aborto.

As falas e “gritos de guerra” somaram-se às reivindicações e discussões realizadas no GT de Gênero, no qual foram eleitas como prioridades: a legalização do aborto, o combate a violência contra a mulher e o enfrentamento da exploração sexual.

Que os gritos das mulheres jovens – nossos gritos – ecoem não só nos corredores desta Conferência, mas por toda a sociedade: as mulheres jovens exigem respeito!

 

 

Evelyn Araripe é jornalista e educadora ambiental. Foi educomunicadora na Viração Educomunicação entre 2011 e 2014. Atualmente vive na Alemanha, onde é bolsista do programa German Chancellor Fellowship for tomorrow’s leaders e administra o blog Ela é Quente, que conta as histórias de vida de mulheres que estão ajudando a combater os efeitos das Mudanças Climáticas ao redor do mundo.

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1 Comentário

  • Catitita que deledcia de homenagem!um beijo e0s lideznas de Floripa.Mulheres que dividem um amor em comum comigo, o prazer de viver a sensae7e3o de tempo presente que a dane7a proporciona.

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