ARTE PARA ENFRENTAR OS ESTIGMAS DO HIV

A trajetória de artistas do brasil e do mundo  refletem e comunicam a Aids em suas obras no enfrentamento dos estigmas da Aids.

A arte contemporânea, brasileira, latino-americana e global, têm nos permitido registrar, de forma geral, uma multiplicidade de possibilidades e modos de comunicar; entendendo a comunicação e a arte como forma como nos tornarmos visíveis e representarmos nossas experiências para o mundo exterior, mas também como uma ferramenta pedagógica que revela as complexidades das interações humanas de nosso tempo.

Para esta fotorreportagem, pesquisamos as obras de sete artistas de Argentina, Brasil, Espanha, Estados Unidos e Venezuela, que refletem e comunicam sobre o HIV e seus estigmas. Por meio de sua trajetória, estes artistas ajudam a contar a história dessa epidemia e discutem outras questões importantes que estão presentes quando falamos sobre a Aids.

1. “Efectos secundarios”, 2018

Por Carlos Eduardo Araujo, 1972, Caracas, Venezuela.

46 bulas de medicamentos antirretrovirais costuradas com intervenção em serigrafia. Tamanho real: 290 cm x 420 cm / Divulgação @arqchivorarx

Carlos usa a arte – fotografia, peças gráficas e pintura, principalmente – para tratar de temas diversos. A peça, intitulada “Efeitos Secundários” feita com 46 bulas de medicamentos antirretrovirais, costuradas e descosturadas várias vezes entre si, com intervenção em serigrafia de palavras qualificadoras carregadas de preconceitos e desinformação sobre gênero e sexualidades (#tercersexo #homosexual #lesbiana #marico #marimacha #hermafrodita) em espanhol e várias línguas indígenas. A junção destas palavras tornam visível uma outra – WARAO – denominação de indígenas venezuelanos que estão desaparecendo pela falta de acesso ao tratamento e assistência médica adequada ao HIV e à Aids.

Carlos Eduardo Araujo criando a peça artística / Arquivo pessoal do artista.

Saiba mais sobre o artista: Carlos Eduardo Araujo (@araujovisual):

2. “Soropositiva”, 2019

Por Micaela Cyrino, 1988, São Paulo, Brasil.

Serigrafia sobre linho. Tamanho real: 35 cm x 35 cm. Foto: OMA Galeria/ Reprodução

A artista desenvolve uma produção artística que reflete sobre os estigmas e preconceitos em relação a Aids e ao HIV. Sao pinturas, performance e intervenções na rua, em abordagens sobre corpo negro positivo e seus atravessamentos. Integra o Colectivo Nacional Trovoa, levante de mulheres racializadas nas artes. Em soropositiva, Micaela usa serigrafia sobre tecido para compor a tela.

Saiba mais sobre a artista em Micaela Cyrino (@micaelacyrino):

3. “Chupa essa manga”, 2015-2017

Por Franco Fonseca, 1997, Natal, Brasil.

 “Chupa essa manga”. Fotoperformance. Fotografia: 60 cm. x 90 cm. Acervo pessoal do artista.

Franco Fonseca é professor, performer, artista visual e pesquisador. Investiga interfaces da Aids nas artes desde 2015, refletindo sobre processos criativos de artistas que vivem com HIV no Brasil.

Entender que a Aids como o tema deve escapar do domínio restrito e técnico das áreas médicas é o que escoa pelos símbolos, imagens e potência dessa investigação no trabalho “Chupa essa manga”. Materializando metáforas de enfrentamento ao controle dos desejos e das sexualidades dissidentes, a manga como fruto proibido, mas também como fruto do conhecimento, autoconhecimento, o corpo positivo com autonomia de seus desejos e afetos no mundo.

Saiba mais sobre Franco Fonseca em Afeto Colateral (@afetocolateral):

4. “Chile Returns Aids”, 1994. Gay Pride en Nueva York

Por Pedro Lemebel, 1952 – 2015, Santiago, Chile.

Registro da performance do artista. Acervo @arqchivorarx

Pedro Segundo Mardones Lemebel foi um artista plástico, ensaísta, cronista e romancista chileno. Abertamente gay, ele era conhecido por sua crítica ao autoritarismo e por sua descrição humorística da cultura popular chilena.

Em 1994, durante a Parada do Orgulho Gay de Nova York, Pedro Lemebel realizou uma performance na qual se apresentava usando uma auréola de seringas e carregando um banner com o texto “Chile Return AIDS”, em inglês. A performance foi uma denúncia da evidente desigualdade social entre o Norte e o Sul global no enfrentamento da pandemia de HIV.

5. “HIV REJECTED”, 2019

Por Miguel Andrés, 1982, Murcia, Espanha.

Fotoperformance “HIV REJECTED”. Foto: Álvaro Crivillés / Reprodução

Miguel Andrés é um artista e pesquisador existencialista espanhol.

Embora o HIV nos últimos anos tenha se tornado uma doença controlada e inúmeros estudos mostrem que o tratamento eficaz evita que as pessoas que são portadoras transmitam o vírus, a sociedade ficou para trás. Corpos soropositivos enfrentam rejeição em todas as interações pessoais quando essa condição é ou precisa ser revelada. Isso leva as pessoas soropositivas a vivenciarem sua soropositividade com angústia, ocultação e medo.

Saiba mais sobre Miguel Andrés no site e em seu Instagram Miguel Andrés (@himiguelandres):

6. “Coctel”, 1996

Por Alejandro Kuropatwa, 1956 – 2003, Buenos Aires, Argentina.

 Uma das fotos da coleção ‘Coctel’. Reprodução da internet.

Alejandro Kuropatwa foi um fotógrafo argentino de família judia. Em 1996, Kuropatwa passou um período em uma clínica de reabilitação para pacientes com Aids na Califórnia. Lá ele começou a tirar fotos dos comprimidos que estava tomando. Assim nasceu a coleção Coctel, uma série de fotos que registrava sua dieta diária de comprimidos para tratar o HIV. As fotos dos coquetéis se tornaram um símbolo global de esperança na luta contra a doença.

Saiba mais sobre o artista visitando os sites dos museus MoMA e MALBA.

7. Ignorance = Fear”, 1989

Por Keith Haring, 1958 – 1990, Nova York, Estados Unidos.

Cartaz “Ignorance = fear”. Reprodução da internet.

Keith Haring foi um artista americano cuja arte pop e trabalho semelhante ao grafitti surgiu da cultura de rua da cidade de Nova York dos anos 1980. Ele foi um ativista e um dos primeiros artistas abertamente homossexuais.

Haring usa os códigos gráficos do mundo capitalista para comunicar ideias capazes de destruir seu dogma branco e heterossexual. Neste poster, ele fala sobre a equivalência entre a desinformação e o medo do HIV. Atualmente existe uma fundação com seu nome.

Saiba mais sobre Keith Haring aqui.

Este conteúdo foi produzido pelos jovens participantes do Núcleo de Artes do projeto Combinado Coletivo, idealizado e implementado pela Viração Educomunicação. A pesquisa e seleção dos artistas foi realizada pela turma, com apoio de Mariano Figuera ( @arqchivorarx) e Monise Berno, educomunicadores da Viração.

Esta publicação tem a cooperação da UNESCO no âmbito do Projeto 914BRZ1138, o qual tem o objetivo de contribuir para eficiência da gestão por resultado, aprimoramento da governança, da resposta nacional às IST, HIV/Aids, hepatites virais, com foco na prevenção e educação em saúde, bem como na ampliação do acesso e qualidade dos serviços prestados às populações vulneráveis. As indicações de nomes e a apresentação do material não implicam a manifestação de qualquer opinião por parte da UNESCO a respeito da condição jurídica de qualquer país, território, cidade, região ou de suas autoridades, tampouco da delimitação de suas fronteiras ou limites. As ideias e opiniões expressas nesta publicação são as dos autores e não refletem obrigatoriamente as da UNESCO nem comprometem a Organização.

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