Aprender a aprender, como impulsionar seus estudos

Neste texto farei um apanhado geral da questão do autodidatismo ou do estudo direcionado/acompanhado.

Por Lucas Schrouth

O que estudar e por quê? 

Ao estudar sozinho, uma dúvida que sempre emerge é:

o que irei estudar e como começar?

Isso é bem razoável, pois é difícil começar a caminhar com as próprias pernas neste vasto universo do conhecimento. É preciso inicialmente estabelecer o motivo pelo qual você está estudando o que estuda; não sejamos idealistas ao pensar que tudo que vamos estudar será porque amamos – o fator prático por vezes é muito mais influente (precisar passar numa prova, por exemplo).

Conhecer sobre determinado objeto de conhecimento, biologia por exemplo, não é um processo contínuo e linear. Ao estudar sobre algo é necessário estabelecer um ponto de partida, conhecer não é algo que só continua e não começa, ter um suporte nesse momento é muito importante (não tê-lo também não é diagnóstico prévio de fracasso) pois este poderá lhe direcionar num caminho que já trilhou a fim de não criar possíveis vícios. 

Mentalize o conhecimento pleno sobre algo como um prédio: não é possível conhecer plenamente a cobertura se não souber das estruturas previamente.

Assim como para estudar o autor X, é preciso primeiramente conhecer as bases dele que podem ser os autores Y e Z. Para facilitar todo este caminho é que pedir ajuda ou procurar respectivos manuais de estudo é uma ação recomendável. 

Esta ordem das coisas pode facilitar e até estruturar melhor os esquemas de conhecimento a serem construídos, mas é possível – exige uma certa sagacidade – que a pessoa por meio das partes desestruturadas consiga enxergar um elo de ligação que crie o todo.

Contudo, estudar sempre será uma iniciativa própria, concreta e contínua.

O “como” aprender?

Existe o mito do luxo – a expectativa de viver ad aeternum um ócio produtivo – materiais de qualidade, internet, notebook, tablet, livros das mais novas edições, tudo isso pode contribuir nos seus estudos entretanto não é disso que ele depende.

Acredito que ter acesso à internet é algo muito importante no momento atual, mas os recursos analógicos/físicos são ainda de riquíssimo valor.

Existe muito – incalculável e inabsorvível – material online e dos mais diferentes gêneros, vídeos, livros, aulas, resumos, podcasts. Só que há os que não tem regularmente o acesso à Internet (ou meios para acessá-las), e estes devem recorrer ao conhecimento sublime que se encontra nas páginas dos livros, aos incríveis profissionais que estão à frente da lousa.

Vontade, disposição, desejo são coisas essenciais na construção de uma vida intelectual – claro que não basta a idealização simbólica. Entendemos que uma pessoa não pode se preocupar com ligações carbônicas ou questões metafísicas se está com fome.

A materialidade do conhecimento – quando você consegue ler uma equação, entender as ligações entre as escolas literárias, os motivos de determinado acontecimento histórico – é algo incrível. Isso é o que motiva, é o que move para a continuidade. Para isso é preciso constância, é preciso ter em mente aonde você quer chegar, o quanto você quer saber – dominar o objeto, transitar por uma ciência, aí é que se enxerga a materialidade, a aprendizagem concreta. 

Levar a sério!

É preciso entender os estudos como algo sério, uma responsabilidade que faz parte da construção do seu futuro. Stephen King escreve a quem quer ser escritor que em primeiro lugar LEVE A SÉRIO.

Estudar tem que ir além do deslumbre, do desejo de conhecer para ostentar ou da necessidade imediata.

Atribua aos seus estudos uma profunda ideia de dever, naquele momento de estudo é ali ‘o procurar conhecer’, o mais excelso ato que você pode realizar imediatamente – torne o conhecer uma postura ética e humana, procure retornar o que aprender para a sociedade.

Temporize e controle para que faça dar certo, use de forma consciente os momentos que você reserva para o estudo.

Não tenho muito tempo para estudar!

Isso é o que alguns dizem, mas isso é um entendimento errado, pois mesmo que você pudesse estudar 20h num dia o máximo que você conseguiria são 3h, e isso já é o bastante.

3h a 4h diárias é um bom tempo de estudo, fracione o que você precisa estudar para estudar sempre.

Vá além dos materiais, vá além das aulas, vá além e busque novas informações, procure tirar dúvidas, compare materiais diferentes sobre o mesmo assunto, responda exercícios, se possível assista a aula mais de uma vez, converse com colegas. Faça registros, escreva, fiche o que achar importante do que ler – para que futuramente possa recorrer o quanto for preciso a seus resumos, a memória falha – leia e releia, mas para melhor fixação do conteúdo a solução é colocá-lo em prática.

imagem: Pixabay

O quanto de educação você quer?

O que pretendo despertar em vocês com essa pergunta é a questão do por quê você quer aprender.

Além da questão prática, estudar de forma honesta, sincera e concreta é um exercício profundamente simbólico. A construção de uma vida intelectual não é algo que ocorre do dia para noite, e quando estabelecida não é garantia de ser imutável ou irregressível – é preciso entender também que o conhecimento só o é quando não usado como porrete pessoal contra todos, um dos grandes males da contemporaneidade é a ostentação de sabedoria vazia.

Um dos grandes problemas da educação brasileira é a incapacidade de despertar nos jovens o que é próprio da filosofia, que é o amor pelo conhecimento. Este sentimento pelo estudo, do conhecer por prazer é algo que muitos entendem como algo que não é próprio da juventude, mas é nela que pode-se haver incentivos primários.

Quando se vê um intelectual público, que gostamos de ouvir e nos faz pensar além do que estamos vendo de forma imediata, podemos pensar que estes sempre foram assim – grande engano. 

A ética é um dos pilares que devem reger a vida intelectual, e acompanhado dela o senso de obrigação, de dever moral para com o próprio desenvolvimento. Quando se fala sobre desonestidade intelectual, normalmente se remete a pessoas que simulam saber algo que não sabem; no entanto fingir não saber algo que se sabe perfeitamente bem (por não possuir o vocabulário ou os recursos para poder defender) também trata-se de agir de forma contraproducente.

Se atente ao que lê, ouve, vê e não somente estude para mostrar que estuda.

Esteja disposto a conhecer e entrar em contato com o novo, com o que de imediato parece lhe contrapor, conhecer é abandonar os preconceitos – estudar é um processo silencioso.

E principalmente, converta o que souber em bem para os que estão à sua volta.

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