ANSIEDADE PRÉ E PÓS-ENEM

O período pré-ENEM (e pós, até sair o resultado) pode ser muito tumultuado e se tornar uma carga emocional extremamente pesada. Mas, afinal, o quanto vale sua saúde mental? Nesse artigo, você vai entender de onde essa pressão surge e como lidar com ela.

Por Lívia Gariglio

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é definitivamente o tópico mais comentado durante o Ensino Médio. Existe uma pressão gigantesca, tanto no corpo docente, quanto no discente e até mesmo da família para que os resultados sejam bons.

Entretanto, um exame vale sua sanidade mental?

Bem, para responder essa pergunta, precisamos analisar o contexto do nosso sistema educacional.

Nele, não há relevância o fato de que a individualidade interfere no processo de aprendizado, visto que é um sistema fabril, ou seja, é como se fosse uma fábrica: a cada 50 minutos um horário acaba (geralmente tocando um sinal) e, se o seu ritmo de aprendizado é diferente, isso é visto como um problema, uma adversidade, um empecilho à norma.

Vários pensadores (como Carlos Nogueira Fino, Toffler e Gimeno Sacristán, por exemplo) fizeram análises demonstrando que, atualmente, nossas escolas possuem praticamente a mesma estruturação do que na época da Revolução Industrial, a cerca de três séculos atrás.

O ditado “errando é que se aprende” não é realmente aplicado, já que os erros são vistos como negligência, falta de estudo ou de preparação ou incapacidade, uma vez que se espera que todos nós aprendamos as mesmas coisas no mesmo ritmo e tenhamos o mesmo desempenho em todas as esferas do conhecimento.

Você não precisa entender logaritmo, eletrostática, embriologia, fuso horário ou ler clássicos para ser inteligente.

Cada pessoa tem habilidades diferentes, resultantes de alguns fatores: do quanto ela foi estimulada em determinada área, da facilidade de aprendizado, do esforço e da própria personalidade e interesses próprios. E se você não se interessa por uma disciplina ou não a entende, isso não significa que você é incapaz.

O ENEM é uma síntese do Ensino Médio. Isso significa que, para além dos pontos positivos, todos os pontos negativos supracitados são encontrados nessa prova.

A pressão psicológica que é originada da expectativa de uma nota boa para conseguir entrar em uma faculdade (principalmente a da sua preferência) se alia ao sentimento de obrigatoriedade e… a ansiedade chega.

Na verdade, a ansiedade relacionada aos assuntos acadêmicos pode ter vindo muito antes.

Não é raro que estudantes do Ensino Fundamental ou Médio desenvolvam ansiedade e até mesmo sinais depressivos por causa da pressão ou do sentimento de inadequação e insuficiência. E mesmo depois do ENEM, já na universidade, por exemplo, isso também é usual.

Falta de autoestima, estresse, apagões de memória durante avaliações, autodepreciação, ansiedade, depressão, dificuldade de aprendizado. É como um furacão, que deixa a sua mente desordenada. Em alguns casos, isso pode chegar ao extremo, como automutilações, abuso de substâncias químicas (desde remédios de aumento de concentração ou para diminuir o sono até substâncias ilícitas) e até mesmo tentativa de suicídio.

COMO LIDAR

Esse é um assunto extremamente sério e deve ser tratado como tal. Até o próprio ENEM sabe disso, tanto que cobrou uma redação sobre saúde mental. Isso obviamente não é o suficiente, mas demonstra que não é algo que pode ser simplesmente ignorado.

O sistema educacional deve ser reestruturado, para que se evite totalmente essas ocorrências. Porém, enquanto isso não acontece, existem algumas atitudes que você pode tomar para lidar com essa situação.

É fundamental, durante esse processo, um acompanhamento por um terapeuta. Atualmente, a prestação de atendimento psicológico escolar para os alunos é uma garantia assegurada por lei. Não há motivo para ter vergonha de pedir ajuda. Essa carga é enorme e ninguém precisa passar por isso sozinho.

E, sinceramente, o ENEM não é tão importante. Você pode refazê-lo outro ano se não conseguir de primeira e isso não significa que você fracassou. Uma prova é só uma prova, mas o seu psicológico, esse sim faz parte de quem você é.

Então, não. Não vale a pena sacrificar sua saúde mental por causa de um teste. O nervosismo é normal (e natural), mas não a ponto de te incapacitar ou te prejudicar. Você é mais do que um número em um registro, você é mais do que uma nota.

Tradução: “Apenas um número”. –  The Highlander Online/ Reprodução

Você tem trilhões de células no seu corpo e bilhões delas são neurônios. Sua capacidade intelectual não pode ser medida por parâmetros tão pequenos como uma prova que resume um sistema decadente.

E esse texto é pra você, mas também é pra mim. É para nós e qualquer um.

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