Anita Garibaldi: Mulher guerreira

Severino Francisco

Ilustração de Novaes, colaborador da Agência Jovem de Notícias

Ana Maria de Jesus Ribeiro ou Anita Garibaldi parece uma personagem saída diretamente de um folhetim do mais descabelado romantismo para a realidade. É uma mulher movida por um amor louco. Amava um homem, os filhos, o país e os ideais de liberdade e emancipação política. Amor de fêmea enérgica, brava e destemida, que não parava diante de nenhuma barreira.

Qualquer descrição da vida de Anita pode passar ao leitor a impressão de exagero ou de imaginação fértil da parte do narrador. Ela nasceu em 1821, em Morrinhos, Laguna, na então província de Santa Catarina. Era filha de pais pobres, mas imbuídos do espírito de honra e altivez. Teria herdado do pai a energia e a coragem pessoal.

Aos 14 anos, casa-se com um certo Manual Duarte de Aguiar, em um arranjo típico daquela época, em que os pais arrumavam maridos para as filhas, segundo conveniências sociais e econômicas. Mas, aos 18 anos, ela conheceria o italiano Giuseppe Garibaldi, um homem guerreiro e romântico, vivendo uma paixão fulminante que mudaria os rumos de sua vida. A documentação sobre as circunstâncias em que Anita e Giuseppe se conheceram é escassa e as versões desencontradas. O único relato escrito é o do próprio Giuseppe em suas memórias. Segundo ele, estava no convés do seu navio, enfastiado e ávido por uma companhia feminina, quando apontou a luneta para a cidade e mirou uma mulher belíssima. Desceu do navio e passou a procurar a musa. Não  a encontrou, mas conheceu um home, que o convidou para ir até a sua casa. Lá, foi apresentado a uma jovem: era exatamente ela, a musa da luneta, Ana Maria de Jesus Ribeiro.

Com a eclosão da chamada Revolução Farroupilha, Giuseppe adere ao movimento e Anita decide segui-lo. Participa de inúmeros combates ao lado do marido, revelando uma enorme coragem, transportando munição sob o fogo cruzado de balas, rasgando pedaços de sua roupa para cuidar dos feridos, concebendo três filhos no meio da batalha. Em 1849, Anita seguiu para a Europa para lutar, junto do marido, pela unificação da Itália. Mas não resiste a uma febre tifoide e morre aos 28 anos. Esses dez anos de vida cheia de aventura a transformaram em símbolo do espírito de luta e do ideal de um amor incondicional.

Tá na mão:

Anita Garibaldi – Uma heroína brasileira, de Paulo Markun (Editora Senac)

Texto publicado na edição nº 02 da Revista Viração, em junho de 2003

 

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