Anciões indígenas pedem demarcação de terras


Seminário Caboclo Índio Marcelo foi aberto hoje em área retomada pelos Tupinambá de Olivença

Aléxis Góis, colaborador da Agência Jovem em Ilhéus (BA) | Imagem: Cacique Acauã

O IV Seminário Internacional de História Indígena Caboclo Marcelino foi aberto hoje na Aldeia Tamandaré, na área de Santana, retomada em julho deste ano pelo povo Tupinambá de Olivença, em Ilhéus (BA), com a presença de indígenas dos povos Tupinambá, Xocó, Kariri-Xocó, Pataxó, Pataxó-Hã-hã-hãe, além de estudantes e professores da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Após o ritual Porancy Tupinambá, diversos caciques expressaram a sua preocupação com a demarcação de territórios indígenas.

A cobertura do Seminário está sendo realizada por indígenas que participaram de laboratórios de apropriação de Artes e Tecnologias promovido pela Oca Digital, projeto da ONG Thydêwá e Cardim Projetos e Soluções Integradas, com o Patrocínio da Telefonica e Vivo.

O Cacique Acauã, da Aldeia da Tamandaré, começou mostrando a visão indígena sobre o descobrimento do Brasil: “a gente quer mostrar a verdadeira história. Quem começou primeiro a invasão foi Pedro Álvares Cabral quando chegou aqui. Porque aqui encontrou um povo e não respeitou esse povo”.
Reconhecidos como povo pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em 2002, os Tupinambá de Olivença ainda não tiveram as suas terras devidamente demarcadas. “Uma coisa é justa: a terra é nossa. Um índio sem terra não é índio. Se conheceu um povo, que é o povo Tupinambá, também tem de reconhecer o território, para que a gente possa viver a nossa cultura, a nossa tradição, que também tomaram da gente”, argumenta Acauã.

Com 49 famílias e 306 pessoas, a Aldeia Tamandaré fica no limite do território reconhecido como Tupinambá, e é isolada por mais de uma hora do asfalto. O trajeto é realizado por estradas de terras em péssimas condições do asfalto. “Temos um meio de fazer a justiça brasileira ouvir o povo. A única maneira de nos ouvirem é fazer a retomada de terra dentro do território reconhecido, porque somos um povo reconhecido”, explica o Cacique Acauã, um dos líderes do movimento.

A liderança Apolônio, da etnia Xocó em Sergipe, relatou a história de luta pela demarcação das terras de seus povo. Descrente das instituições do Estado brasileiro, o Cacique incentiva os Tupinambá e outros indígenas a serem protagonistas de sua própria história: “quem vai demarcar é a coragem, é a força, é a união de cada índio desta comunidade”. Os Xocó iniciaram, em 1978, uma trajetória pela demarcação de seu território, que só foi reconhecido em maio de 1993. Desde então, relata Apolônio, não houve mais conflitos pela terra. “Espero que a demarcação dos Tupinambá e de outros povos do Sul da Bahia seja mais rápida”, conclui.

Jornalista, professor e educomunicador. Responsável pelos conteúdos da Agência Jovem de Notícias e Revista Viração.

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