Ainda sobre o Encontro Internacional Públicos da Cultura

Alunos da Licenciatura em Educomunicação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) participaram da cobertura jornalística do evento Públicos da Cultura no SESC Vila Mariana, entre os dias 12 e 14 de novembro.

A experiência do evento, em parceria com a Revista Viração Educomunicação, proporcionou aos alunos uma vivência da prática jornalística na perspectiva da educomunicação. As conferências abordaram o perfil e formação dos diversos públicos da cultura na contemporaneidade, além de tratar de seus hábitos e demandas diante das transformações econômicas, políticas e sociais (veja mais aqui).

Tivemos a oportunidade de conhecer as pesquisas de diversos estudiosos de diferentes países e instituições sobre as práticas culturais, fazendo-nos refletir sobre a complexidade em que a democratização dessas práticas está inserida. A concepção de que as experiências culturais na sociedade contemporânea acabam surgindo pelas práticas e, aos poucos, ajudam a descrever nossa história por meio de suas linguagens e seus códigos, fez muito sentido.

A afirmação de que o desejo da cultura não é natural e sim cultivado, nos chamou a atenção, levando-nos a pensar que não existem públicos da cultura a priori, já que eles se formam ou são formados. Pois, se o desejo da cultura não é natural, podemos concluir que o desejo por suas práticas também não aparece em nós naturalmente. E se a garantia da prática cultural pertence ao ambiente familiar, quando esse não o garantir, caberá à Escola formar os cidadãos por linguagens, códigos e através da sua constante exposição aos produtos e às práticas. Será que isso tem acontecido em nossas escolas?

A abordagem democrática das experiências culturais tanto para crianças e jovens como para os adultos possibilita o seu desenvolvimento potencial e concede uma formação integral. Foi interessante a palestra de Anne Krebs sobre a democratização do Louvre nas prisões francesas, em um trabalho de inserção social em conexão com as novas responsabilidades que os museus e centros culturais devem assumir.

E, finalmente, a partir da palestra de Amanda Tojal, desvela-se a necessidade de tornarmos a cultura possível a todos. Para que a democratização das práticas culturais torne-se uma realidade será preciso enfrentar as dificuldades em relação à acessibilidade, que muitas vezes encontra-se esquecida e invisível entre os demais públicos e instituições. Para que a democratização seja uma verdade, faz-se necessário darmos condições de inserção aos portadores de necessidades especiais nos mesmos espaços já frequentados pelos demais públicos da cultura.

“Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um”.
Fernando Sabino

Não deixem de conferir a entrevista com Amanda Tojal, Doutora em Ciências da Informação pela ECA-USP e especialista em museologia e acessibilidade, realizada e editada pelos alunos Narayan Barreira e Carlos Maffei.

 

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