Adolescentes de toda a Amazônia Legal vão se reunir em Belém e propor políticas para a juventude

Documento vai falar sobre assassinato de adolescentes e jovens, criminalização da juventude e como os jovens estão participando da formulação de políticas públicas. O objetivo é que governadores e secretários de segurança pública dos Estados recebam a carta em mãos durante o encontro

Eles são quase 1/3 da população brasileira, mas estão sendo mortos, recebendo uma educação de baixa qualidade, sofrem discriminação e impactos negativos de grandes obras e projetos e, o pior, são ignorados na formulação de políticas públicas que podem melhorar suas vidas.

Esses e outros desafios de crescer na Amazônia estão nas pautas do Encontro Amazônico de Adolescentes e do Colóquio Amazônico de Adolescentes, que acontecem em Belém no período de 08 a 11 de abril.  O encontro vai reunir quase 200 adolescentes dos nove estados da Amazônia Legal, que, ao final do encontro, vão entregar a Carta de Princípios dos Adolescentes da Amazônia Legal aos representantes dos governos dos Estados envolvidos.

Os adolescentes vão pedir que sejam tomadas providências para reduzir os alarmantes índices de morte de adolescentes e para incluir o direito à participação nas agendas dos governos estaduais e municipais. “A vida dos adolescentes na Amazônia está em risco por causa da discriminação, da violência urbana e da falta de oportunidades de educação e emprego. Apesar disso, ninguém nos ouve”, disse Mairã Soares (17), uma das organizadoras do evento.

As violações a que Mairã se refere podem ser confirmadas por índices oficiais como o Mapa da Violência, que mostra que, somente em 2010, 3.471 adolescentes e jovens com idades entre 12 e 21 anos de idade foram assassinados no Pará. Outro indicador, o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), aponta uma projeção de mais de 3 mil adolescentes mortos de forma violenta na Região Norte até 2015 se nada for mudado.

Uma prova concreta de que os assassinatos são resultados da discriminação é que, entre os 3.471 adolescentes mortos em 2010, 259 eram brancos e 3.212 eram negros.

Educação, Participação e acesso à informação

Os índices de educação dos jovens na região Norte só se igualam no Brasil aos do Nordeste. O índice de crianças e adolescentes que estão atrasados na escola é de 89% na região Norte, contra 76% do índice nacional.

Participar da vida política, opinar sobre políticas públicas e serem ouvidos em suas reivindicações são direitos já consagrados de crianças, adolescentes e jovens, porém essa é outra área em que os jovens estão invisíveis. Entre os nove estados da Amazônia Legal, nem todos possuem conselhos da juventude, e os que possuem enfrentam problemas como falta de interesse, recursos escassos e falta de estrutura para funcionamento.

O acesso à informação é outro déficit que compromete a participação segundo dados do IBGE. Enquanto nas demais regiões brasileira, cerca de 50% da população acessa a internet, na região Norte esse número é de 34%, segundo o IBGE.

Com educação precária, falta de acesso à informação e participação nula, sobram problemas típicos da ausência de desenvolvimento. Isso pode ser vista nos índices de gestação: na região norte quase 10% das adolescentes entre 15 e 17 anos já tem pelo menos um filho. A taxa nacional é de 6% e algumas regiões registram 5%.

Mais informações
Mairã Soares/ Renata Trindade / Celina Hamoy
(91) 3241-7007
Jaqueline Almeida
(91) 3241-7007 /(91) 8242-0434

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