A vida e seus sentidos

O vírus da necessidade de categorizar tudo está impregnado em nossas relações sociais e empobrecendo o sentir.

Por Reynaldo de Azevedo Gosmão

O que será isso? De onde veio? Para onde vai?

A busca pelo sentido das coisas é uma marca estruturante para a nossa sociedade e subjetividade. A qualquer lugar que vamos, seja em uma loja, supermercados e outros lugares, as categorias, rótulos, classificações, manuais, numerais criam a atmosfera de sentidos. 

Sentidos esses que de certa forma empobrecem a possibilidade humana do sentir; todo sentimento estranho, em questão de segundos é classificado como uma ansiedade, angústia, depressão, diagnóstico esse que os próprios sujeitos se dão por uma única e simples justificativa querer dar nome o que sente, categorizar. 

Por outro lado, aquilo que não é remediado pelas categorias e pelos fármacos, entra em um modo paranoico, onde tudo acaba sendo incorporado por narrativas e pensamentos repetitivos, sem deixar que a dúvida seja soberana. 

Durante a pandemia, exemplos clássicos nos apresentam esse modo paranoico em lidar como o novo, para aquilo que não tem sentido, muitos usam sentidos, às vezes delirantes, como a crença do vírus ser comunista, por objetivos políticos, ou a crença que esse vírus é uma escolha divina para purificar nossa sociedade. 

O vírus da necessidade de categorizar tudo está impregnado em nossas relações sociais e empobrecendo o sentir.

Ao escutar uma música, muitos querem saber cada significado que ali está embutido, mas esquecem de se permitirem a sentir as emoções que as melodias, letras e voz pode despertar. No convívio das relações amorosas, se o bom dia foi sem o coração de emoticons, logo alguns dão o sentido que a pessoa não ama mais, se um amigo fica alguns dias sem responder o whatsapp … a amizade acabou.

Entretanto, o que tem acabado com as nossas relações é a busca pelo sentido em tudo, sentidos esses que visam  preencher qualquer equívoco através de qualquer invenção equivocada em que criamos. 

O pensamento psicanalítico é muito atual em nos convocar a sustentar nossas posições incompletas; não temos uma vida em que tudo possa ser decifrado, e também o uso das generalizações, historicamente, sempre é muito perigoso.

Entre tantas tabelas, gráficos, categorizações, existem o nosso sentir, e o que você quer fazer com isso de mais preciso que você tem? Colocar em caixinhas?

Imagem de Pexels por Pixabay

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